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Anvisa aprova Leqembi, primeiro medicamento que desacelera o Alzheimer no Brasil

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 08/01/2026 às 15:45
Atualizado em 08/01/2026 às 15:50
Anvisa aprova o Leqembi, novo medicamento contra o Alzheimer que atua na causa da doença e promete desacelerar a progressão.
Foto: IA
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Anvisa aprova o Leqembi, novo medicamento contra o Alzheimer que atua na causa da doença e promete desacelerar a progressão.

A Anvisa aprovou, em 22 de dezembro de 2025, um novo medicamento para o tratamento do Alzheimer no Brasil. Trata-se do Leqembi, indicado para pessoas com demência leve causada pela doença, que atua diretamente no cérebro ao remover placas associadas à progressão do quadro.

A liberação marca um avanço histórico, pois é a primeira terapia autorizada no país com foco no mecanismo da enfermidade, e não apenas no alívio dos sintomas.

A decisão da Anvisa ocorre em um cenário de alta demanda por novas alternativas terapêuticas. Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de um milhão de brasileiros convivem atualmente com o Alzheimer, condição neurodegenerativa que compromete memória, raciocínio e autonomia.

Até agora, os tratamentos disponíveis atuavam apenas sobre manifestações clínicas, sem interferir diretamente na evolução da doença.

O que é o Leqembi e como o medicamento age no Alzheimer

O Leqembi é um medicamento produzido a partir do anticorpo monoclonal lecanemabe. Ele foi desenvolvido para reconhecer e remover as placas de beta-amiloide que se acumulam no cérebro de pessoas com Alzheimer, consideradas uma das principais marcas biológicas da doença.

Esse anticorpo funciona de forma semelhante aos anticorpos naturais do organismo, que combatem vírus e bactérias.

No caso do Leqembi, ele aciona o sistema imunológico para “limpar” o excesso de beta-amiloide presente no tecido cerebral. Assim, busca-se reduzir o impacto dessa substância tóxica sobre os neurônios.

O medicamento é administrado por meio de infusão intravenosa e é recomendado exclusivamente para pacientes nos estágios iniciais do Alzheimer, quando já existe comprometimento cognitivo leve, mas ainda há maior potencial de resposta terapêutica.

Por que a aprovação da Anvisa é considerada um marco

A liberação do Leqembi pela Anvisa representa uma mudança relevante no tratamento do Alzheimer no Brasil.

Pela primeira vez, um medicamento aprovado no país se propõe a desacelerar o processo de destruição cerebral, interferindo na progressão da doença.

Especialistas destacam que, embora o Leqembi não seja uma cura, ele inaugura uma nova abordagem terapêutica.

Em vez de apenas amenizar sintomas, a estratégia é atuar na base biológica do Alzheimer, algo que por décadas permaneceu fora do alcance da medicina.

Além disso, o aval brasileiro segue a aprovação internacional. Desde 2023, o medicamento já é autorizado e comercializado nos Estados Unidos, após análise rigorosa da agência reguladora norte-americana.

Estudo clínico mostrou redução do declínio cognitivo

A eficácia do Leqembi foi demonstrada em um estudo publicado em 2022 na New England Journal of Medicine, uma das revistas científicas mais respeitadas do mundo. A pesquisa envolveu 1.795 voluntários com Alzheimer em estágio inicial.

Durante o estudo, os participantes receberam infusões de lecanemabe a cada duas semanas. Após 18 meses de tratamento, os resultados indicaram uma redução do declínio cognitivo-funcional, sugerindo uma progressão mais lenta da doença em comparação ao grupo que não recebeu o medicamento.

Esses dados foram determinantes para a aprovação do Leqembi por diferentes agências reguladoras, incluindo agora a Anvisa.

Do tratamento de suporte às terapias que tentam frear a doença

Por muitos anos, o Alzheimer foi tratado apenas com medidas de suporte. Até a década de 1970, sabia-se que a doença estava associada à atrofia cerebral e ao acúmulo anormal de proteínas como a tau e a beta-amiloide.

No entanto, os tratamentos disponíveis se limitavam a vitaminas, mudanças de hábitos e estimulantes da memória, sem eficácia comprovada.

Com o avanço da ciência, pesquisadores passaram a compreender melhor a origem do Alzheimer, abrindo caminho para terapias direcionadas.

O Leqembi surge justamente nesse contexto de evolução do conhecimento, ao focar diretamente em um dos mecanismos centrais da doença.

“Isso representa uma nova linha de pesquisa e uma porta que se abre de oportunidade para intervir na evolução da doença”, explica Helder Picarelli, neurocirurgião do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Expectativas, custos e cautela dos especialistas

Apesar do entusiasmo em torno do medicamento, especialistas pedem cautela. O próprio Helder Picarelli ressalta que o Leqembi ainda é uma terapia relativamente nova e que mais dados serão necessários para avaliar seu impacto a longo prazo.

“Esse tipo de terapia é usando um anticorpo específico, ele tem modificado o tratamento, mas ainda é ainda é novo. Acho que a gente precisa aguardar um pouquinho mais para a gente ter uma conclusão definitiva. Eu não sei se o custo que é elevado e o risco compensa o benefício obtido pelo uso desse tipo de medicação”, afirma.

Assim, a aprovação do Leqembi pela Anvisa representa um avanço concreto no combate ao Alzheimer, mas também inaugura um novo debate sobre acesso, custo e efetividade real desse medicamento no enfrentamento de uma das doenças mais desafiadoras do envelhecimento.

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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