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A música brasileira que cruzou fronteiras, rodou o mundo, ganhou versões históricas e se tornou hino do Partido Socialista francês

Publicado el 10/12/2025 a las 12:57
Actualizado el 10/12/2025 a las 13:00
Música, Música Brasileira
Imagem: Ilustração artística feita por IA
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Grammy Latino pediu mensagem especial para tributo a Celia Cruz, celebrado em 13 de novembro em Las Vegas, ressaltando o vínculo afetivo da cantora com Antônio Carlos e Jocafi e o impacto mundial de Você Abusou

No final de setembro, Antônio Carlos Pinto recebeu em seu apartamento no Rio um pedido direto da produção do Grammy Latino porque a organização preparava uma homenagem ao centenário de Celia Cruz, celebrado na cerimônia de 13 de novembro, em Las Vegas, nos Estados Unidos.

A produção queria que Antônio Carlos e Jocafi gravassem uma mensagem especial. O parceiro, porém, não pôde participar da gravação.

Essa ausência fez com que o compositor registrasse sozinho o depoimento que abriria a homenagem porque Celia mantinha grande afeto pela dupla.

Ele explicou que a cantora cubano estadunidense guardava carinho enorme por eles, algo que sempre lembrava.

A música que cruzou fronteiras

Em 1977, Celia Cruz gravou com Willie Colon a salsa Usted Abusó, adaptação de Você Abusou, lançada em 1970 pela dupla baiana. A canção seguiu viagem pelo mundo.

Além disso, ganhou versões de Ella Fitzgerald, Sérgio Mendes, Serge Gainsbourg, Vinicius de Moraes, Toquinho, Maria Creuza e outros nomes brasileiros e estrangeiros. A lista inclui Maysa, Jorge Aragão, MPB 4, Sivuca, Pauline Croze, Daniela Mercury e Diogo Nogueira.

Stevie Wonder chegou a cantarolar a música em apresentação no Rock in Rio 2011, ao lado de Gilberto Gil. A plateia acompanhou em coro.

A melodia chamou atenção por unir harmonia sofisticada com linha de baixo doce, quase um lamento. A letra brincava com simplicidade, algo raro no momento em que canções manifestos ganhavam espaço entre jovens mais intelectualizados.

Antônio Carlos contou que essa foi a única parceria em que Jocafi escreveu toda a melodia, enquanto ele criou a letra completa.

Um estranhamento inicial

Quando recebeu os versos do amigo, Jocafi reagiu mal porque achou a letra exageradamente simples. Disse que a melodia merecia texto mais elaborado.

O multiartista Edy Star interveio e mudou a percepção do compositor. Segundo ele, a letra era moderna e diferente de tudo que se produzia. A dupla concordou e seguiu com o projeto.

Produção extensa

A trajetória musical de ambos inclui 16 discos, trilhas para TV e cinema, turnês e prêmios diversos.
Eles nunca cogitaram encerrar a carreira.

As composições foram interpretadas por Orlando Silva, Luiz Gonzaga, Alcione, Emílio Santiago e outros nomes importantes. O trabalho também inspirou releituras de artistas de rap e música experimental.

Com 80 anos, Antônio Carlos celebrou o aniversário de 54 anos do álbum Mudei de Ideia, gravado em 1971, o primeiro ao lado de Jocafi, que completará 81 anos em dezembro.

Infância moldada pela música

Antônio Carlos cresceu cercado por instrumentos porque a família cultivava o hábito de tocar. Ouviu piano, acordeão e violão desde cedo.

O pai tinha costume de trazer semanalmente discos de 78 rotações com nomes como Francisco Alves, Orlando Silva e Nelson Gonçalves. O artista guarda memórias vivas desse período.

Ele viveu no Rio Vermelho, perto de Carmen Oliveira da Silva, filha de Mãe Menininha do Gantois. Carmen se tornou Mãe Carmem em 2002. O ritmo do candomblé embalava sua infância.

