Estudante brasileira de 16 anos leva projeto de pele artificial para regeneração celular à maior feira científica pré-universitária do mundo, conquista prêmio internacional em dólares e destaca pesquisa escolar desenvolvida no Maranhão em uma competição global que reúne milhares de jovens cientistas.
Aos 16 anos, a estudante maranhense Sofia Mota Nunes apresentou um projeto de “pele artificial” voltado à regeneração celular e ao tratamento de queimaduras e recebeu um prêmio internacional em dólares na Regeneron International Science and Engineering Fair, considerada a principal disputa pré-universitária de ciência e engenharia.
A jovem, de Imperatriz, no Maranhão, foi reconhecida com o Prêmio Mary Kay Inc., no valor de US$ 750, ao defender a pesquisa intitulada “Pele artificial destinada à regeneração celular e tratamento de queimaduras”, desenvolvida com orientação do professor Carlos Fonseca Sampaio, na Escola Santa Teresinha.
O reconhecimento ocorreu na edição de 2025 da feira, realizada em Columbus, no estado de Ohio, nos Estados Unidos, dentro da categoria de prêmios especiais oferecidos por parceiros da competição, modalidade conhecida como “Special Awards”, segundo registros públicos divulgados por instituições brasileiras credenciadoras.
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Maior feira científica estudantil do mundo

Organizada pela Society for Science, a Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF) funciona como uma etapa internacional que reúne finalistas selecionados em feiras nacionais e regionais, reunindo jovens pesquisadores em apresentações avaliadas por bancas, com premiações em diferentes áreas do conhecimento.
Na edição de 2025, a organização informou que o evento reuniu cerca de 1.700 finalistas de mais de 60 países, regiões e territórios, com distribuição de mais de US$ 9 milhões em prêmios e bolsas, números frequentemente usados como referência do porte da competição.
A participação brasileira na disputa passa por credenciamentos nacionais, e o nome de Sofia aparece nas listas públicas de premiados divulgadas por entidades que acompanham o desempenho do país no evento, incluindo a feira brasileira que integra a rede de seleção.
Nos registros, a estudante é identificada como participante de Imperatriz e vinculada à Escola Santa Teresinha, com indicação do orientador e do projeto apresentado, além da confirmação do prêmio patrocinado pela Mary Kay Inc., com valor definido em dólares.
Projeto de pele artificial para regeneração celular
A proposta premiada foi descrita como o desenvolvimento de uma película biocompatível pensada para atuar como suporte à regeneração da pele, com foco em situações de queimaduras, dentro do escopo de pesquisa escolar e de demonstração experimental.
Em informações públicas do projeto, o objetivo aparece associado à criação de uma alternativa que busque favorecer a proliferação e a regeneração celular, com produção de amostras em ambiente de laboratório escolar, sob acompanhamento de orientação docente.
A iniciativa foi apresentada como um trabalho de pesquisa e desenvolvimento, sem caracterização de produto pronto para uso hospitalar, ponto relevante porque, nesse tipo de competição, o julgamento costuma priorizar método, clareza, criatividade e rigor compatíveis com a etapa pré-universitária.
Ao mesmo tempo, o tema se conecta a linhas amplas de investigação em biomateriais e medicina regenerativa, campos que estudam estratégias para apoiar a recuperação de tecidos, ainda que diferentes abordagens tenham níveis variados de maturidade, validação e aplicação clínica.
Queimaduras ainda representam desafio global de saúde
A escolha do assunto tem peso global porque queimaduras continuam associadas a alta morbidade e mortalidade em diferentes países, especialmente onde o acesso a prevenção, atendimento rápido e centros especializados é mais limitado e desigual.
A Organização Mundial da Saúde estima que queimaduras provoquem cerca de 180 mil mortes por ano no mundo, com impacto maior em países de baixa e média renda, além de consequências importantes em casos não fatais, como internações prolongadas e incapacidades.
Esse cenário ajuda a explicar por que soluções de suporte ao reparo de tecidos aparecem com frequência em pesquisas acadêmicas e em iniciativas de inovação, incluindo estudos sobre curativos avançados, filmes protetores, materiais biocompatíveis e estratégias que buscam reduzir complicações.
Mesmo quando o termo “pele artificial” circula com força no noticiário, o que costuma diferenciar um projeto escolar de um produto médico é a necessidade de etapas longas de validação e testes clínicos, exigidas antes de qualquer aplicação hospitalar em larga escala.
Como funciona a premiação na competição internacional
A Regeneron ISEF premia projetos por categorias e também por prêmios especiais oferecidos por instituições, empresas e organizações parceiras, com cerimônias próprias e valores que podem incluir quantias em dinheiro, bolsas e oportunidades educacionais.
Na edição em que Sofia foi reconhecida, a cerimônia dos prêmios especiais ocorreu separadamente da entrega dos prêmios principais, reforçando a estrutura do evento como uma sequência de apresentações, avaliações e anúncios públicos de resultados para diferentes tipos de premiação.
No caso da estudante maranhense, o prêmio foi associado ao patrocinador Mary Kay Inc. e ao valor de US$ 750, seguindo a identificação oficial com nome, idade, projeto, escola e credenciamento, padrão usado pelos organizadores e por instituições brasileiras que publicam resultados.
O registro do trabalho também ajuda a delimitar a natureza do reconhecimento, porque o prêmio atesta mérito dentro de uma competição estudantil de grande porte, sem equivaler a autorização de uso médico, patente concedida ou validação clínica.
Ciência feita em escolas brasileiras ganha visibilidade internacional
O prêmio recebido por uma adolescente de Imperatriz evidencia como projetos desenvolvidos em escolas, com orientação docente e acesso a estruturas de laboratório, podem dialogar com temas científicos de fronteira e alcançar visibilidade em arenas competitivas fora do país.
Nesse tipo de circuito, a seleção passa por várias etapas, e chegar à fase internacional implica ter sido escolhido em disputas anteriores, o que torna a presença de estudantes brasileiros um indicador do trabalho de feiras nacionais e redes de iniciação científica.
Órgãos e instituições que acompanharam a participação do Brasil na edição de 2025 registraram que estudantes do país receberam reconhecimentos em diferentes frentes, reforçando que a delegação brasileira voltou a figurar entre os premiados em categorias variadas.
A história de Sofia reúne, ao mesmo tempo, um problema de saúde conhecido em qualquer país e a capacidade de transformar um tema técnico em pesquisa estruturada, com apresentação pública, método e documentação científica.
A divulgação oficial do resultado, com identificação da autora, do orientador, da escola e do prêmio, também oferece um caminho de verificação sobre o que foi apresentado e em qual categoria houve reconhecimento, algo considerado importante em assuntos relacionados à área da saúde.
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