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A missão para trazer as rochas mais valiosas da Terra de Marte é considerada um fracasso, e agora a China pode chegar lá primeiro, com um retorno previsto para 2031

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 17/02/2026 às 11:35
Atualizado em 17/02/2026 às 11:37
Congresso dos EUA suspende missão a Marte de até US$ 11 bilhões e pode deixar China trazer amostras do planeta em 2031.
Congresso dos EUA suspende missão a Marte de até US$ 11 bilhões e pode deixar China trazer amostras do planeta em 2031.
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Decisão do Congresso dos EUA interrompe plano estimado entre US$ 8 e US$ 11 bilhões para trazer mais de 30 tubos coletados em Marte pelo rover Perseverance, mantém US$ 110 milhões para futuras missões e abre caminho para a China tentar retornar 500 gramas do planeta até 2031, antes de qualquer novo esforço americano

A missão para trazer as rochas mais valiosas da Terra de Marte é considerada um fracasso após o Congresso dos EUA recusar financiamento ao plano atual, mantendo US$ 110 milhões para futuras missões a Marte, enquanto a China prevê retorno de amostras em 2031.

Congresso suspende plano de retorno de amostras de Marte

Algumas dezenas de tubos metálicos espalhados por Marte podem conter pistas sobre vida passada. Eles permanecerão no planeta após o Congresso dos EUA recusar apoio ao programa existente de Retorno de Amostras de Marte.

No relatório do novo projeto de lei orçamentária, os legisladores afirmam que não apoiam o programa atual, embora destinem cerca de US$ 110 milhões para uma nova linha de financiamento chamada Missões Futuras a Marte.

Esse valor mantém trabalhos em sistemas de entrada, descida e pouso, além de radar, espectroscopia e outras ferramentas que podem apoiar futuras missões a Marte, inclusive eventuais tentativas de coletar as amostras armazenadas.

O orçamento total da NASA permanece próximo de US$ 24,4 bilhões, com cerca de US$ 7,25 bilhões destinados à ciência. A pesquisa espacial continua, mas a missão robótica mais ambiciosa voltada a Marte foi suspensa.

Custos elevados e cronograma estendido pesaram contra Marte

A missão de retorno de amostras de Marte sempre foi considerada ousada e dispendiosa. Análises independentes alertavam que o custo poderia alcançar entre US$ 8 e US$ 11 bilhões.

A estimativa mais recente da NASA apontava valores próximos a US$ 11 bilhões, com a chegada das amostras não prevista antes de 2040. O cronograma ampliado e os custos elevados foram centrais na decisão.

Para ter sucesso, NASA e Agência Espacial Europeia precisariam pousar próximo ao rover Perseverance, coletar mais de 30 tubos armazenados, lançá los para fora de Marte e capturar o contêiner em órbita antes do envio à Terra.

Durante grande parte de 2024, a NASA solicitou à indústria projetos mais simples, baseados em hardware comprovado em vez de sistemas totalmente novos. Ainda assim, o Congresso optou por não apoiar nem mesmo uma campanha reformulada.

Os engenheiros permanecem focados em tecnologias chave, mas a possibilidade de um retorno de amostras em larga escala a partir de Marte foi encerrada por ora.

Rochas de Jezero e sinais associados a Marte

A decisão impacta cientistas planetários porque o rover Perseverance já perfurou rochas que podem preservar indícios claros de antigos micróbios em Marte.

Na Cratera Jezero, foram identificados folhelhos argilosos salpicados e nódulos minerais ricos em minerais como vivianita e greigita. Na Terra, essas formações costumam ocorrer onde micróbios interagem com lama e água corrente.

Um núcleo da região, apelidado de Cheyava Falls, contém matéria orgânica e padrões minerais descritos por pesquisadores da NASA como possivelmente o sinal mais claro de vida já encontrado em Marte.

Os cientistas ressaltam que explicações não biológicas ainda são possíveis. A confirmação exigirá medições precisas e controles rigorosos de contaminação, possíveis apenas em laboratórios terrestres de grande escala.

Os Levantamentos Decenais das Academias Nacionais dos EUA nomearam o Retorno de Amostras de Marte como principal prioridade para exploração planetária robótica, reforçando a relevância científica do material armazenado.

China planeja retorno de Marte em 2031

Com o recuo dos Estados Unidos, a atenção se volta à China. A missão Tianwen 3 tem lançamento previsto para cerca de 2028.

O objetivo é coletar pelo menos 500 gramas de material marciano, com retorno à Terra programado para aproximadamente 2031. Se bem sucedida, a China poderá entregar amostras de Marte quase uma década antes de qualquer novo esforço dos EUA.

A sonda deverá pousar em região considerada relativamente simples e de fácil acesso, diferentemente do delta do rio explorado pelo Perseverance.

Essa escolha reduz riscos operacionais, mas pode oferecer menos oportunidades para obtenção de bioassinaturas claras. Ainda assim, o cronograma posiciona a China na dianteira do retorno de material de Marte.

Especialistas comparam essa mudança a uma renovada corrida espacial, com implicações simbólicas e estratégicas associadas à liderança na exploração de Marte.

Impactos científicos e próximos passos em Marte

As amostras armazenadas em Marte podem revelar por quanto tempo a água durou no planeta, a rapidez das mudanças climáticas e se alguma forma de vida simples chegou a se estabelecer ali.

Esses dados contribuem para compreender habitabilidade planetária, erosão atmosférica, variações de gases de efeito estufa e estabilidade climática de longo prazo.

A Missão de Retorno de Amostras de Marte também é vista como ensaio geral para exploração humana mais segura. Pousar equipamentos pesados, lançar foguete de outro mundo e conter material extraterrestre sem contaminação são habilidades essenciais.

Por enquanto, os tubos coletados pelo Perseverance permanecem na Cratera Jezero, cobertos de poeira marciana e aguardando uma carona inexistente.

A NASA continuará aprimorando tecnologias de pouso, radar e reentrada na atmosfera marciana dentro da linha de Missões Futuras a Marte.

Na prática, as rochas consideradas mais promissoras para responder à questão da vida em Marte permanecem em limbo enquanto orçamentos e decisões políticas se ajustam.

Se acabarão em laboratório em Houston, Pequim ou outro local, permanece uma incógnita. A declaração oficial foi publicada pela Câmara dos Representantes dos EUA.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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