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China parte uma montanha ao meio para erguer uma ponte, encurta viagem de duas horas para dois minutos e transforma cânion esquecido em vitrine turística global

Escrito por Bruno Teles
Publicado el 30/12/2025 a las 20:51
Reportagem mostra como a China ergue a Ponte Huajiang sobre o cânion Huajiang em Guizhou, corta uma montanha, consagra a ponte mais alta do mundo e transforma um antigo gargalo em vitrine turística e logística global.
Reportagem mostra como a China ergue a Ponte Huajiang sobre o cânion Huajiang em Guizhou, corta uma montanha, consagra a ponte mais alta do mundo e transforma um antigo gargalo em vitrine turística e logística global.
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Na China, a Ponte Huajiang atravessa o cânion Huajiang em Guizhou, nasce após uma montanha partida ao meio, consolida a ponte mais alta do mundo, reduz viagem de duas horas para dois minutos e transforma antigo isolamento em vitrine turística, logística e simbólica nacional e internacional de engenharia em Guizhou

No início deste ano, a China colocou em operação a Ponte Huajiang, estrutura inaugurada a 625 metros acima do desfiladeiro e do rio, em Guizhou, e integrada à rodovia S57. A Ponte Huajiang cruza o cânion Huajiang com a ponte mais alta do mundo e reduz um trajeto que levava até duas horas por estradas de montanha a apenas dois minutos de viagem contínua.

Desde o final da década de 1990, quando o país inaugurou o aeroporto internacional de Guiyang, e ao longo de um ciclo de investimentos intensificado a partir de 2012, a China vem usando grandes obras em Guizhou para romper o isolamento de regiões montanhosas. Nesse contexto, a Ponte Huajiang se torna o símbolo mais recente da estratégia que combina infraestrutura, turismo e integração econômica em uma província com mais de 32 mil pontes em operação.

Por que Guizhou precisava da Ponte Huajiang

Reportagem mostra como a China ergue a Ponte Huajiang sobre o cânion Huajiang em Guizhou, corta uma montanha, consagra a ponte mais alta do mundo e transforma um antigo gargalo em vitrine turística e logística global.

A província de Guizhou é descrita por um ditado local que afirma que não há três pés de terreno plano, expressão que resume o relevo montanhoso e fragmentado da região.

Mais de 90 por cento do território é formado por montanhas e colinas, cenário que explica por que, historicamente, a China enfrentava grandes dificuldades para chegar e se deslocar por Guizhou, apesar da paisagem comparada à Suíça em beleza e potencial turístico.

Antes da Ponte Huajiang, quem precisava atravessar o cânion Huajiang fazia um desvio longo por estradas sinuosas, descendo e subindo encostas em curvas fechadas até alcançar o outro lado do vale.

Essa travessia podia levar até duas horas de carro e limitava o acesso de turistas, caminhões e moradores a serviços, empregos e mercados em outras partes da província.

Ao encurtar esse caminho para dois minutos, a ponte mais alta do mundo em operação altera a lógica de deslocamento cotidiano e redesenha o mapa de oportunidades de Guizhou.

Como a China partiu uma montanha ao meio para ligar a rodovia

A Ponte Huajiang é parte central da rodovia Guizhou S57, um corredor de cerca de 150 quilômetros que corta o coração da região, com 14 entroncamentos distribuídos entre o Distrito Especial de Liuzhi e o

Condado de Anlong. Para conectar essa rodovia à travessia sobre o cânion Huajiang, a China literalmente partiu uma montanha ao meio, abrindo um corte em formato de V com explosivos e perfuratrizes de grande porte, até encaixar a pista na altura adequada para alcançar a estrutura suspensa.

Esse corte em V permitiu que a plataforma da estrada chegasse diretamente ao nível de ancoragem da Ponte Huajiang, evitando rampas excessivamente inclinadas e curvas perigosas na aproximação do cânion Huajiang.

A solução integra a rodovia à ponte mais alta do mundo em um único eixo, sem que o motorista perceba, na prática, a transição entre o trecho escavado na montanha e a travessia a centenas de metros acima do vale.

O resultado é uma experiência de viagem contínua em que a engenharia esconde a complexidade do relevo sob uma superfície aparentemente simples de asfalto.

