1. Início
  2. / Forças Armadas
  3. / A Marinha dos EUA adicionou um módulo de 25 metros ao casco dos submarinos Virginia Block V para triplicar a capacidade de mísseis, de 12 para 40 Tomahawks, planejou 10 unidades para compensar a aposentadoria dos submarinos da classe Ohio a partir de 2028 e criou o submarino de ataque mais armado da história americana, com custo de US$ 3,2 bilhões por unidade
Tempo de leitura 7 min de leitura Comentários 0 comentários

A Marinha dos EUA adicionou um módulo de 25 metros ao casco dos submarinos Virginia Block V para triplicar a capacidade de mísseis, de 12 para 40 Tomahawks, planejou 10 unidades para compensar a aposentadoria dos submarinos da classe Ohio a partir de 2028 e criou o submarino de ataque mais armado da história americana, com custo de US$ 3,2 bilhões por unidade

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 09/03/2026 às 16:58
A Marinha dos EUA adicionou um módulo de 25 metros ao casco dos submarinos Virginia Block V para triplicar a capacidade de mísseis, de 12 para 40 Tomahawks, planejou 10 unidades para compensar a aposentadoria dos submarinos da classe Ohio a partir de 2028 e criou o submarino de ataque mais armado da história americana, com custo de US$ 3,2 bilhões por unidade
A Marinha dos EUA adicionou um módulo de 25 metros ao casco dos submarinos Virginia Block V para triplicar a capacidade de mísseis, de 12 para 40 Tomahawks, planejou 10 unidades para compensar a aposentadoria dos submarinos da classe Ohio a partir de 2028 e criou o submarino de ataque mais armado da história americana, com custo de US$ 3,2 bilhões por unidade
  • Reação
  • Reação
2 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

USS Arizona (SSN-803): novo submarino nuclear da classe Virginia nasce para substituir os gigantes lançadores de mísseis da classe Ohio

Em dezembro de 2022, a empresa General Dynamics Electric Boat realizou uma cerimônia discreta em seu estaleiro em Rhode Island para marcar o início da construção do USS Arizona (SSN-803), o 30º submarino da classe Virginia. O evento carregava um simbolismo profundo: o nome Arizona, associado ao navio que afundou durante o ataque japonês a Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941, retornava oficialmente ao serviço ativo da Marinha dos Estados Unidos. O novo USS Arizona não será um navio de superfície nem um porta-aviões. Ele será um submarino nuclear de ataque da classe Virginia equipado com o Virginia Payload Module, projetado para carregar um volume muito maior de armamentos de longo alcance. O projeto surge em um momento crítico para a estratégia naval americana, quando a frota precisa substituir os maiores lançadores de mísseis subaquáticos já operados pelos Estados Unidos.

O novo submarino nasce justamente para compensar a aposentadoria iminente dos gigantes da classe Ohio convertidos para mísseis de cruzeiro.

A aposentadoria dos submarinos classe Ohio cria um vazio estratégico na capacidade de ataque submarino

Entre 2026 e 2028, a Marinha dos Estados Unidos começará a retirar de serviço quatro submarinos nucleares da classe Ohio convertidos para mísseis de cruzeiro. Esses navios — USS Ohio, USS Florida, USS Michigan e USS Georgia — representam hoje a maior capacidade de ataque subaquático convencional do arsenal americano.

Cada submarino dessa classe pode transportar até 154 mísseis de cruzeiro Tomahawk, distribuídos em 22 tubos de lançamento verticais, cada um contendo sete mísseis. Somados, os quatro submarinos podem carregar até 616 mísseis Tomahawk prontos para lançamento.

