Uma fazenda na Tasmânia usa automação total para operar dia e noite com apenas um funcionário, integrando robôs, dados e manejo de precisão para alcançar eficiência rara na pecuária leiteira moderna.
Uma fazenda de leite no noroeste da Tasmânia vem chamando a atenção do setor ao operar praticamente sozinha, dia e noite, com apenas um funcionário para cuidar de um rebanho de cerca de 500 vacas.
Com oito robôs em funcionamento permanente e uso intensivo de dados, o produtor Arjan van Adrichem, de Togari, elevou a eficiência da propriedade a um patamar raro na pecuária leiteira e foi reconhecido com o Prêmio de Inovação do Cadbury Farmer of the Year Awards.
Automação e robôs na pecuária leiteira da Tasmânia
Localizada em uma região de clima úmido e forte tradição leiteira, a fazenda da família van Adrichem passou por uma transição acelerada rumo à automação completa.
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Em vez do sistema convencional, com ordenhas em horários fixos e grande dependência de mão de obra, o produtor implantou um conjunto de oito robôs de ordenha, que atendem o rebanho 24 horas por dia.
Esses equipamentos permitem que cada vaca escolha quando será ordenhada, de acordo com seu próprio ritmo fisiológico.
Ao entrar no box, o sistema identifica o animal, realiza a higienização, conecta os conjuntos de ordenha e registra automaticamente volume de leite, composição e tempo de retirada.
Todo o processo é registrado em tempo real em uma plataforma de gestão, que centraliza os dados do rebanho.

A automação não se limita à ordenha.
Os robôs também fazem a leitura contínua de indicadores como ingestão de ração, peso e padrão de locomoção, gerando alertas quando algo foge do padrão.
Com isso, eventuais problemas de saúde podem ser identificados antes de se tornarem casos graves, o que favorece o bem-estar das vacas e a estabilidade da produção de leite ao longo do ano.
Produtividade e eficiência acima da média australiana
Enquanto a média na pecuária leiteira australiana é de aproximadamente um trabalhador para cada 120 vacas, o sistema instalado em Togari permite que uma única pessoa responda, na maior parte do ano, por todas as rotinas ligadas a cerca de 500 animais.
Na prática, o produtor trabalha em um modelo próximo ao de “fazenda de um só homem”.
A necessidade de reforço na equipe aparece principalmente nas semanas de parição, na primavera, quando o manejo das vacas em período de parto e dos bezerros exige maior presença no campo.
Fora desse período, a maior parte do trabalho se concentra em monitorar indicadores na tela do computador, intervir em casos específicos sinalizados pelo sistema e cuidar de ajustes de rotina na alimentação e no manejo de pastagens.
A diferença em termos de eficiência de mão de obra é expressiva.
Em um cenário de custos crescentes e dificuldade de contratar e reter funcionários na atividade leiteira, a propriedade de van Adrichem aparece como um exemplo de como a automação pode ajudar a manter a rentabilidade sem ampliar o quadro de pessoal.
Monitoramento contínuo e agricultura leiteira de precisão
O conjunto de robôs funciona, na prática, como um grande exame clínico permanente do rebanho.
Cada vaca gera uma série de dados ao longo do dia, que são combinados em relatórios sobre produtividade, saúde, fertilidade e consumo de alimento.

Conforme esses indicadores mudam, o sistema aponta animais que merecem atenção especial.
Quando há queda de produção, alteração na composição do leite ou mudança súbita no comportamento, o software emite alertas.
Isso permite intervenções precoces, reduzindo perdas, evitando casos graves de doenças e diminuindo o uso de tratamentos mais caros.
A mesma lógica vale para a reprodução.
O monitoramento constante ajuda a identificar cio com maior precisão, o que melhora as taxas de prenhez e a regularidade dos partos.
Esse modelo, conhecido como Agricultura Leiteira de Precisão, também contribui para manter os custos sob controle.
Com desperdícios minimizados e decisões tomadas com base em dados, o produtor consegue controlar melhor o uso de ração, suplementos e insumos veterinários.
Manejo de alimentação e proteção do solo
Outro pilar da operação em Togari é o manejo de alimentação.
Em vez de depender exclusivamente de pasto aberto, a fazenda utiliza plataformas de alimentação cobertas, onde o rebanho é alimentado em períodos de chuva intensa ou condições climáticas adversas.
Esse tipo de estrutura reduz praticamente a zero o desperdício de silagem e concentrados, já que a ração não fica exposta à lama e à água.

Ao mesmo tempo, evita que tratores circulem sobre o solo encharcado, diminuindo a compactação e a degradação das áreas de produção de forragem.
As melhorias na gestão da silagem e no combate às perdas de alimento foram centrais para o reconhecimento obtido no prêmio da Cadbury.
Segundo a organização da premiação, o produtor se destacou pela elevação da qualidade do volumoso e pela adoção de práticas que fortalecem a sustentabilidade de longo prazo.
Prêmio de inovação e programa ambiental
O desempenho da fazenda de van Adrichem foi destacado no Cadbury Farmer of the Year Awards 2025, que homenageia fornecedores de leite da marca na Tasmânia.
Na cerimônia realizada em Devonport, o produtor foi anunciado como vencedor do Prêmio de Inovação, em reconhecimento ao uso pioneiro de tecnologia para melhorar o manejo de silagem, reduzir desperdícios e aumentar a eficiência do sistema com oito robôs em operação.
O evento contou com a presença do premiê da Tasmânia, Jeremy Rockliff, e de executivos da Mondelez, dona da marca Cadbury.
Na ocasião, o presidente da companhia para Austrália, Nova Zelândia e Japão, Toby Smith, afirmou que não poderia “exagerar a importância da Tasmânia para a Cadbury”.
Durante a mesma cerimônia, a empresa anunciou um programa de sustentabilidade de 200 mil dólares, com duração de dois anos, para apoiar produtores na medição e redução de emissões de carbono, sem comprometer a lucratividade das fazendas.

A iniciativa pretende financiar ferramentas de monitoramento e projetos que tornem os sistemas produtivos mais eficientes em termos de uso de energia e insumos.
Produtores premiados e avanços no setor leiteiro
Além da fazenda de Togari, outros quatro produtores da região noroeste da Tasmânia foram homenageados pela Cadbury.
O prêmio de Agricultora do Ano ficou com Catherine Furzer, de Elliott. Na categoria Jovem Produtor, o reconhecimento foi para Josh Smith, de Cuprona.
O prêmio de Sustentabilidade foi entregue a Rob Frampton, de Gawler. Já o troféu de Qualidade do Leite foi para Anthony Grey, de Redpa.
O conjunto de premiados indica um momento de forte dinamismo na cadeia do leite na Tasmânia, com produtores buscando combinar qualidade de matéria-prima, gestão ambiental e inovação tecnológica.
Iniciativas incluem o uso de robôs de ordenha, sistemas de alimentação automatizados, métricas de carbono e práticas avançadas de manejo de solo e água.
Nesse cenário, surge uma questão essencial para produtores e indústrias: até que ponto experiências como a da fazenda de 500 vacas, oito robôs e um funcionário podem se tornar referência para outras regiões leiteiras, inclusive no Brasil?
No Brasil. A Agropecuaria leiteira esta praticamente ainda no estagio 0 Sendo a maioria de tiradores de leite manuais e sem condicoes financeiras de investirem no negocio
Estou até sem palavras… A tecnologia me impacta. Sou além de neto, sobrinho e filho de produtores de leite.