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Antártida já foi verde e cheia de florestas: cientistas revelam que o continente congelado era coberto por árvores antes da glaciação que começou há 34 milhões de anos

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 12/03/2026 às 11:17
Estudo mostra que a Antártida já teve florestas e clima mais quente antes da glaciação iniciada há cerca de 34 milhões de anos.
Estudo mostra que a Antártida já teve florestas e clima mais quente antes da glaciação iniciada há cerca de 34 milhões de anos.
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Durante milhões de anos, a Antártida manteve florestas de coníferas e regiões de tundra sob clima mais quente, até que mudanças no CO₂ atmosférico e na circulação oceânica desencadearam uma glaciação iniciada há cerca de 34 milhões de anos, transformando gradualmente o continente em uma vasta camada de gelo

A Antártida nem sempre foi um deserto congelado. Estudos indicam que o continente era coberto por florestas de coníferas e tundra até cerca de 34 milhões de anos atrás, quando um processo gradual de glaciação permanente transformou completamente sua paisagem.

Durante grande parte de sua história geológica, a Antártida apresentou condições climáticas muito diferentes das atuais. O continente que hoje abriga uma vasta camada de gelo já manteve vegetação extensa e temperaturas consideravelmente mais amenas.

Essa transformação climática profunda marcou uma das mudanças ambientais mais significativas da história do planeta. Os processos que levaram à formação da camada de gelo antártica continuam sendo analisados por cientistas para compreender a evolução do clima terrestre.

Antártida verde com florestas de coníferas e tundra dominou o Polo Sul durante milhões de anos

Há cerca de 50 milhões de anos, no início do Eoceno, a Antártida possuía um ambiente completamente diferente do atual. Florestas de coníferas se espalhavam por grandes áreas do continente, enquanto regiões mais frias eram ocupadas por paisagens de tundra.

As temperaturas globais naquele período eram aproximadamente 8 graus mais altas do que hoje. Esse cenário climático permitia a existência de vegetação abundante mesmo em um continente já localizado na região do Polo Sul.

Segundo o climatologista Eric Wolff, da Universidade de Cambridge, esse ambiente quente estava relacionado a concentrações elevadas de dióxido de carbono na atmosfera. Os níveis de CO2 atingiam entre 1.000 e 2.000 partes por milhão, o equivalente a três a cinco vezes os valores atuais.

Mesmo situado no extremo sul do planeta, o continente ainda não apresentava congelamento permanente. A Antártida mantinha um ambiente relativamente estável, com condições climáticas capazes de sustentar vegetação por extensos períodos geológicos.

Resfriamento global durante o Eoceno iniciou transformação climática na Antártida

O processo de mudança climática começou gradualmente durante o Eoceno Médio. Ao longo de milhões de anos, os níveis atmosféricos de dióxido de carbono diminuíram de forma contínua.

Essa redução progressiva de CO2 provocou também uma queda gradual nas temperaturas globais. A combinação desses fatores iniciou um processo lento de transformação ambiental no continente antártico.

Mesmo com o avanço do resfriamento global, algumas regiões da Antártida continuaram apresentando clima temperado durante longos períodos. Nessas áreas, as florestas de coníferas conseguiram sobreviver por um tempo significativo antes de desaparecerem completamente.

A vegetação só foi eliminada quando limites críticos de temperatura e concentração de CO2 foram ultrapassados. A partir desse ponto, o ambiente passou a favorecer o acúmulo de neve e o avanço do gelo.

Formação da camada de gelo da Antártida começou há cerca de 34 milhões de anos

A glaciação permanente da Antártida teve início aproximadamente há 34 milhões de anos. Esse momento marca a transição entre as épocas geológicas do Eoceno e do Oligoceno.

De acordo com a geoquímica Tina van de Flierdt, do Imperial College London, essa mudança representa uma das maiores transformações climáticas da história recente da Terra. O continente iniciou um processo de congelamento que alterou definitivamente sua configuração.

Dois fatores principais contribuíram para esse congelamento massivo. O primeiro foi a queda das concentrações de CO2 atmosférico abaixo de cerca de 750 partes por milhão.

Esse limite permitiu que as temperaturas na Antártida caíssem o suficiente para que a neve permanecesse no solo mesmo durante o verão. Com o acúmulo contínuo ao longo dos anos, formou-se uma camada de gelo cada vez mais extensa.

O segundo fator envolveu mudanças tectônicas na região. A abertura da Passagem de Drake, entre a América do Sul e a Antártida, desempenhou papel importante nesse processo.

Corrente oceânica circumpolar isolou termicamente a Antártida dos oceanos mais quentes

A separação tectônica entre os continentes permitiu o surgimento de uma corrente oceânica circumpolar ao redor da Antártida. Esse movimento de águas frias isolou o continente das massas oceânicas mais quentes.

Com esse isolamento térmico, a Antártida passou a receber menos influência das águas dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico. O resultado foi uma intensificação do resfriamento e maior estabilidade das condições necessárias para a formação do gelo.

A cronologia desse processo foi confirmada por cientistas por meio da análise de isótopos de oxigênio preservados em sedimentos marinhos. Esses marcadores geoquímicos indicam uma mudança abrupta na composição isotópica da água do mar.

Essa alteração funciona como uma assinatura direta da formação maciça de gelo no continente antártico. Os registros geológicos permitiram reconstruir a sequência de eventos que levaram ao congelamento definitivo do continente.

Transformação da Antártida em calota de gelo permanente levou cerca de 790 mil anos

A formação completa da camada de gelo não ocorreu de maneira imediata. Evidências geológicas indicam que o processo levou aproximadamente 790.000 anos para se consolidar em uma calota de gelo permanente.

Durante esse período, as últimas florestas desapareceram gradualmente à medida que o gelo avançava sobre o continente. O ambiente foi sendo substituído por uma paisagem cada vez mais fria e dominada por neve.

O acúmulo crescente de gelo alterou o albedo da superfície continental. Isso significa que mais radiação solar passou a ser refletida de volta para o espaço, reforçando o processo de resfriamento.

Esse mecanismo de retroalimentação climática acelerou a expansão da camada de gelo. Áreas que ainda mantinham temperaturas moderadas passaram a congelar progressivamente.

Pesquisas publicadas no periódico Climate of the Past indicam que a Antártida Ocidental foi a última região a congelar completamente. Suas características geográficas específicas retardaram a glaciação total do continente.

Quando essa última área finalmente se transformou em gelo permanente, consolidou-se o cenário da Antártida moderna. Os cientistas continuam estudando essas transições antigas para compreender melhor a estabilidade atual da camada de gelo do continente.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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