Jocafi, criado em Cosme de Farias, lembrou influência parecida porque o rádio marcou sua juventude. O pai, garçom em Bonfim, juntou dinheiro para comprar um aparelho.

Serviços de alto falante também eram comuns. Transmitiam músicas e recados pelas ruas.

Caminhos que se cruzam na música

Quando a dupla se conheceu, Antônio Carlos já havia participado de festivais na Bahia e no Festival da Record em 1967. A canção Festa no Terreiro de Alaketu foi defendida por Maria Creuza.

No ano seguinte, Antônio Carlos e Maria Creuza se casaram e trabalharam juntos em discos e turnês. O relacionamento durou quase duas décadas.

Jocafi era fã do parceiro desde o festival. Quem apresentou os dois foi o pianista Carlos Lacerda.

A parceria só começou em 1968, por causa do poeta Ildásio Tavares. Eles compuseram Catendê e outras músicas juntos.

Catendê chegou a ser selecionada para o Festival da Record em 1969, mas foi desclassificada por já ter competido antes. Mesmo assim, a dupla seguiu firme.

Mudança para o Rio

Depois de temporada em São Paulo, os músicos foram ao Rio de Janeiro. Ali, conheceram Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Dori Caymmi e Nelson Motta.

Nesse mesmo dia, Antônio Carlos soube da morte da mãe por um telegrama fonado. Mesmo abalado, preferiu manter o encontro porque ela apoiava sua carreira.

Nelson Motta elogiou a dupla em sua coluna televisiva. Pouco depois, eles assinaram contrato com a RCA Victor.

O primeiro disco e desafios

O primeiro compacto incluía Roberto, Não Corra, sátira ao sucesso de Roberto Carlos, e Por Causa Dela.
A participação em programa de Silvio Santos gerou tensão porque o apresentador poderia ridicularizá-los.

O crítico José Fernandes havia quebrado um disco deles ao vivo, criticando o suposto rock na canção. A dupla respondeu com humor.

A reação do público foi positiva. O diretor da gravadora foi ao Rio especialmente para conhecê-los.

Assim nasceu o álbum Mudei de Ideia, com Você Abusou e outras faixas importantes.

A disputa francesa

Depois de turnê europeia, Maria Creuza avisou sobre o sucesso de Vous Abusou na França, adaptada por Michel Fugain como Fais Comme L’oiseau. A dupla processou Fugain por plágio.

Ganhou a causa e recebeu ressarcimento financeiro. Ainda hoje, muitos franceses acham que a música é local.

Para os músicos, o sucesso mundial se explica pela raiz do samba de roda. O gênero está presente em Salvador e integra referências de candomblé e tradição afro brasileira.

Novas parcerias e futuro

A dupla segue ativa, mesmo após décadas. Passou a se dedicar mais ao violão e ao trabalho de arranjos.

Marcelo D2 regravou Kabaluere em 2003. A parceria com Russo Passapusso e o BaianaSystem ampliou as possibilidades criativas.

O álbum O Futuro Não Demora, em 2019, teve forte destaque ambiental.Depois veio Miçanga, premiado no Grammy Latino.

Em 2022, lançaram Alto da Maravilha, reconhecido pela APCA. O grupo segue lançando músicas, com Praia do Futuro entre os trabalhos recentes.

O próximo passo será uma trilogia inspirada em Jorge Amado. A dupla já explorou esse universo em álbum anterior.

No estúdio novamente

Enquanto a reportagem era concluída, Antônio Carlos respondeu por mensagem. Disse que estava no estúdio.

Ele enviou a faixa mais recente, gravada com Maria Creuza. O som mistura violão, órgão, cordas e percussão.

A música se chama Ingorossi. Antônio Carlos contou que foi a primeira que compôs na vida, agora revisitara com Jocafi.

Com informações de BBC.

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Romário Pereira de Carvalho

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