Reconhecimento internacional coloca estudante brasileira no centro de um debate que une física e biologia, com premiação em dólares e disputa global de ensaios científicos, enquanto pesquisadores tentam medir o papel de fenômenos quânticos em processos vivos.
A estudante carioca Gabriela Frajtag, de 20 anos, foi uma das premiadas em uma competição internacional de artigos científicos sobre biologia quântica, área que investiga se fenômenos da física quântica podem ter participação em processos de sistemas vivos.
Recém-graduada pela Ilum, faculdade vinculada ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), ela foi a única brasileira entre os vencedores divulgados pelos organizadores.
Promovido pelo Foundational Questions Institute (FQxI), em parceria com o Paradox Science Institute e com apoio do programa Ciência Pioneira, do IDOR, o concurso recebeu 97 textos de participantes de seis continentes, entre acadêmicos, médicos, cientistas e estudantes.
-
Por mais de 400 anos, marinheiros relataram cruzar um oceano que brilhava no escuro como neve, sem ondas e sem reflexos, apenas um brilho uniforme se estendendo até o horizonte, e em 2019 um satélite registrou o fenômeno cobrindo mais de 100.000 km² por mais de 40 noites seguidas ao sul de Java, mas os cientistas ainda não sabem exatamente o que desencadeia o processo
-
Japão vira referência com processo genial que recicla 100 toneladas de plástico por dia usando técnica que remove contaminantes, sensores ópticos que separam PP e PE em segundos e linhas industriais que transformam toneladas de resíduos em paletes reutilizáveis.
-
China criou máquina ‘impossível’ que muda a agricultura ao combinar drones, tratores autônomos com navegação centimétrica, sensores e inteligência artificial
-
A cidade flutuante movida a 2 reatores nucleares que abandona o vapor, usa campos eletromagnéticos para lançar aeronaves ao céu e inaugura uma nova era dos porta-aviões de guerra
Ao todo, oito autores foram premiados e dividiram US$ 53 mil, valor que tem sido citado como equivalente a cerca de R$ 300 mil.
Gabriela recebeu o Prêmio Especial de Graduação, no valor de US$ 3 mil, reservado a quem submeteu o trabalho ainda durante a graduação.
De acordo com a organização, os três primeiros colocados concentraram 80% do montante total distribuído nesta edição.
O que diz o ensaio da brasileira
O artigo premiado de Gabriela tem o título “The Quantum of Biology: History and Future”.
No texto, ela apresenta um panorama histórico do debate sobre biologia quântica e discute caminhos apontados na literatura para o avanço da área.
Uma das ideias centrais do ensaio é o que a autora chama de “quantum da biologia”.
Ela descreve o conceito como o conjunto mínimo de recursos quânticos que um sistema vivo precisaria gerar ou explorar para obter alguma vantagem adaptativa, dentro de uma abordagem teórica.
Em material institucional divulgado pelo CNPEM, Gabriela afirmou que não esperava ser premiada e comentou o impacto do resultado para sua trajetória.
“Ganhar um prêmio internacional foi uma grande surpresa. É algo que não só vai agregar para minha carreira, mas também me faz acreditar mais na minha capacidade como cientista”, disse.
O debate sobre biologia quântica e as perguntas do campo
A biologia quântica reúne hipóteses e estudos que procuram verificar se efeitos quânticos, como os observados em escala atômica e subatômica, podem influenciar processos biológicos.
Pesquisadores que trabalham com o tema discutem, entre outros pontos, quais condições permitiriam que certos efeitos persistissem em ambientes biológicos, marcados por temperatura, interações e ruído.
A própria competição foi apresentada pelos organizadores como uma iniciativa para reunir propostas e interpretações sobre a pergunta que orientou a edição: “How Quantum is Life?”, formulada em inglês como tema do concurso.
Segundo o diretor científico do FQxI, David Sloan, os textos premiados ajudam a mapear abordagens e a indicar questões que ainda dependem de investigação.
Dentro desse escopo, o ensaio de Gabriela foi reconhecido na categoria voltada a graduandos e passou a integrar a lista de vencedores ao lado de autores vinculados a instituições e atividades profissionais em diferentes países.
Da influência de Schrödinger ao Ano Internacional da Quântica
A aproximação entre física e biologia ganhou uma referência importante em 1944, quando o físico austríaco Erwin Schrödinger publicou o livro “What Is Life? The Physical Aspect of the Living Cell”.
A obra ficou conhecida por discutir como princípios da física poderiam ajudar a pensar características fundamentais da vida, em um período em que a genética moderna ainda estava em formação.
Schrödinger é um dos nomes associados ao desenvolvimento da mecânica quântica e formulou a equação que leva seu nome em 1926.
O debate em torno de um possível papel de fenômenos quânticos em sistemas vivos voltou a ganhar atenção em diferentes momentos ao longo do século XX e segue como uma agenda de pesquisa interdisciplinar.
Nesse contexto, 2025 foi declarado pela ONU, sob os auspícios da UNESCO, como o Ano Internacional da Ciência e Tecnologia Quânticas, em referência ao centenário de marcos associados ao desenvolvimento da teoria quântica.
Quem organiza a premiação e quem ficou no topo
O Foundational Questions Institute foi criado em 2006 pelos físicos Max Tegmark e Anthony Aguirre.
Segundo o próprio instituto, a organização financia pesquisas exploratórias em temas fundamentais das ciências físicas e afirma ter concedido mais de US$ 29 milhões em apoios e bolsas para projetos em diferentes áreas.
Na premiação principal do concurso, houve empate no primeiro lugar.
Os vencedores foram Samuel Morriss, médico na Austrália, e Connor Thompson, doutorando na Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, conforme a lista divulgada na página oficial da competição.
Além dos primeiros colocados, a organização anunciou outros premiados com segundo e terceiro lugares e menções honrosas.
Os autores selecionados dividiram o valor total previsto para esta edição, com distribuição diferenciada entre as categorias.
Gabriela, por sua vez, concluiu o curso de Ciência e Tecnologia na Ilum em dezembro de 2025, de acordo com a instituição, e participou do concurso como estudante de graduação.
Com o resultado, ela passou a figurar na lista de vencedores em uma competição internacional que reúne participantes de diferentes perfis e áreas.
Ah? È para Ingles ver!!!
Não querendo se meter onde não fui chamado, mas Erwin Schrödinger, vinculou a física quântica a biologia em uma proposta mental, seria a mesma coisa que eu ter um sensor de ondas gravitacionais e se ela captasse uma movimentação de um buraco negro ligasse uma bomba em Nova Iorque assim que explodisse poderia matar um monte de gente, fenômenos quânticos afetaria a biologia.
Esse assunto é tão difícil, que até agora não entendi o que ela descobriu! Preciso de desenho!!!!