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Abelhas sem ferrão turbinam lavouras, aumentam em até 30% a produção de café, soja e frutas, rendem R$ 900 milhões por ano e ainda viram aliadas de idosos em asilos do interior paulista no Brasil

Publicado em 23/12/2025 às 17:52
Abelhas impulsionam polinização, elevam produção de mel, fortalecem lavoura de café e movimentam o interior paulista com ganhos para a economia rural.
Abelhas impulsionam polinização, elevam produção de mel, fortalecem lavoura de café e movimentam o interior paulista com ganhos para a economia rural.
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Enquanto abelhas sem ferrão ajudam a aumentar em até 30 por cento a produção de café, soja e frutas, a apicultura movimenta cerca de 900 milhões de reais por ano e ganha espaço em asilos e políticas públicas no interior paulista, com apoio de produtores, pesquisadores e ações da prefeitura.

Em 2024, dados do IBGE e do Ministério da Agricultura apontam que a produção de mel no Brasil chegou a 64 toneladas e movimentou cerca de 900 milhões de reais na economia, resultado direto do trabalho silencioso das abelhas em diferentes regiões do país. Muito além dos potes de mel nas prateleiras, esses insetos garantem a polinização de lavouras inteiras e ajudam a segurar a renda de agricultores que dependem de cada saco colhido.

No interior de São Paulo, esse potencial aparece de forma ainda mais concreta. Em São José do Rio Preto, políticas municipais de incentivo à atividade abriram espaço para projetos que colocam abelhas sem ferrão dentro de asilos, aproximam idosos da natureza e, ao mesmo tempo, fortalecem a produção agrícola em propriedades rurais da região.

Abelhas sem ferrão ganham casa em asilo e viram terapia viva

O criador Davi montou caixas de abelhas sem ferrão dentro de um asilo em São José do Rio Preto, transformando um espaço urbano em abrigo para colônias que antes só apareciam no campo.

Segundo ele, os enxames não oferecem risco aos moradores, justamente porque essas abelhas não possuem ferrão, o que permite a convivência segura com os idosos.

A ideia começou por causa de um morador centenário, apaixonado por abelhas desde a juventude. Davi levou uma caixa, depois outra, e o projeto cresceu.

O idoso pôde rever de perto as abelhas que conhecia da natureza, agora organizadas em colmeias manejadas, até completar mais de 100 anos.

Para a instituição, a criação virou uma espécie de terapia viva, que traz movimento ao pátio e estimula a curiosidade de quem vive ali.

Abelhas fortalecem lavouras e aumentam colheitas em até 30 por cento

Além do asilo, Davi mantém criação de abelhas em uma propriedade rural. Ele relata que, quando apicultores colocavam caixas nas lavouras, havia uma combinação com os produtores para evitar o uso de inseticidas na época da polinização, preservando os enxames e garantindo um serviço ambiental essencial.

Com a presença intensa das abelhas na área de cultivo, a diferença aparecia na colheita. A média de produtividade da fazenda ficava de 20 a 30 por cento acima dos demais produtores da região que cultivavam o mesmo produto, mas sem o mesmo manejo de polinização.

Esse ganho, obtido apenas com a presença das abelhas, significa mais sacas por hectare, mais faturamento e menos desperdício de potencial da planta.

Resgate de abelhas vira negócio, parceria com bombeiros e proteção ambiental

Outro criador, Rafael, construiu uma atividade focada no resgate de abelhas. Ele retira colmeias de casas, prédios, árvores removidas pela prefeitura e outros locais onde os enxames não são bem-vindos, levando as colônias para caixas adequadas e áreas seguras de manejo.

A ideia começou quando ele encontrou um enxame exposto após a passagem de um caminhão em uma estrada de chácara. Com uma caixa simples, fez o primeiro resgate e percebeu que não havia ninguém na cidade especializado nesse tipo de serviço.

A partir daí, firmou parcerias com Corpo de Bombeiros, prefeitura, zoológico e órgãos ambientais. Hoje, sempre que há árvores derrubadas ou necessidade de remoção, ele é chamado para salvar as abelhas, que já aparecem em listas de espécies ameaçadas.

O mel, afirma, vem depois, quase como consequência de um trabalho que prioriza polinização e preservação.

Abelhas sustentam 76 por cento das plantas usadas na alimentação

De acordo com levantamento do Ministério da Agricultura e Pecuária citado na reportagem, cerca de 76 por cento das plantas que produzem alimentos no Brasil dependem da polinização de animais, especialmente as abelhas. Sem essa ajuda, a produção de diversos cultivos desaba ou se torna economicamente inviável.

Pesquisadores explicam que há três grandes grupos de plantas.

O primeiro é o das culturas dependentes das abelhas, em que, sem esses insetos, quase não há produção.

É o caso do melão, do maracujá e da maçã produzida na região Sul, culturas em que a ausência de abelhas derrubaria a colheita a níveis tão baixos que não compensaria investir na lavoura.

O segundo grupo reúne culturas beneficiadas pela presença de abelhas. Mesmo que produzam sozinhas, a produtividade aumenta de forma relevante quando há polinização intensa.

Nesse bloco entram café, citrus e soja, que hoje são alguns dos pilares do agronegócio brasileiro.

Quem não gostaria de 30 por cento a mais de grãos ou frutos apenas com manejo adequado de abelhas na propriedade.

Mercado do mel cresce com abelhas e ainda tem espaço para expandir no Brasil

A pesquisadora lembra ainda que o impacto das abelhas não se limita à polinização. A cadeia do mel movimenta valores robustos e segue com espaço para expansão.

Segundo o IBGE, a produção de mel no Brasil chegou a 64 toneladas em 2024, movimentando cerca de 900 milhões de reais. O estado de São Paulo aparece como o sexto maior produtor do país.

Há desde pequenos apicultores, que tiram o mel e vendem diretamente na cidade, até grandes cooperativas e produtores que exportam com certificação e controle de qualidade.

Graças à diversidade de plantas da flora brasileira, o mel nacional é considerado de alta qualidade nutricional quando comparado a outros ofertados no mercado internacional, o que abre portas e agrega valor ao produto vindo das colmeias.

Outro ponto destacado é o hábito do consumidor. No Brasil, muita gente ainda enxerga o mel quase como remédio, consumindo apenas quando está gripado ou com dor de garganta.

Para especialistas, isso é um desperdício, já que o mel é um alimento completo e, em vários países, faz parte da rotina diária, e não apenas de momentos de doença. Ampliar o consumo interno significa fortalecer ainda mais o trabalho dos criadores de abelhas.

Manejo de abelhas exige técnica, paciência e cuidado constante

Quem olha de fora pode achar que é simples manter algumas caixas no quintal, mas o manejo de abelhas exige conhecimento e rotina.

Produtores relatam que há técnicas específicas para multiplicar enxames, manter as colônias fortes e garantir que elas continuem se reproduzindo e ocupando a paisagem rural de forma saudável.

O objetivo é sempre manter as abelhas em um patamar de força que permita tanto a produção de mel quanto a liberação natural de novos enxames na natureza, reforçando a população desses insetos.

Em troca, as lavouras recebem um serviço de polinização que nenhuma máquina é capaz de imitar, e os idosos em instituições de longa permanência ganham companhia viva, curiosa e silenciosa dentro do próprio quintal.

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E você, imaginava que tantas abelhas estão por trás da comida que chega à sua mesa e da renda de milhares de famílias no campo?

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Fonte
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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