A Marinha dos EUA adicionou um módulo de 25 metros ao casco dos submarinos Virginia Block V para triplicar a capacidade de mísseis, de 12 para 40 Tomahawks, planejou 10 unidades para compensar a aposentadoria dos submarinos da classe Ohio a partir de 2028 e criou o submarino de ataque mais armado da história americana, com custo de US$ 3,2 bilhões por unidade
Créditos: (U.S. Navy courtesy General Dynamics Electric Boat)

Esses navios originalmente foram construídos como submarinos balísticos nucleares (SSBN). Entre 2002 e 2008, foram convertidos para submarinos de mísseis guiados (SSGN) após as limitações impostas pelo tratado START II, que reduziu o número de submarinos estratégicos nucleares permitidos na frota americana.

A conversão transformou os Ohio-class nas maiores plataformas de ataque submarino convencional já construídas.

Submarinos Ohio provaram sua capacidade em operações reais de combate

Os submarinos da classe Ohio não ficaram restritos a exercícios militares. Eles participaram de diversas operações reais ao longo das últimas duas décadas. Um dos exemplos mais marcantes ocorreu em 2011, durante a Operação Odyssey Dawn na Líbia. Na ocasião, o USS Florida lançou mais de 90 mísseis Tomahawk contra alvos estratégicos, marcando a primeira vez na história em que um submarino de mísseis guiados executou um ataque dessa escala em combate real.

Outro exemplo ocorreu durante a Operação Epic Fury em 2025, quando o USS Georgia participou de operações de pressão militar contra o Irã.

Além do poder de fogo, esses submarinos também funcionam como bases avançadas para operações especiais. Cada embarcação pode transportar até 66 operadores das Forças Especiais, incluindo equipes de SEALs, além de dois abrigos de convés seco para veículos de infiltração subaquática.

Virginia Payload Module: a solução da Marinha para substituir os submarinos classe Ohio

O desafio estratégico era claro: como substituir navios capazes de lançar centenas de mísseis de cruzeiro sem construir submarinos gigantescos novamente? A resposta foi o Virginia Payload Module (VPM).

O VPM é uma seção adicional de casco com 25,6 metros de comprimento inserida no meio do submarino durante sua construção. Esse módulo aumenta significativamente a capacidade de armamentos do submarino.

Cada módulo inclui quatro tubos de lançamento de grande diâmetro, capazes de carregar sete mísseis Tomahawk cada. Isso adiciona 28 mísseis adicionais ao submarino, que se somam aos 12 mísseis já existentes nos tubos padrão da classe Virginia.

Com o VPM, um submarino Virginia Block V passa a transportar até 40 mísseis Tomahawk, mais que triplicando a capacidade dos modelos anteriores.

Submarinos Virginia Block V ficam maiores, mais pesados e mais armados

A inclusão do Virginia Payload Module altera significativamente as dimensões da embarcação. Os submarinos anteriores da classe Virginia tinham aproximadamente 114 metros de comprimento e deslocamento submerso de 7.800 toneladas. Com o novo módulo, os Block V passam a ter cerca de 140 metros de comprimento e deslocamento de aproximadamente 10.200 toneladas.

Vídeo do YouTube

O custo também aumenta. Cada submarino Block V custa cerca de US$ 3,2 bilhões, aproximadamente US$ 400 milhões a mais do que os modelos anteriores.

Apesar do aumento no tamanho e na capacidade de armamentos, o sistema de propulsão permanece o mesmo. Os submarinos continuam utilizando o reator nuclear S9G, com vida útil estimada em 33 anos e potência de cerca de 40.000 cavalos no eixo. A velocidade oficial divulgada é superior a 25 nós submersos, embora estimativas não confirmadas indiquem que a velocidade real possa chegar perto de 35 nós.

Nem quatro submarinos Virginia conseguem substituir completamente um Ohio

Mesmo com o aumento de capacidade proporcionado pelo VPM, existe um limite matemático. Um submarino classe Ohio carrega 154 mísseis Tomahawk. Um submarino Virginia Block V com VPM carrega 40 mísseis.

Isso significa que seriam necessários quase quatro submarinos Virginia Block V para igualar o poder de fogo de um único Ohio convertido. Como quatro submarinos Ohio serão aposentados, a Marinha americana precisaria de cerca de 22 submarinos Virginia Block V equipados com VPM para restaurar totalmente a capacidade atual de lançamento vertical.

