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Aos 100 anos, piloto vivo mais velho a ter corrido na F1 é brasileiro, correu pela Ferrari, pontuou em Mônaco, desafiou Enzo Ferrari e hoje é praticamente esquecido pelo Brasil

Escrito por Alisson Ficher
Publicado el 16/12/2025 a las 11:34
Actualizado el 16/12/2025 a las 12:05
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Ex-piloto da Fórmula 1 disputou sete GPs nos anos 1950, marcou pontos em Mônaco, correu em Le Mans e manteve vínculo esportivo com o Brasil ao longo da carreira, mesmo vivendo na França há décadas e longe das pistas profissionais.

Hermano João “Nano” da Silva Ramos, que completou 100 anos em 7 de dezembro de 2025, é atualmente o ex-piloto mais velho ainda vivo com participação em Grandes Prêmios válidos pelo Mundial de Fórmula 1.

Registrado como piloto brasileiro, ele disputou sete corridas da categoria nas temporadas de 1955 e 1956 e marcou pontos no GP de Mônaco de 1956, resultado relevante para um competidor de uma equipe de estrutura limitada naquele período.

Mesmo afastado da Fórmula 1 há quase sete décadas, o centenário voltou ao noticiário recentemente ao relembrar a própria trajetória em entrevistas concedidas a veículos europeus e brasileiros.

De sua casa em Biarritz, no litoral sudoeste da França, onde vive há décadas, ele destacou o vínculo esportivo com o Brasil ao falar sobre a bandeira sob a qual competiu.

Segundo relatou, apesar de ter nascido na Europa, sempre correu representando o país do pai.

Origem e identidade esportiva no automobilismo

Hermano da Silva Ramos nasceu em Paris, em 7 de dezembro de 1925, filho de pai brasileiro e mãe francesa.

O contato com o automobilismo veio ainda na infância, já que o pai havia sido piloto da Bugatti nos anos 1930.

Brasileiro centenário, Hermano da Silva Ramos é o piloto vivo mais velho a correr na Fórmula 1, com pontos em Mônaco e passagens por Le Mans.
Brasileiro centenário, Hermano da Silva Ramos é o piloto vivo mais velho a correr na Fórmula 1, com pontos em Mônaco e passagens por Le Mans.

Esse histórico familiar ajudou a aproximá-lo do ambiente das corridas em um período no qual o esporte ainda dava seus primeiros passos em termos de profissionalização.

Durante a juventude, ele viveu parte do tempo no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, cidade que teve papel importante em sua formação.

Em entrevistas posteriores, o ex-piloto relembrou esse período como decisivo para a consolidação de sua identidade esportiva.

Ao falar sobre a carreira, costuma afirmar que se considera brasileiro no automobilismo, ainda que tenha passado grande parte da vida adulta na França.

Esse contexto ajuda a explicar por que o nome de Hermano da Silva Ramos aparece com menos frequência quando se fala em pilotos brasileiros da Fórmula 1.

Diferentemente de campeões mundiais ou de atletas que competiram em eras mais recentes, sua passagem pela categoria ocorreu em um período inicial do Mundial, com menor cobertura midiática e registros mais escassos.

Primeiras corridas no Brasil e retorno à Europa

As primeiras competições de “Nano” aconteceram no Brasil, logo após a Segunda Guerra Mundial, em provas disputadas em circuitos de rua e eventos regionais.

Naquele momento, o automobilismo nacional ainda era marcado por estruturas improvisadas e forte integração com o cotidiano das cidades.

Há relatos de corridas interrompidas por autoridades ou por situações externas, algo comum naquele contexto histórico.

Brasileiro centenário, Hermano da Silva Ramos é o piloto vivo mais velho a correr na Fórmula 1, com pontos em Mônaco e passagens por Le Mans.
Brasileiro centenário, Hermano da Silva Ramos é o piloto vivo mais velho a correr na Fórmula 1, com pontos em Mônaco e passagens por Le Mans.

No início da década de 1950, Hermano retornou à França e passou a competir com maior regularidade na Europa.

Foi nesse ambiente que sua carreira ganhou projeção internacional, especialmente em provas de endurance e corridas de turismo, consideradas, à época, caminhos naturais para pilotos que buscavam espaço entre equipes mais competitivas.

Le Mans, Ferrari e o automobilismo de longa duração

A trajetória de Hermano da Silva Ramos inclui participações nas 24 Horas de Le Mans, uma das provas mais tradicionais do automobilismo mundial.

Ele disputou quatro edições da corrida na década de 1950, incluindo a de 1959, quando pilotou uma Ferrari 250 Testa Rossa ao lado do britânico Cliff Allison.

Em entrevistas, o ex-piloto relatou ter recebido orientações diretas de Enzo Ferrari durante esse período.

Segundo ele, o fundador da equipe italiana foi objetivo ao estabelecer expectativas relacionadas a desempenho e confiabilidade.

Os relatos ajudam a dimensionar o ambiente de cobrança existente nas grandes equipes, mesmo em uma era marcada por improviso técnico e alto risco.

O período também foi marcado por episódios que expuseram os perigos do automobilismo daquela geração.

A edição de Le Mans de 1955, por exemplo, entrou para a história após um grave acidente que matou dezenas de espectadores.

