Técnico em eletromecânica cria aquecedor solar com garrafas PET que funciona há mais de 20 anos e já beneficiou 7 mil famílias no Brasil
Inconformado com o descarte inadequado de resíduos, o técnico em eletromecânica aposentado José Alcino Alano, de Tubarão (SC), desenvolveu em 2002 um aquecedor solar caseiro com garrafas PET e caixas longa vida que funciona até hoje. O sistema nasceu da dificuldade em descartar corretamente o lixo reciclável acumulado em casa e da ausência de infraestrutura de reciclagem no município.
Sem querer jogar fora as garrafas PET e embalagens consumidas pela família, Alano e sua esposa Elizete criaram um protótipo utilizando 100 garrafas PET, 100 caixas Tetra Pak de um litro e tubos de PVC. O equipamento continua em operação há mais de duas décadas, comprovando a durabilidade da tecnologia social que recebeu o Prêmio Super Ecologia 2004 da revista Superinteressante.
Sistema de termo-sifão substitui painéis solares convencionais por apenas R$ 83
O aquecedor solar com garrafas PET funciona pelo princípio do termo-sifão, o mesmo utilizado em sistemas solares comerciais que custam milhares de reais. A diferença está nos materiais utilizados.
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Enquanto coletores industrializados utilizam tubos de cobre, estruturas metálicas e vidro temperado, o modelo de Alano emprega garrafas PET transparentes, embalagens longa vida pintadas de preto fosco e tubos de PVC. As garrafas criam um efeito estufa simplificado, retendo calor. Já as embalagens pintadas absorvem radiação solar e transferem o calor para a água que circula pelas colunas de PVC.
O custo da primeira instalação, em 2002, foi de apenas R$ 83, tornando o aquecedor solar acessível para famílias de baixa renda.
Sistema aquece até 250 litros de água e alcança 52°C no verão
O modelo padrão desenvolvido por Alano utiliza 240 garrafas PET de 2 litros e 200 embalagens longa vida, formando área de absorção térmica de aproximadamente 1,80 m².

Com cerca de seis horas de sol, a água armazenada em caixa de 250 litros pode atingir até 52°C no verão, sendo necessário misturá-la com água fria para uso. No inverno, mesmo com temperaturas iniciais entre 13°C e 16°C, o sistema pode aquecer até 38°C em dias ensolarados.
O equipamento atende confortavelmente uma família de quatro pessoas, garantindo água quente ao longo do dia. A vida útil média do sistema é de seis anos, e mesmo em dias nublados ainda mantém aquecimento parcial, perdendo cerca de um grau por hora sem incidência solar direta.
Reconhecimento nacional impulsiona parcerias com governos estaduais
Em 2004, o projeto conquistou o Prêmio Super Ecologia, abrindo portas para parcerias com órgãos públicos. A Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina) firmou convênio de cooperação técnica para ampliar a disseminação da tecnologia.
O governo de Santa Catarina adotou o programa “Água quente combina com economia e preservação ambiental”. No Paraná, a iniciativa ganhou o nome “Água Quente para Todos”, coordenado pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente.
Até 2011, apenas no Paraná foram instalados mais de 6 mil aquecedores solares com garrafas PET em comunidades de baixa renda. Oficinas de capacitação foram criadas para formar multiplicadores da tecnologia em cinco estados brasileiros.
Manual gratuito impede exploração comercial indevida
Alano registrou a invenção no INPI com objetivo estratégico: impedir uso político, evitar industrialização comercial indevida e garantir que o sistema permanecesse disponível gratuitamente para autoconstrução.
Em 2004, foram distribuídos 500 mil manuais gratuitos ensinando passo a passo como montar o aquecedor solar. Hoje existem publicações técnicas elaboradas pela Celesc e pelo governo do Paraná com orientações detalhadas sobre dimensionamento, posicionamento solar e instalação correta.
Qualquer pessoa pode aprender a construir o sistema sem pagar royalties, mantendo o caráter filantrópico do projeto.
Economia de até 40% na conta de luz
Em residências onde o chuveiro elétrico representa grande parte do consumo energético, a instalação do aquecedor solar pode reduzir em até 40% a conta de luz, chegando a economizar cerca de 120 kWh por mês.
Segundo dados do setor elétrico, o chuveiro elétrico responde por aproximadamente 25% do consumo residencial. A redução impacta diretamente o orçamento familiar e também diminui a sobrecarga no sistema elétrico nos horários de pico, entre 17h e 20h30.
Impacto ambiental: milhões de embalagens reaproveitadas
Com os 6 mil sistemas instalados no Paraná, estima-se que foram reaproveitadas 1,2 milhão de garrafas PET e quase 1,5 milhão de embalagens longa vida, evitando descarte em aterros.
O maior sistema construído foi instalado no alojamento da 15ª Companhia de Engenharia de Combate do Exército no Paraná, aquecendo 8 mil litros de água por dia e reutilizando aproximadamente 1.700 garrafas apenas nessa unidade.
Capacitação de jovens amplia tecnologia social
Em 2021, a Secretaria do Meio Ambiente do Paraná firmou parceria com a União dos Escoteiros do Brasil para capacitar 4.800 jovens na montagem do aquecedor solar com garrafas PET.
A iniciativa criou rede de multiplicadores que ensinam a tecnologia em comunidades, fortalecendo educação ambiental e eficiência energética.
Projeto Banho de Energia atende regiões frias
Em 2011, parceria entre Celesc, Epagri e Fundo de Desenvolvimento Rural criou o projeto Banho de Energia, direcionado às regiões serranas de Santa Catarina.

Foram instalados 200 sistemas em 34 municípios, com subsídio de 80% do custo pela Celesc e financiamento do restante pelo FDR. Em 2014, nova etapa investiu R$ 7,2 milhões para instalar mil sistemas complementares de recuperação de calor de fogão à lenha.
A tecnologia foi implementada em Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Também foi adotada por universidades, creches, associações comunitárias e até oficinas profissionalizantes.
O projeto se tornou referência de tecnologia social de baixo custo, integrando eficiência energética, reaproveitamento de resíduos e geração de renda para cooperativas de reciclagem.
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