Unicamp lança o supercomputador Abaporu, tecnologia de ponta para pesquisas que unem IA e engenharia de petróleo, acelerando inovações no pré-sal em parceria com a Shell Brasil.
A busca por novas soluções para os desafios do petróleo no pré-sal ganhou força com a inauguração do supercomputador Abaporu, apresentado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
O equipamento, instalado no data center do Instituto de Computação (IC), será o núcleo de novos projetos que combinam inteligência artificial, engenharia e grandes volumes de dados. Segundo a universidade, o sistema atende inicialmente às pesquisas desenvolvidas em parceria com a Shell Brasil, reforçando um elo científico que já dura mais de seis anos.
Supercomputador Abaporu: alto desempenho e investimento de US$ 1 milhão
O novo cluster do Recod.ai — laboratório de IA do Instituto de Computação — chegou à Unicamp após um investimento de cerca de US$ 1 milhão. Os recursos foram disponibilizados pela Shell Brasil por meio da cláusula de PD&I da ANP, dentro das iniciativas do Centro de Estudos de Energia e Petróleo (Cepetro/Unicamp).
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Batizado de Abaporu, em referência à obra modernista de Tarsila do Amaral e reinterpretado como “devorador de dados”, o sistema reúne 28 placas gráficas NVIDIA H200 e L40s, consideradas as mais velozes do mercado para aplicações avançadas de IA.
O professor Anderson Rocha, coordenador do Recod.ai e líder da iniciativa, avaliou que “o Abaporu deve ser hoje o maior cluster de inteligência artificial da Unicamp, e um dos mais robustos dedicados à pesquisa universitária no país”.
Parceria com a Shell e foco em inovação elevam o patamar da pesquisa em petróleo
A presença da Shell Brasil é central para o avanço desse ecossistema tecnológico. De acordo com a empresa, a área de P&D busca acelerar a adoção de tecnologias emergentes e promover a digitalização da indústria de energia. Na visão do diretor-geral de Tecnologia da Shell Brasil, Olivier Wambersie, “projetos como esse ampliam nossa capacidade de impulsionar a digitalização, aplicar inteligência artificial a desafios complexos da indústria de energia, integrando ciência, dados e inovação com impacto positivo nos negócios”.
Esse esforço conjunto impulsiona um novo ciclo de pesquisa que segue até 2028. Durante esse período, Recod.ai e Shell avançam no desenvolvimento de modelos generativos aplicados à simulação e ao gerenciamento de reservatórios de petróleo, especialmente no contexto do pré-sal.
IA generativa no pré-sal: conversas com reservatórios e decisões mais rápidas
A Unicamp explica que os modelos generativos em produção permitirão que engenheiros interajam com simuladores de petróleo usando linguagem natural. Assim, comandos técnicos e parametrizados serão substituídos por instruções conversacionais.
O professor Anderson Rocha destacou que o objetivo é criar uma interface direta entre o especialista e o reservatório. Nas palavras dele, “hoje, para realizar uma simulação de produção, é preciso dominar inúmeros parâmetros e escrever scripts extensos”.
Com a IA generativa, entretanto, esse processo se torna mais intuitivo. O conceito de inteligência aumentada reduz a fricção entre o usuário e o sistema. A interação passa a ocorrer em fluxo natural, tornando as tarefas mais rápidas e acessíveis.
Rocha exemplifica esse avanço: um engenheiro poderá pedir “simule os próximos 12 anos de produção do campo X, considerando os poços Y e Z e variação de injeção de água”, e o sistema converterá automaticamente esse comando para formatos técnicos, acionando os simuladores tradicionais. Se houver lacunas, a própria IA fará perguntas adicionais, como “qual regime de injeção deve ser adotado?”.
Essa abordagem cria um ambiente conversacional dinâmico, no qual o sistema guia o especialista ao longo do processo.
Análise massiva de dados para apoiar decisões no pré-sal
Além de transformar a interação humana com sistemas complexos, os algoritmos em desenvolvimento têm capacidade de integrar dados sísmicos, geológicos e de produção em escala ampla. A identificação de padrões e anomalias, muitas vezes imperceptíveis ao olho humano, passa a acontecer quase em tempo real.
Esse potencial amplia a precisão na definição de estratégias de injeção e extração, melhora a previsão do desempenho de poços e contribui diretamente para desafios típicos do pré-sal. Em um setor em que decisões precisam ser rápidas e baseadas em múltiplas variáveis, o uso de IA deve elevar substancialmente a eficiência operacional.
Lançamento reúne autoridades acadêmicas e executivos do setor de energia
A cerimônia de inauguração ocorreu em 3 de novembro e contou com a presença de Olivier Wambersie, além de outros executivos da Shell Brasil. Representando a Unicamp, participaram o professor Anderson Rocha, a pró-reitora de Pesquisa Ana Maria Frattini Fileti, a vice-diretora do Cepetro Alessandra Davólio Gomes e o professor Denis José Schiozer, coordenador do grupo Unisim, especializado em simulação e gerenciamento de reservatórios.
A equipe envolvida nos projetos soma ao menos 35 integrantes, entre pesquisadores, doutorandos, pós-doutorandos e programadores, reforçando o caráter colaborativo da iniciativa.
Enquanto isso, o setor de tecnologia nacional acompanha outro movimento relevante: a OpenAI condicionou um investimento de US$ 5 bilhões no Brasil a mudanças na legislação de direitos autorais, conforme informou o Cointelegraph Brasil.

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