Dimensões da ponte mais alta do mundo no cânion Huajiang

Video de YouTube

Vista do rio Beipan, no fundo do cânion Huajiang, a ponte se impõe como uma espécie de linha metálica suspensa a 625 metros de altura em relação ao desfiladeiro.

A estrutura total da Ponte Huajiang se estende por 2.890 metros, com um vão principal de 1.420 metros entre as torres, o que a coloca entre as maiores pontes suspensas do planeta em extensão e a consagra como a ponte mais alta do mundo em termos de desnível até o solo.

O tabuleiro é sustentado por uma treliça de aço composta por 93 seções, com cordas e painéis que, somados, chegam a 22 mil toneladas, aproximadamente três vezes o aço utilizado na Torre Eiffel.

Para manter essa massa suspensa sobre o cânion Huajiang, os cabos principais da ponte são ancorados em rocha dura nas encostas de Guizhou, solução que permite distribuir as cargas sem comprometer a estabilidade em um terreno irregular.

Ao reunir essas dimensões, a Ponte Huajiang reforça a imagem da China como eixo mundial em obras de grande vão e consolida o título de ponte mais alta do mundo com uma escala difícil de replicar em outros países.

Torre assimétrica, ventos extremos e monitoramento em tempo real

A geologia do cânion Huajiang impediu qualquer desenho simétrico perfeito.

Por isso, a torre norte da Ponte Huajiang tem 262 metros de altura, enquanto a torre sul mede 205 metros, com ancoragens posicionadas em níveis diferentes de rocha para se adaptar às encostas de Guizhou.

Essa assimetria calculada permite que a China acomode as variações do terreno sem comprometer o desempenho estrutural da ponte mais alta do mundo em um ambiente sujeito a ventos fortes e atividade sísmica moderada.

Os engenheiros tiveram de lidar com o chamado efeito Venturi, em que o vento acelera ao passar por um gargalo, fenômeno muito presente no cânion Huajiang, onde rajadas podem atingir velocidades comparáveis às de um trem expresso.

Antes da construção, maquetes em túnel de vento e medições com LiDAR Doppler ajudaram a mapear o comportamento do ar em três dimensões, antecipando zonas de turbulência.

Após a inauguração, sensores de fibra óptica instalados dentro dos cabos permitem acompanhar em tempo real a tensão e a dilatação do aço, garantindo que a Ponte Huajiang permaneça segura mesmo na combinação de altura extrema, vento variável e pequenas oscilações sísmicas características de Guizhou.

Como a Ponte Huajiang virou vitrine turística global na China

Embora a função principal da Ponte Huajiang seja transportar veículos e encurtar o trajeto sobre o cânion Huajiang, o projeto foi desenhado desde o início para atrair visitantes do mundo inteiro.

Um elevador panorâmico de vidro com cerca de 800 metros de desnível conecta o nível da rodovia à base do cânion, enquanto uma cafeteria de dois andares instalada em uma das torres oferece vista direta para a ponte mais alta do mundo e para as encostas de Guizhou.

Na parte inferior da plataforma de estacionamento, uma passarela de vidro permite que turistas observem o cânion Huajiang sob os próprios pés, enquanto uma cascata artificial se estende por centenas de metros ao longo da estrutura, reforçando o apelo visual.

A China também reservou espaço para esportes radicais, com plataforma de bungee jump na Ponte Huajiang, planos para eventos profissionais de base jumping e estudos para instalar um centro dedicado a esportes de aventura no interior do cânion.

Ao transformar uma ligação rodoviária em destino por si só, o país busca converter infraestrutura em receita contínua de turismo e em demonstração pública de capacidade tecnológica.

Guizhou, combate à pobreza e a estratégia nacional da China

Desde 2012, a China vem destinando centenas de bilhões de dólares para desenvolver infraestrutura em províncias mais pobres e montanhosas, como Guizhou, em uma política conhecida como guerra contra a pobreza.

A multiplicação de rodovias, ferrovias de alta velocidade, barragens e pontes, entre elas a Ponte Huajiang, integra essas regiões ao restante do país e à iniciativa Um Cinturão, Uma Rota, que busca criar corredores econômicos conectando a China a vários continentes.

