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A última ilha prisão da Europa, vira cadeia paradisíaca onde 90 detentos fazem vinho, cuidam de animais, andam sem algemas, vigiados por guardas desarmados, sentem quase liberdade, mas seguem presos longe da vida real

Escrito por Bruno Teles
Publicado el 17/12/2025 a las 12:04
Na última ilha prisão da Europa, Gorgona opera como colônia penal agrícola com guardas desarmados e rotina de prisão aberta voltada à ressocialização.
Na última ilha prisão da Europa, Gorgona opera como colônia penal agrícola com guardas desarmados e rotina de prisão aberta voltada à ressocialização.
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Na última ilha prisão da Europa, Gorgona abriga 90 detentos em colônia penal agrícola com trabalho em vinhedos e fazenda, guardas desarmados, rotina de prisão aberta, poucas tentativas de fuga e programa de ressocialização que tenta reduzir reincidência e contrastar o drama das prisões italianas superlotadas com registros de suicídio

Em 2024, 91 detentos cometeram suicídio nas prisões italianas superlotadas e marcadas por condições precárias de detenção. Nesse cenário extremo, a última ilha prisão da Europa surge como exceção radical, com 90 presos vivendo em Gorgona, no Arquipélago Toscano, em um regime que combina isolamento geográfico, trabalho agrícola e vigilância feita por guardas desarmados.

Gorgona é a menor ilha do Arquipélago Toscano, com pouco mais de 2 quilômetros de comprimento e 1,5 de largura. Ali funciona uma colônia penal agrícola onde todos os detentos trabalham, a estrutura é praticamente autossuficiente e a lógica de controle se aproxima de uma prisão aberta, com circulação diurna relativamente livre, regras rígidas de convivência e tranca apenas à noite, mas sempre sob a lembrança de que se trata de uma prisão de verdade.

Chegada à ilha e ruptura simbólica com as algemas

Na última ilha prisão da Europa, Gorgona opera como colônia penal agrícola com guardas desarmados e rotina de prisão aberta voltada à ressocialização.

A travessia começa no barco que leva servidores, detentos e visitantes ao pequeno porto da ilha. Ao desembarcar, a primeira marca do regime diferente aparece: as algemas desaparecem.

Em vez do barulho constante de chaves e portas metálicas, tão presente nas prisões do continente, o cotidiano em Gorgona se organiza em torno de deslocamentos mais livres e de ordens diretas.

Guardas e presos circulam pelos mesmos caminhos, conversam e trocam orientações de trabalho.

A relação, segundo os agentes, é baseada no respeito e na confiança, não em intimidade.

O lembrete oficial, repetido por servidores e internos, é simples e direto: por mais bonito que seja o cenário, com mar azul e paisagem toscana, ainda se trata de uma prisão com regras rígidas e penas longas a cumprir.

Vida em Gorgona: colônia penal agrícola e trabalho obrigatório

Na última ilha prisão da Europa, Gorgona opera como colônia penal agrícola com guardas desarmados e rotina de prisão aberta voltada à ressocialização.

Gorgona é descrita como uma das últimas colônias penais da Europa.

Todos os 90 detentos trabalham em alguma atividade ligada à colônia penal agrícola: vinhedos, criação de animais, manutenção de instalações ou serviços internos.

A ilha é apresentada como autossuficiente, com produção própria e rotina de trabalho que organiza o dia dos presos.

Piero, um dos internos, passou cinco anos e meio em duas prisões fechadas antes de ser transferido. Condenado a 20 anos de prisão, está há cerca de dois anos e meio na ilha.

Ele compara o passado e o presente: em outras unidades, dezenas de portas precisavam ser abertas e fechadas até chegar ao pátio; em Gorgona, ele relata que ouve dos agentes “vá você mesmo até a administração”, imagem que sintetiza o grau de circulação permitido na última ilha prisão da Europa.

Vinhos de Gorgona e o trabalho que paga salário

Video de YouTube

Enquanto cumpre pena, Piero trabalha no projeto de vinhos Gorgona, parceria com a vinícola Frescobalde.

Ele recebe um salário fixo pelo trabalho, como os demais presos que integram a cadeia produtiva da ilha, e participa do processo que vai do cuidado com as videiras até a adega.

A produção carrega o nome da ilha e virou símbolo do modelo de ressocialização adotado ali.

O dia é marcado por pausas definidas: os detentos param para o almoço e depois retornam à adega, aos campos ou aos galpões.

Os alojamentos ficam em prédios simples, compartilhados, que funcionam como moradia e reforçam a ideia de comunidade de trabalho, não de cela isolada.

