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Milho ao entardecer e silêncio no quintal: agricultor transforma antiga caça em convivência diária com jacus no Alto Vale do Itajaí

Escrito por Caio Aviz
Publicado el 13/01/2026 a las 11:49
Agricultor de Rio do Sul espalha milho no quintal enquanto jacus se aproximam para se alimentar no Alto Vale do Itajaí.
Seu Paulo distribui milho no quintal de sua propriedade em Rio do Sul, atraindo jacus que se aproximam diariamente ao entardecer.
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Em Rio do Sul, no interior de Santa Catarina, um agricultor aposentado mantém há mais de 30 anos uma rotina que reúne dezenas de aves silvestres ao cair da tarde e revela como uma decisão familiar mudou sua relação com a natureza

O fim de tarde chega, e a cena se repete com precisão. Em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí, seu Paulo espalha milho na beira do mato. Pouco depois, os primeiros jacus aparecem. Em seguida, outros surgem de todos os lados, até que o quintal se encha de aves. Enquanto isso, o agricultor aposentado e a esposa, dona Inês, sentam e observam, ainda admirados, uma rotina que não perdeu o encanto mesmo após mais de três décadas.

A informação integra reportagem exibida na televisão regional de Santa Catarina, baseada em acompanhamento direto da rotina do casal e na observação do comportamento das aves ao longo do ano.

A cena diária que começa no entardecer e se repete há décadas

Todos os dias, sempre no mesmo horário, o milho espalhado no chão funciona como um convite silencioso. Os jacus se aproximam aos poucos. Alguns caminham com cautela. Outros já chegam confiantes. O barulho aumenta à medida que o número de aves cresce. Mesmo assim, para seu Paulo e dona Inês, o momento continua especial.

A convivência atual, porém, nem sempre existiu. Seu Paulo relembra que, em um período anterior, caçava jacus e inhambus para alimentar a família, quando a prática ainda era permitida. Na época, a carne era dividida em pequenas porções entre ele, a esposa e os filhos.

O dia em que a caça terminou e a decisão mudou tudo

A mudança aconteceu após um episódio marcante, ainda na década de 1990. Em casa, a filha pediu para ver o pássaro que havia sido abatido. Ao perceber que o animal havia falecido, a criança chorou. A reação emocionou o agricultor.

Pouco tempo depois, seu Paulo subiu novamente a serra. Durante a caminhada, encontrou um casal de inhambus se aproximando. Naquele momento, ele refletiu e decidiu não fazer nada. Pediu perdão pelos outros pássaros e fez uma promessa pessoal: nunca mais caçar aves. Desde então, ele mantém essa decisão sem exceções.

Do abandono da caça ao início do cuidado diário

A partir dessa escolha, seu Paulo passou a alimentar os jacus. No começo, apenas um casal aparecia. Com o passar dos anos, outros começaram a surgir, principalmente no início do inverno, quando o alimento natural no mato se torna mais escasso.

Segundo ele, após o período de reprodução, os casais mais antigos sobem nas árvores e vocalizam, chamando outros grupos. Assim, ano após ano, o número de aves aumentou. Hoje, dezenas aparecem diariamente ao entardecer.

Milho plantado à mão e compromisso mantido até setembro

Para sustentar a rotina, seu Paulo planta o milho, colhe tudo manualmente e debulha os grãos. A cada dois dias, um saco de milho é consumido pelas aves. O trato começa em maio e segue até setembro, período em que a oferta de alimento na mata diminui.

Quando a fome aperta, os jacus se aproximam ainda mais da casa. Os netos, inclusive, deram apelidos às aves, chamando-as de “galinhas pretas”. Embora o barulho nem sempre agrade a todos, o agricultor garante que continuará enquanto estiver vivo.

Uma rotina simples que vira legado silencioso

Seu Paulo acredita que, quando não puder mais alimentar os jacus, a família sentirá falta deles. Para ele, cuidar das aves representa uma forma de devolver à natureza aquilo que um dia foi retirado.

Histórias como essa, recorrentes em áreas rurais de Santa Catarina, reforçam debates sobre convivência entre seres humanos e fauna silvestre, frequentemente abordados por órgãos ambientais estaduais e reportagens locais.

Diante de uma rotina mantida por mais de 30 anos, em que momento uma escolha simples deixa de ser apenas hábito e passa a se tornar um legado para quem permanece?

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Celso Fernandez
Celso Fernandez
16/01/2026 08:07

Vai acabar sendo multado por algum órgão ambiental.

Arminda Pereira
Arminda Pereira
16/01/2026 00:10

Muito lindo! Fiquei emocionada pois amo todas as espécies e sou vegetariana desde criança. Que Deus abençoe sr Paulo com muita vida e saúde.

Sandra
Sandra
15/01/2026 21:05

Toda vida é sagrada, a dos animais também. Por isso veganos não se alimentam dos cadáveres de animais. Que bom que o Sr. Paulo entendeu isso.

Natan
Natan
Em resposta a  Sandra
16/01/2026 15:14

Sagrada por quem? Ahh vá.. devemos cuidar e respeitar sim, mas não tem nada dessa bobagem de sagrado. Gatos matam bilhões de aves, répteis e pequenos roedores ameaçados de extinção todos os dias.. mas não vejo uma alma viva criticando. É a natureza, nós também nos alimentamos de carne. Mas com cuidado e respeito, não precisa endeusar

Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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