Agricultores dos EUA usam urina como fertilizante em projeto ambiental inovador: Iniciativa do Rich Earth Institute envolve mais de 250 moradores e promove a reciclagem de nutrientes para impulsionar a produção agrícola sustentável.
No estado de Vermont, nos Estados Unidos (EUA), um projeto pioneiro tem chamado atenção pela inovação e impacto ambiental positivo: agricultores usam xixi como fertilizante para aumentar a produção agrícola. A iniciativa, liderada pelo Instituto Terra Rica (Rich Earth Institute), já envolve mais de 250 moradores do condado de Windham, que doam voluntariamente sua urina para ser utilizada em plantações locais.
Betsy Williams, uma das participantes do programa, afirma que a ideia de reciclar nutrientes que saem do corpo humano faz sentido. “Estamos consumindo alimentos com nutrientes e muitos deles podem ser reaproveitados. Para mim, tem lógica”, declarou.
Coleta e tratamento da urina antes da aplicação no solo
A urina coletada passa por um processo controlado antes de chegar às fazendas. Um caminhão recolhe cerca de 45 mil litros por ano, que são levados a um tanque onde o líquido é pasteurizado a 80 °C por 90 segundos. Em seguida, o xixi tratado é armazenado até o momento certo para ser aplicado ao solo agrícola.
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A aplicação ocorre durante estágios específicos do ciclo das plantas, quando elas estão mais aptas a absorver os nutrientes presentes na urina. A prática evita que o excesso escoe para rios e lagos, o que poderia causar desequilíbrios ambientais.
Por que os agricultores dos EUA estão adotando o uso da urina
O uso da urina como fertilizante é impulsionado por seu alto teor de nitrogênio e fósforo, os mesmos elementos presentes em fertilizantes sintéticos comuns. Contudo, a produção desses insumos artificiais gera impacto ambiental significativo. O processo de fabricação do nitrogênio consome combustíveis fósseis, enquanto a extração de fósforo gera resíduos tóxicos.
Nesse contexto, a urina aparece como uma alternativa sustentável, de custo zero e amplamente disponível. Como destaca a diretora do Instituto Terra Rica, Jamina Shupack: “Todo mundo faz xixi. É um recurso inexplorado.”
Redução do uso de água e das emissões de carbono
A professora Nancy Love, da Universidade de Michigan, colabora com o projeto desde 2012 e concluiu que reutilizar urina em vez de enviar para o esgoto reduz o consumo de água e as emissões de gases de efeito estufa. Apenas com a eliminação do uso do vaso sanitário convencional, o programa calcula ter economizado mais de 10 milhões de litros de água desde seu início.
“Hoje diluímos ao máximo a nossa urina, enviamos para o tratamento, consumimos energia e a devolvemos ao meio ambiente. É um processo ineficiente”, explicou Love.
Prevenção da proliferação de algas e proteção dos recursos hídricos
O destino comum do xixi tratado por sistemas de esgoto são os cursos d’água. No entanto, os nutrientes da urina, como nitrogênio e fósforo, podem alimentar algas nocivas, que desequilibram os ecossistemas aquáticos. Por isso, agricultores e pesquisadores veem na aplicação da urina ao solo uma forma de evitar a contaminação dos rios e, ao mesmo tempo, aumentar a produtividade agrícola.
“O nitrogênio sempre vai fazer as plantas crescerem, seja na água ou na terra. O segredo está em onde aplicamos esses nutrientes”, afirmou Shupack.
Adoção em outros países e desafios regulatórios
Embora o programa de Vermont seja referência nos EUA, iniciativas semelhantes estão sendo desenvolvidas em outros países. Em Paris, na França, voluntários coletam xixi para fertilizar o trigo usado na panificação. Na Suécia, empresas transformam urina em fertilizante para combater a proliferação de algas.
Na África do Sul, Nepal e Níger, projetos-piloto também investigam a viabilidade do uso da urina na agricultura. Porém, obstáculos regulatórios e logísticos dificultam a expansão. “Muitas vezes não existe nem um formulário específico para lidar com a urina, o que torna o processo burocrático”, relatou Shupack.
Inovações no transporte e tratamento da urina
Para superar desafios logísticos, o Instituto Terra Rica desenvolveu um sistema de concentração por congelamento, que reduz o volume da urina em até seis vezes. A tecnologia já está em uso na Universidade de Michigan.
Outra barreira é a adaptação da infraestrutura de encanamento dos EUA. Vários sistemas prediais não são preparados para separar a urina na origem, o que exige mudanças nos padrões de construção e novos projetos de saneamento.
Mudança de hábitos para aplicação da tecnologia nos EUA
Betsy Williams começou a doar urina usando garrafas de detergente e transportando os recipientes no carro. Recentemente, instalou em casa um vaso sanitário que separa o xixi dos demais resíduos, com armazenamento no porão. “Agora tudo é mais simples. E lidar com a urina ficou menos desagradável”, contou.
Segundo o Instituto, o chamado “fator nojo” não é tão decisivo quanto se imagina. “As pessoas são receptivas à ideia, mas acham que os outros vão achar estranho”, disse Shupack.
Quanto à presença de medicamentos na urina, estudos preliminares apontam níveis extremamente baixos nas plantas cultivadas. “Seria preciso comer quantidades absurdas de alface diariamente para igualar uma xícara de café”, exemplificou a diretora.
Fonte: G1
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