O estudante Adam Kovalčík, de Dulovce, venceu a Regeneron ISEF em Columbus, Ohio, ao desenvolver um método mais curto e barato para produzir o galidesivir a partir de resíduos da palha de milho, reduzindo etapas, dobrando o rendimento e derrubando o custo de US$ 75 para US$ 12,50 por grama.
O estudante Adam Kovalčík, de 19 anos, colocou a Eslováquia no topo da maior competição pré-universitária de ciência do mundo ao superar quase 1.700 finalistas vindos de 48 estados dos Estados Unidos e de mais de 60 países, regiões e territórios. A vitória veio na 75ª edição da Regeneron ISEF, em Columbus, Ohio, com um projeto que ataca um ponto muito concreto da pesquisa farmacêutica: o custo de produção de um antiviral experimental.
O prêmio principal recebido por ele foi o George D. Yancopoulos de Inovação, no valor de US$ 100 mil. Mas o tamanho da conquista não está só no cheque. O estudante venceu porque apresentou um ganho técnico claro, com aplicação direta sobre a produção do galidesivir, reduzindo etapas, aumentando rendimento e usando milho como base de uma rota mais barata para fabricar o composto.
Como um estudante da Eslováquia venceu a principal feira pré-universitária de ciência

A Regeneron ISEF distribuiu mais de US$ 9 milhões em prêmios e bolsas de estudo em 2025.
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Dentro desse universo, o primeiro lugar dado ao estudante da Eslováquia teve peso especial porque a feira é tratada como a principal vitrine global para jovens pesquisadores antes da universidade.
Não é uma disputa escolar comum.
É um ambiente onde rigor experimental, clareza metodológica e potencial de impacto contam mais do que a apresentação em si.
Adam Kovalčík chegou a esse topo com um projeto que não dependeu de promessa vaga.
Ele apresentou uma solução de processo. Em vez de propor apenas uma nova hipótese sobre antiviral, mostrou como produzir o galidesivir de forma mais curta e eficiente.
Esse tipo de resultado costuma pesar muito em feiras de ciência, porque transforma conhecimento químico em ganho mensurável de tempo, custo e viabilidade.
A origem dele também ajuda a dimensionar a repercussão do caso.
Vindo de Dulovce, na Eslováquia, o estudante superou uma competição internacional com presença de jovens cientistas de dezenas de países.
O feito chama atenção porque desloca o foco do eixo tradicional das premiações e mostra que a ciência pré-universitária de alto nível não está restrita aos centros mais óbvios da disputa internacional.
Além disso, a própria organização tratou a edição de 2025 como um marco.
A feira chegou à 75ª edição reunindo projetos de várias áreas, de plásticos sustentáveis à detecção da qualidade do ar e próteses biônicas.
Ainda assim, o trabalho do estudante da Eslováquia ficou acima dos demais por combinar inovação química, redução de custo e potencial de impacto em saúde global.
O que ele fez com milho para baratear um antiviral

O centro do projeto está no galidesivir, um antiviral experimental cujos primeiros ensaios clínicos já demonstraram segurança em humanos e cujos testes em animais indicam possível eficácia contra um amplo espectro de vírus.
O problema, até aqui, é o custo elevado de produção. Foi justamente aí que o estudante concentrou sua pesquisa: não em reinventar do zero a molécula, mas em encontrar um caminho mais barato e mais curto para produzi-la.
Partindo de materiais baratos derivados de resíduos da palha de milho, Adam desenvolveu um método que reduziu o processo de 15 para 10 etapas.
Isso por si só já seria relevante. Mas ele avançou além: conseguiu produzir quase o dobro do medicamento em menos tempo.
Na prática, o projeto não só encurta a rota como aumenta a eficiência da própria fabricação, o que pesa diretamente sobre o custo final.
O número mais forte aparece justamente nessa conta.