O episódio é frequentemente citado por historiadores do esporte como um divisor de águas nas discussões sobre segurança em competições de alto nível.

Passagem pela Fórmula 1 e o quinto lugar em Mônaco

Brasileiro centenário, Hermano da Silva Ramos é o piloto vivo mais velho a correr na Fórmula 1, com pontos em Mônaco e passagens por Le Mans.
Brasileiro centenário, Hermano da Silva Ramos é o piloto vivo mais velho a correr na Fórmula 1, com pontos em Mônaco e passagens por Le Mans.

Na Fórmula 1, Hermano disputou sete etapas oficiais do Mundial entre 1955 e 1956, sempre pela equipe francesa Gordini.

O carro utilizado pela escuderia era considerado tecnicamente inferior aos modelos das principais equipes, o que tornava os resultados dependentes não apenas de desempenho, mas também de resistência mecânica.

O melhor resultado da carreira na categoria veio no GP de Mônaco de 1956, quando terminou em quinto lugar e somou dois pontos.

Em depoimentos posteriores, o próprio piloto classificou o desempenho como um dos momentos mais marcantes da trajetória.

Naquele período, apenas os cinco primeiros colocados pontuavam, o que reforça a importância do resultado.

Esse quinto lugar teve reflexo direto na estatística brasileira na Fórmula 1.

No mesmo ano, Chico Landi obteve um quarto lugar no GP da Argentina, mas dividiu o carro com outro piloto, prática permitida à época, o que resultou na divisão da pontuação.

Com isso, Hermano da Silva Ramos passou a figurar como o brasileiro com maior número de pontos na Fórmula 1 por 14 anos, até ser superado apenas em 1970, com a chegada de Emerson Fittipaldi.

Ao relembrar o ambiente do grid, Nano citou a convivência com nomes como Juan Manuel Fangio e Stirling Moss.

As referências aparecem em entrevistas como parte de um esforço de contextualização histórica, sem que haja registros de rivalidades prolongadas dentro da Fórmula 1.

Tragédia da Mille Miglia e saída da categoria

O encerramento da passagem de Hermano pela Fórmula 1 ocorreu em meio ao impacto de um acidente que marcou o automobilismo europeu.

Em 1957, durante a Mille Miglia, o piloto espanhol Alfonso de Portago morreu após um acidente que também vitimou o navegador e espectadores.

Brasileiro centenário, Hermano da Silva Ramos é o piloto vivo mais velho a correr na Fórmula 1, com pontos em Mônaco e passagens por Le Mans.
Brasileiro centenário, Hermano da Silva Ramos é o piloto vivo mais velho a correr na Fórmula 1, com pontos em Mônaco e passagens por Le Mans.

O episódio teve grande repercussão internacional e contribuiu para mudanças no formato da prova.

Segundo relatos do próprio Hermano, a morte do amigo teve efeito direto sobre sua continuidade na categoria.

Abalado, ele optou por não disputar o GP de Mônaco realizado logo após a tragédia e acabou desligado da equipe Gordini.

O episódio é citado como um dos fatores centrais para a curta duração de sua carreira na Fórmula 1.

Vida após as pistas e memória do esporte

Após deixar a F1, Hermano ainda competiu por alguns anos em provas de longa duração e em outras categorias antes de encerrar a carreira como piloto profissional.

Em seguida, construiu trajetória fora das pistas, atuando em diferentes setores, longe do automobilismo competitivo.

Nos últimos anos, seu nome voltou a ser lembrado em reportagens e eventos ligados à memória do esporte.

Lúcido aos 100 anos, ele costuma comparar a Fórmula 1 atual com a de sua época.

Em entrevistas, afirmou que a categoria se tornou mais segura ao longo do tempo, embora avalie que o nível de imprevisibilidade nas corridas diminuiu, percepção compartilhada por outros ex-pilotos e analistas históricos do automobilismo.

Em uma das entrevistas mais recentes, Hermano gravou um recado em português e voltou a reforçar o vínculo com o país que representou nas pistas.

A declaração sintetiza uma trajetória marcada por deslocamentos geográficos, mas também por uma identidade esportiva mantida ao longo de décadas.

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Lindolfo de Amorm
Lindolfo de Amorm
18/12/2025 10:06

Parabéns triplo, Hermano:
Pelo aniversário;
Pela longevidade; e
Pelo legado esportivo.
Dê glórias ao PAI ETERNO

Mario Donizetti silvestre
Mario Donizetti silvestre
18/12/2025 08:56

Então como o povo brasileiro nem lembra desse piloto a memória nossa é pouca se um estrangeiro teria um nome qualquer autódromo do seu país ou até uma rua em sua homenagem 🤔

Alessandro Marco
Alessandro Marco
17/12/2025 17:52

Ele junto com Chico Landi, Gino Bianco e Fritz D’Orey foram precursores brasileiros na F1 e a impressa «especializada» desconhecem os seus feitos.

Cristiano
Cristiano
Em resposta a  Alessandro Marco
19/12/2025 10:17

Para muitos brasileiros, inclusive da tal «imprensa especializada», a participação brasileira na F1 limita-se ao falecido, Rubinho e Massa.

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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