Até agora, o plano oficial prevê apenas dez submarinos desse tipo, o suficiente para reduzir a perda de capacidade, mas não para compensá-la completamente.

USS Arizona (SSN-803) carrega um dos nomes mais simbólicos da história naval americana

A escolha do nome Arizona para o SSN-803 tem forte significado histórico. O USS Arizona (BB-39) foi destruído durante o ataque japonês a Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941. A explosão de seu paiol de munições matou 1.177 marinheiros, representando a maior perda de vidas em um único navio na história da Marinha americana.

O casco do navio permanece até hoje submerso em Pearl Harbor, transformado em memorial nacional. Durante mais de 80 anos, nenhum navio da Marinha dos Estados Unidos voltou a usar o nome Arizona. O SSN-803 será o primeiro navio a recuperar esse nome desde a Segunda Guerra Mundial.

A quilha do submarino foi assentada exatamente em 7 de dezembro de 2022, marcando o 81º aniversário do ataque a Pearl Harbor.

O Virginia Payload Module foi projetado para armas futuras, incluindo mísseis hipersônicos

O VPM não foi projetado apenas para os atuais mísseis Tomahawk. Os tubos de grande diâmetro também foram dimensionados para acomodar sistemas de armas em desenvolvimento, incluindo o Conventional Prompt Strike, o programa de míssil hipersônico da Marinha americana.

Enquanto o Tomahawk voa a velocidades subsônicas e pode levar horas para atingir alvos distantes, um míssil hipersônico pode percorrer 1.500 quilômetros em menos de 15 minutos, voando a velocidades superiores a Mach 5.

Essa capacidade poderá transformar os submarinos Virginia em plataformas de ataque estratégico extremamente rápidas.

A produção dos submarinos Virginia enfrenta atrasos industriais

Apesar dos avanços tecnológicos, o programa enfrenta dificuldades industriais. Os dois estaleiros responsáveis pela construção dos submarinos — General Dynamics Electric Boat e HII Newport News Shipbuilding — têm metas combinadas de produção de 2,33 submarinos por ano, acima da capacidade atual.

Vídeo do YouTube

Greves, escassez de mão de obra qualificada e problemas na cadeia de suprimentos durante a pandemia atrasaram a construção de várias unidades. O próprio USS Arizona (SSN-803), cuja construção começou em dezembro de 2022, só deve entrar em operação no final desta década.

A corrida submarina no Indo-Pacífico pressiona a Marinha americana

Esses atrasos ocorrem justamente em um momento em que a competição naval global está se intensificando. A China está expandindo rapidamente sua frota de submarinos nucleares e fortalecendo sua presença militar no Indo-Pacífico.

Durante o período entre 2026 e 2028, quando os submarinos Ohio serão aposentados e os novos Virginia Block V ainda não estarão plenamente operacionais, a capacidade de ataque submarino dos Estados Unidos poderá ficar abaixo dos níveis históricos.

Reconhecendo essa vulnerabilidade, o governo americano tem acelerado investimentos. Em abril de 2025, a General Dynamics Electric Boat recebeu um contrato de US$ 12,4 bilhões para a construção de dois novos submarinos Virginia.

O novo USS Arizona representa uma transição histórica da força submarina americana

O USS Arizona original afundou em Pearl Harbor em um momento em que os Estados Unidos ainda estavam se preparando para a guerra. Mais de oito décadas depois, o novo USS Arizona (SSN-803) representa uma tentativa da Marinha americana de evitar repetir erros estratégicos do passado.

O submarino simboliza a transição entre uma geração de gigantes lançadores de mísseis e uma nova frota de submarinos modulares, mais versáteis e tecnologicamente avançados.

A aposta da Marinha é que esses novos submarinos consigam preservar a capacidade de projeção de poder submarino dos Estados Unidos em um cenário internacional cada vez mais competitivo.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Feedbacks
Visualizar todos comentários
Fonte
Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x