Demissões na Amazon atingem 16 mil funcionários às vésperas do balanço trimestral e refletem aposta em IA.
A Amazon anunciou nesta quarta-feira (28/01/26) a demissão de cerca de 16 mil funcionários de sua estrutura corporativa, poucos dias antes de divulgar os resultados financeiros do quarto trimestre.
A decisão, comunicada internamente por e-mail, ocorre às vésperas da conferência de resultados marcada para 5 de fevereiro e reflete a estratégia da empresa de reduzir custos, enxugar hierarquias e direcionar investimentos para inteligência artificial e computação em nuvem, especialmente na Amazon Web Services.
A medida envolve principalmente colaboradores nos Estados Unidos, que terão um prazo de até 90 dias para buscar realocação interna antes do desligamento definitivo.
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Caso não encontrem novas posições, os funcionários receberão indenização, suporte à recolocação profissional e benefícios adicionais, conforme as regras locais.
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Corte anunciado antes do balanço se repete
O timing das demissões chama atenção porque repete um padrão recente da Amazon. Em outubro de 2025, a empresa havia dispensado cerca de 14 mil funcionários apenas dois dias antes da divulgação dos resultados do terceiro trimestre.
Naquele momento, o relatório financeiro já incorporava um impacto de US$ 1,8 bilhão em custos de rescisão.
Agora, novamente, os cortes ocorrem antes da prestação de contas ao mercado, reforçando a sinalização de disciplina financeira e reorganização estrutural.
A companhia não informou se as demissões atingem funcionários no Brasil ou em outros países fora dos Estados Unidos.
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E-mail antecipado gera tensão entre funcionários
Antes do anúncio oficial, um e-mail enviado por engano aumentou a apreensão interna. Na terça-feira (27/01/26), colaboradores da AWS receberam uma mensagem que mencionava “mudanças organizacionais” e um projeto interno chamado “Project Dawn”.
O conteúdo antecipava cortes e gerou confusão ao ser rapidamente seguido do cancelamento de uma reunião marcada para tratar do tema.
Segundo a Reuters, o e-mail indicava que funcionários nos Estados Unidos, Canadá e Costa Rica já teriam sido informados sobre os desligamentos, o que posteriormente foi corrigido pela empresa.
Justificativa oficial e discurso de eficiência
Em comunicado assinado por Beth Galetti, vice-presidente sênior de Experiência de Pessoas e Tecnologia, a Amazon afirmou que as demissões fazem parte de um esforço contínuo para reduzir camadas hierárquicas e eliminar burocracia.
“Reconheço que esta é uma notícia difícil, e é por isso que estou compartilhando o que está acontecendo e o porquê”, escreveu Galetti.
Segundo ela, a empresa seguirá contratando em áreas estratégicas, mesmo com a redução de vagas no corporativo.
Transformação estrutural e avanço da IA
Para especialistas, o movimento da Amazon reflete uma mudança profunda no modelo de trabalho das grandes empresas de tecnologia.
O economista Roberto Kanter, professor da Fundação Getulio Vargas, avalia que o corte está diretamente ligado à substituição de funções administrativas por sistemas automatizados.
“O movimento recente da Amazon está ligado a uma transformação estrutural mais profunda: a substituição de tarefas operacionais, administrativas e intermediárias por inteligência artificial”, explica Kanter.
Segundo ele, atividades como consolidação de dados, controle e reporte perdem relevância econômica à medida que a IA assume essas funções com maior eficiência.
Impacto financeiro dos cortes recentes
Os números do terceiro trimestre de 2025 ajudam a dimensionar o efeito dessas decisões. A Amazon registrou vendas líquidas de US$ 180,2 bilhões, crescimento de 13% em relação ao ano anterior.
No entanto, o lucro operacional de US$ 17,4 bilhões foi pressionado pelos custos das demissões e por um acordo legal com a Federal Trade Commission.
Sem esses encargos extraordinários, o lucro operacional teria alcançado US$ 21,7 bilhões, evidenciando o ganho de rentabilidade de uma estrutura mais enxuta.
AWS cresce e concentra investimentos
Enquanto reduz vagas corporativas, a Amazon amplia investimentos na nuvem e em IA. A AWS registrou crescimento de 20% no último trimestre, com US$ 33 bilhões em vendas.
O CEO Andy Jassy destacou o papel da inteligência artificial na estratégia da companhia.
“Continuamos a ver um forte impulso e crescimento em toda a Amazon, à medida que a IA impulsiona melhorias significativas em cada canto do nosso negócio”, afirmou.
Além disso, a empresa informou ter adicionado mais de 3,8 gigawatts de capacidade energética para sustentar a expansão de seus data centers.

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