Aneel atualiza a referência de O&M e reduz custos nos sistemas fotovoltaicos reembolsados pela CCC, fortalecendo a modicidade tarifária e impulsionando o avanço da energia solar em regiões isoladas
Em 03 de dezembro de 2025, a Agência Nacional de Energia Elétrica promoveu uma das revisões regulatórias mais relevantes do ano ao reduzir em 21,9% o valor de referência de O&M aplicado ao reembolso de usinas solares em sistemas isolados pela CCC. O novo valor foi definido em R$ 9.233,09/MWh, substituindo o patamar anterior de R$ 11.267,89/MWh. Segundo matéria publicada pelo Cenário Energia nesta quarta-feira (3), a decisão está alinhada à queda dos custos operacionais nas tecnologias solares, às atualizações metodológicas da agência e à necessidade de eficiência no uso dos recursos públicos.
Redução de O&M e impacto imediato para sistemas de energia solar
A medida reforça o compromisso regulatório com tarifas mais acessíveis e com a expansão sustentável da energia solar em regiões remotas. Os dados foram publicados pela ANEEL durante reunião da diretoria colegiada, acompanhada de justificativas técnicas baseadas na Consulta Pública n.º 36/2024, que revisou parâmetros aplicados pela agência desde 2021.
A queda de 21,9% no valor de referência impacta diretamente os custos de operação e manutenção de sistemas fotovoltaicos instalados em áreas isoladas. A revisão ajusta o reembolso pago às distribuidoras pela CCC, aproximando os valores da realidade atual do mercado.
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O cálculo revisado considera:
- custos anuais de manutenção,
- custos anuais de substituição de componentes,
- metodologia ponderada por distribuidora e tecnologia instalada,
- queda generalizada nos preços de componentes solares e serviços técnicos.
Com custos menores, o setor passa a operar de forma mais eficiente, podendo reduzir a pressão tarifária para consumidores atendidos por sistemas isolados. A revisão acompanha tendências internacionais, que mostram redução contínua dos custos de manutenção de usinas solares devido à maior durabilidade dos equipamentos e ao avanço tecnológico.
Atualização metodológica e razões para a decisão da Aneel
A Aneel justificou a revisão com base em três fatores centrais:
- Desalinhamento entre valores vigentes e custos reais
A metodologia anterior aplicava correção pelo IPCA, sem considerar diferenças entre custos de manutenção e substituição. Isso gerava discrepâncias significativas. - Dados consolidados das distribuidoras
Após a Consulta Pública 36/2024, a agência reuniu informações sobre despesas reais das concessionárias, confirmando que o O&M vinha caindo de forma consistente. - Melhor representação do cenário nacional
A média ponderada por distribuidora permitiu chegar a um valor mais fiel à realidade operacional.
A revisão deixa o modelo mais transparente, previsível e tecnicamente coerente.
Essa atualização atende também ao princípio de modicidade tarifária, previsto na Lei do Setor Elétrico, e reforça a responsabilidade da Aneel na administração de subsídios e encargos setoriais.
Modicidade tarifária e efeitos na CCC
A CCC, criada para custear a geração de energia em sistemas isolados, tem papel determinante no fornecimento de energia elétrica em regiões sem conexão com o Sistema Interligado Nacional. Assim, qualquer revisão na metodologia de reembolso afeta diretamente o orçamento nacional do setor.
Com a nova referência de O&M:
- há redução do montante a ser reembolsado, liberando recursos para outras finalidades do fundo;
- ocorre menor pressão sobre reajustes tarifários, principalmente em distribuidoras da Amazônia Legal;
- cria-se um ambiente regulatório mais sustentável, permitindo aumento gradual da participação da energia solar nos sistemas isolados.
A medida fortalece o caráter estratégico da CCC, tornando o uso de recursos mais eficiente sem comprometer a operação das usinas.
Contexto técnico e histórico da revisão regulatória
A discussão sobre o valor de referência de O&M para solar não começou em 2025. Desde 2023, especialistas e agentes do setor vinham alertando sobre a necessidade de atualizar o cálculo, que já não refletia a evolução dos preços de componentes fotovoltaicos.
A abertura da CP 36/2024 consolidou essa preocupação e permitiu:
- envio de contribuições de associações do setor solar,
- participação de empresas instaladoras,
- apresentação de dados revisados pelas distribuidoras.
A proposta final aprovada pela Aneel levou em conta o comportamento de mercado dos últimos anos, que apresentou:
- aumento da vida útil média de inversores,
- queda no custo de mão de obra especializada,
- maior resistência dos módulos solares em condições extremas.
Todos esses fatores justificaram a redução do valor de referência de O&M e o tornaram mais adequado para o cenário atual.
Expansão da energia solar isolada e efeitos no mercado
A energia solar tem ganhado espaço nos sistemas isolados, substituindo gradualmente fontes mais caras e poluentes, como óleo diesel. A redução de O&M reforça essa tendência.
Os principais impactos esperados são:
1. Estímulo a novos projetos
Com custos menores, torna-se mais atraente para distribuidoras e operadores ampliar o uso de usinas solares em áreas remotas. Isso acelera a transição energética em localidades onde o acesso à energia ainda é limitado.
2. Redução de dependência de combustíveis fósseis
Menor custo de operação incentiva a substituição de geradores térmicos, que têm alto custo e grande impacto ambiental.
3. Fortalecimento da competitividade da energia solar
Com reembolsos mais equilibrados, projetos solares conseguem competir com alternativas tradicionais, colocando o Brasil em linha com padrões internacionais.
Essa evolução reforça uma transição energética mais econômica e sustentável.
Transparência regulatória e qualidade das informações
A revisão demonstra um avanço importante da Aneel na forma de conduzir consultas públicas. A agência tem adotado processos mais transparentes, com:
- divulgação de notas técnicas completas,
- abertura de dados detalhados de custo,
- análises econômico-financeiras amplas,
- participação de diferentes atores do setor elétrico.
Esse modelo regulatório mais participativo garante maior segurança jurídica e previsibilidade aos investidores — essenciais para expansão da infraestrutura em sistemas isolados.
Setor de energia solar: pontos de atenção para os próximos anos
Embora a redução do valor de O&M seja bem-vinda, existem desafios que devem ser observados:
- condições de acesso e logística em regiões remotas podem manter custos elevados;
- algumas distribuidoras enfrentam realidades operacionais muito distintas da média nacional;
- o fundo da CCC opera com orçamento limitado e sujeito a oscilações de demanda e expansão dos sistemas isolados;
- substituições de componentes podem variar muito conforme o clima e a intensidade de uso.
Esses fatores indicam a necessidade de revisões periódicas para manter o cálculo de O&M sempre alinhado à realidade do setor.
Relevância estratégica para o futuro do setor elétrico
A atualização realizada em dezembro de 2025 representa mais do que uma simples revisão de custos. Ela:
- define novas bases para expansão da energia solar isolada,
- fortalece o compromisso com eficiência no uso de subsídios,
- impulsiona a transição energética em regiões de difícil acesso,
- apoia comunidades que dependem da CCC para ter energia de qualidade.
A revisão do valor de O&M reforça um caminho sustentável para o setor elétrico brasileiro e estabelece condições mais favoráveis ao uso da energia solar como fonte primária em áreas isoladas.

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