Assassinos, ladrões, traficantes de drogas e outros criminosos considerados perigosos cumprem suas penas nesse ambiente de colônia penal agrícola, sob observação constante.

Guardas desarmados, confiança e seleção rígida dos presos

Um dos elementos mais incomuns do modelo é a presença de 24 guardas desarmados para vigiar a ilha.

Nenhum agente porta arma de fogo no dia a dia, o que altera completamente a dinâmica de poder dentro da prisão.

A vigilância é feita por proximidade, observação contínua e aplicação de regras disciplinares em vez de força armada ostensiva.

A seleção dos presos que podem ir para Gorgona é descrita como rigorosa.

Só chegam à última ilha prisão da Europa detentos considerados capazes de viver em ambiente de alta confiança, sem dependência ativa de drogas e sem histórico recente de violência descontrolada.

Penas longas não são impeditivo; ao contrário, facilitam a permanência, porque o sistema entende que esses internos têm mais tempo para investir na ressocialização.

A taxa de reincidência, segundo a direção, é muito baixa em comparação com o restante do sistema.

Jovem de 23 anos, rotina com animais e treinamento profissional

Vacar, com 23 anos, é apresentado como o prisioneiro mais jovem de Gorgona.

Há nove meses ele cuida dos animais da ilha. Todas as manhãs, a primeira tarefa é alimentar cabras, ovelhas e vacas, priorizando os bichos doentes, como uma vaca sob atenção especial.

A rotina exige disciplina, responsabilidade e acompanhamento diário dos rebanhos.

Quem chega à ilha inicia algum tipo de treinamento profissional.

A meta é que o detento recupere a autoconfiança e reassuma responsabilidades sociais básicas. Vacar afirma gostar do trabalho e diz que pretende mantê-lo do primeiro ao último dia na ilha.

Ele projeta o futuro fora da prisão aberta de Gorgona ao dizer que, quando for libertado, quer se tornar ferreiro, sinal de que o modelo tenta construir um caminho concreto pós-pena.

Prisão aberta, lazer controlado e tranca apenas à noite

Depois do expediente, os homens decidem como ocupar o tempo livre.

Eles podem tocar instrumentos, ir à academia ou jogar pebolim, sempre sob supervisão, mas com liberdade de escolha sobre as atividades.

Essa flexibilidade contrasta com o vazio típico de instituições fechadas, onde não há tarefas significativas e o tempo tende a “parar”, como relatam os próprios internos.

Na prática, Gorgona funciona como uma espécie de prisão aberta de alta vigilância, na qual os presos só são trancados à noite.

Durante o dia, circulam entre trabalho, refeitório, áreas comuns e espaços de lazer. Para quem viveu anos em presídios tradicionais, o contraste é absoluto.

Muitos descrevem a ilha como “um mundo completamente diferente” em relação às prisões italianas superlotadas.

Superlotação, suicídios e o contraste com o sistema italiano

Enquanto a última ilha prisão da Europa se tornou caso raro de regime mais humano, as prisões italianas no continente enfrentam superlotação e condições de detenção consideradas precárias.

Em 2024, 91 detentos cometeram suicídio em unidades espalhadas pelo país, um número que acende alertas sobre saúde mental, violência e abandono institucional.

Em Gorgona, não há como comparar, dizem internos e servidores.

A combinação de trabalho obrigatório, contato constante com natureza e animais, presença de guardas desarmados e sensação de quase liberdade durante o dia cria uma realidade paralela.

Alguns defendem que deveriam existir mais lugares como a ilha, com foco em ressocialização prática, em vez de apenas punição e confinamento.

Liberdade adiada e a ilha como primeiro passo para o futuro

Apesar do cenário que muitos descrevem como paradisíaco, Gorgona continua sendo uma prisão.

Os presos lembram o tempo todo que estão longe da vida real.

Não podem sair da ilha, dependem de autorizações para qualquer contato com o exterior e carregam penas longas. O mar que cerca a última ilha prisão da Europa funciona como muralha natural e psicológica.

Por mais bela que seja a paisagem, quem está ali sente falta daquilo que considera mais importante: a liberdade.

Gorgona é chamada de “ilha dos prisioneiros” e, para alguns, representa o primeiro passo para o futuro, seja na forma de uma profissão aprendida nos vinhedos e na fazenda, seja pela chance de provar que podem viver em um regime de confiança e responsabilidade antes de voltar definitivamente à sociedade.

Você acha que o modelo da última ilha prisão da Europa, com colônia penal agrícola, guardas desarmados e rotina de prisão aberta, poderia funcionar em outros países como alternativa às prisões superlotadas?

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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