Ao transformar o cânion Huajiang de gargalo logístico em vitrine turística global, a ponte mais alta do mundo simboliza essa mudança de estratégia: em vez de ver Guizhou como periferia isolada, o governo tenta reposicionar a província como destino de turismo, polo logístico e vitrine de engenharia, ao mesmo tempo em que melhora o acesso de comunidades locais a mercados, empregos e serviços públicos.

Se a combinação de recordes de altura, corte de montanha e corredores rodoviários será suficiente para reduzir de forma duradoura a desigualdade regional ainda é uma dúvida central no debate interno chinês.

Depois de conhecer os números e a engenharia da Ponte Huajiang, você atravessaria essa obra na China apenas como motorista em dois minutos ou encararia o elevador de vidro, a passarela transparente e até um salto de bungee jump sobre o cânion Huajiang?

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Maria
Maria
03/01/2026 12:11

Ótimo para desgraçar cada vez mais a natureza.

Gilberto
Gilberto
02/01/2026 13:37

Na China eles abrem rodovias no meio de florestas e montanhas, é um dos paises que mais desmatam e um dos mais poluentes do mundo e os almbientalistas como greta «tumba» se calam, pq la tem soberania e nao essa nossa soberania que so grita quando é ruim para os ambientalistas e bom para o país. No Brasil o desgoverno abre uma estrada inteira no meio da floresta amazônica para um evento sobre desmatamento e meio ambiente e «todes» ficam quietos. Mas o agro não pode fazer uma rua para o escoamento da safra que os ambientalistas de plantão abrem processos e mais processos contra. A ferrograo foi proibida pq dizem que vai prejudicar o meio ambiente.

Silva
Silva
Em resposta a  Gilberto
02/01/2026 17:38

Só falou besteira.

Ilton
Ilton
Em resposta a  Gilberto
02/01/2026 19:52

Comentário recheado de fake News, ódio e alienação!

Ismael
Ismael
Em resposta a  Ilton
04/01/2026 05:46

Qual foi a mentira que ele disse no comentário, aproveita e explica pra nós tbm onde está o ódio e o que significa a palavra ódio que boa parte das pessoas no Brasil adoram repetir igual papagaio, retirando qualquer assunto do contexto só para utilizar como xingamento ou desqualificação do argumento. Procure a definição de ódio no dicionário e analise se ela se encaixa no comentário do cidadão acima. Brasileiro fica repetindo as coisas que ouve igual r3t4rd4do.

Última edição em 2 meses atrás por Ismael
Kiko Saloca
Kiko Saloca
Em resposta a  Gilberto
04/01/2026 08:52

Vc está certíssimo. A grande diferença não é só a soberania, mas também a questão que os planos de governo são de longo prazo. A China bebe do capitalismo mas não se entrega ao capitalismo financeiro. Eles estão trabalhando, transformando o país, se desenvolvendo, evoluindo e nós, cheios de polarização e falta de conhecimento, ficamos apenas fazendo bravatas e votando nós corruptos e **** que nos governam. Colocamos palhaços analfabetos no poder, porque achamos engraçado ver o cara dizer «pior que está não fica» e enquanto isso nossa população só empobrece e emburrece. Não temos um plano de desenvolvimento, nossas escolas são muito atrasadas, a concentração de renda muito desequilibrada e isso só piora. Enquanto isso os **** de plantão soltam suas máximas, tiradas das mídias sociais, falando sobre desmatamento, ódio, Fake News, sem nem exatamente saber o que estão falando. Se duvidar estes mesmos **** não sabem nem o de fica a China se mostrar o globo terrestre (isso se não for um terraplanista ainda).
Enfim… Nosso país só vai mudar quando as pessoas pararem de se preocupar com **** e começarem a olhar para a própria situação e tentarem fazer algo para mudar. Continua votando no Lula e no Bolsonaro pra vcs verem aonde podemos chegar. Ainda dá pra piorar meu povo.
Parabéns pelo comentário meu querido.

Salete
Salete
01/01/2026 13:39

Se fosse aqui, o meio ambiente não iria aprovar. Enquanto isso, a China se estrutura e se desenvolve e domina o mundo. Por aqui, com enes auxílios e nem um centavo em estruturas, logo acaba a galinha dos ovos de ouro.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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