Segundo a descrição do projeto, o novo método pode reduzir o custo desses medicamentos de US$ 75 por grama para cerca de US$ 12,50 por grama. Essa queda muda completamente a conversa em torno de um antiviral experimental.
Quando o custo despenca, a pesquisa fica mais acessível, o desenvolvimento fica menos travado e a chance de ampliar estudos futuros cresce.
O estudante também usou essas reações para criar um novo medicamento antiviral que pode ser ainda mais eficaz.
Esse ponto é importante porque mostra que o projeto não se limitou a otimizar uma rota industrial existente. Ele também abriu espaço para novas possibilidades químicas a partir da mesma lógica de síntese.
O resíduo de milho, nesse caso, deixou de ser descarte e virou ponto de partida para uma solução farmacêutica mais barata.
Por que a vitória pesa além dos US$ 100 mil
Ganhar US$ 100 mil aos 19 anos já seria suficiente para transformar qualquer trajetória acadêmica imediata.
Mas o caso de Adam Kovalčík pesa além do valor financeiro porque toca em uma questão central da indústria farmacêutica: medicamentos promissores muitas vezes esbarram menos na ideia científica do que no custo para produzi-los em escala.
O estudante venceu porque atacou exatamente essa barreira.
A fala da presidente e CEO da Society for Science, Maya Ajmera, reforça essa leitura ao destacar que a pesquisa dele tem potencial para mudar o impacto e a escala com que as pessoas podem se beneficiar de tratamentos importantes.
Isso não significa que o galidesivir já esteja disponível nem que o projeto resolva sozinho o acesso global a antivirais.
Significa que a ciência apresentada reduziu um obstáculo concreto, e isso já basta para explicar o peso do prêmio.
Há também um elemento simbólico forte.
Em uma edição que premiou projetos de reciclagem doméstica de plástico, detecção de poeiras tóxicas, prótese biônica controlada pelo cérebro e outras pesquisas de alto nível, foi um estudante da Eslováquia, trabalhando sobre um antiviral feito a partir de resíduos de milho, quem levou a principal distinção.
Isso diz muito sobre o que a feira valoriza: solução prática, originalidade e ganho real de eficiência.
O desempenho dele ainda recoloca a ideia de feira de ciência no lugar certo. Não como vitrine juvenil decorativa, mas como espaço onde projetos muito jovens já conseguem propor melhorias objetivas para problemas grandes.
Quando um estudante corta etapas, dobra rendimento e derruba custo em uma rota química complexa, o resultado deixa de ser só promissor e passa a ser competitivo.
O que essa conquista revela sobre a nova geração da ciência
A edição de 2025 da Regeneron ISEF reuniu quase 1.700 jovens cientistas e distribuiu mais de US$ 9 milhões em prêmios.
Mais de 450 finalistas receberam distinções, e outros projetos também chamaram atenção por atacar desafios concretos com soluções funcionais.
Ainda assim, a vitória de Adam resume bem o tipo de perfil que a competição está premiando: alguém capaz de unir base teórica forte, domínio experimental e aplicação prática imediata.
O próprio George D. Yancopoulos, da Regeneron, associou esse tipo de projeto à ideia de fazer perguntas ousadas e enfrentar desafios grandes com ciência inovadora. No caso do estudante da Eslováquia, isso não aparece como frase de efeito.
Aparece no desenho químico do trabalho, na escolha do milho como matéria-prima derivada de resíduo e na redução agressiva do custo de um antiviral que ainda precisa de mais estudos, mas já mostrou relevância suficiente para atrair atenção internacional.
Também chama atenção a idade. Aos 19 anos, o estudante venceu a maior feira pré-universitária do planeta com um projeto que discute segurança em humanos, eficácia em animais, síntese química e custo por grama.
Isso eleva bastante o sarrafo do que hoje se entende por pesquisa jovem, especialmente em áreas como química medicinal e desenvolvimento farmacêutico.
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