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Aos 60 anos, idoso que foi alfabetizado pela EJA, concluiu o ensino médio e já se destacou em concurso público mostra que quem passou décadas longe da escola também pode reescrever a própria história

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 13/03/2026 às 19:21
Atualizado em 13/03/2026 às 19:22
Idoso de 60 anos é alfabetizado pela EJA, conclui ensino médio e aparece em concurso público em Rio Branco, mostrando impacto real do retorno à escola.
Idoso de 60 anos é alfabetizado pela EJA, conclui ensino médio e aparece em concurso público em Rio Branco, mostrando impacto real do retorno à escola.
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História de superação educacional em Rio Branco revela como retorno à escola na terceira idade pode transformar trajetórias interrompidas. Caso de morador acreano reúne alfabetização tardia, conclusão da educação básica, qualificação profissional e classificação em concurso público, evidenciando impacto concreto da Educação de Jovens e Adultos.

A trajetória de Francisco Manoel de Jesus da Silva, morador de Rio Branco, recolocou a Educação de Jovens e Adultos (EJA) no centro do debate local ao reunir, em uma única história, alfabetização, conclusão da escolaridade, qualificação profissional e resultado em concurso público.

Divulgado pela Prefeitura de Rio Branco em maio de 2025, o caso ganhou repercussão por mostrar, com etapas verificáveis, como o retorno à escola pode produzir efeitos concretos mesmo depois dos 60 anos.

Retomada dos estudos aos 60 anos

Segundo a administração municipal, Francisco entrou na EJA em 2019, na Escola Anice Dib Jatene, onde iniciou o processo de alfabetização.

A prefeitura informa que, ao longo desse percurso, ele concluiu o ensino médio e, mais tarde, terminou um curso profissionalizante na área de mecânica, consolidando uma retomada escolar que havia sido interrompida ainda na infância.

Idoso de 60 anos é alfabetizado pela EJA, conclui ensino médio e aparece em concurso público em Rio Branco, mostrando impacto real do retorno à escola.
Idoso de 60 anos é alfabetizado pela EJA, conclui ensino médio e aparece em concurso público em Rio Branco, mostrando impacto real do retorno à escola.

Ao relatar a própria experiência, Francisco afirmou que não teve oportunidade de estudar quando era criança e jovem.

Na publicação oficial, ele também disse que sempre sonhou em ser mecânico e que percebeu a necessidade de voltar a estudar para perseguir esse objetivo, associando a educação não apenas à realização pessoal, mas à abertura de caminhos profissionais concretos.

Da alfabetização ao concurso público

O avanço mais recente veio após a formação profissional.

Em 2024, Francisco participou de um concurso da Prefeitura de Rio Branco para o cargo de operador de máquinas agrícolas, de nível fundamental, e apareceu na classificação final em cadastro de reserva.

O resultado oficial do certame registra o nome dele na 29ª colocação da ampla concorrência, posição que simboliza um passo importante para alguém que passou grande parte da vida sem acesso à escolarização formal.

Esse encadeamento ajuda a explicar por que a história ganhou visibilidade.

Em geral, relatos sobre retorno tardio à escola costumam destacar apenas a alfabetização ou a entrega do certificado.

Neste caso, a sequência inclui ingresso na EJA, permanência nos estudos, formação profissional e participação em seleção pública, o que dá dimensão mais objetiva ao impacto da escolarização na vida do estudante.

A fala de Francisco, ao agradecer aos professores da EJA, também reforça o papel da escola na reconstrução dessa trajetória educacional.

Na publicação da prefeitura, ele atribui à equipe pedagógica parte importante da mudança e associa o incentivo recebido à possibilidade de ter avançado na própria formação, depois de décadas distante da educação formal.

Como funciona a EJA em Rio Branco

Idoso de 60 anos é alfabetizado pela EJA, conclui ensino médio e aparece em concurso público em Rio Branco, mostrando impacto real do retorno à escola.
Idoso de 60 anos é alfabetizado pela EJA, conclui ensino médio e aparece em concurso público em Rio Branco, mostrando impacto real do retorno à escola.

O caso dialoga diretamente com a estrutura da Educação de Jovens e Adultos mantida pela rede municipal de ensino.

Relatório Anual de Gestão da Secretaria Municipal de Educação informa que a modalidade é destinada a pessoas com mais de 15 anos que não tiveram acesso ou oportunidade de estudar no tempo regular.

O mesmo documento registra que a EJA é organizada em módulos semestrais divididos em duas etapas, chamadas EJA I, do 1º ao 5º ano, e EJA II, do 6º ao 9º ano do ensino fundamental.

A Escola Anice Dib Jatene, onde Francisco iniciou sua trajetória, aparece entre as unidades que ofertam a modalidade no município.

Esse dado conecta a narrativa individual a uma política pública estruturada, com rede educacional organizada e oferta formal de ensino, afastando a ideia de que se trata apenas de um episódio isolado.

Educação de jovens e adultos e impacto social

Além da oferta regular, a gestão municipal informa que mantém ações específicas voltadas ao atendimento de pessoas idosas dentro da política educacional.

Relatórios educacionais citam a inclusão de temas ligados ao Estatuto do Idoso e à promoção da saúde dentro do currículo da EJA, além da criação de turmas adaptadas para públicos que passaram décadas afastados da escola.

A abertura de turmas em instituições voltadas ao público idoso também aparece entre as iniciativas registradas pela secretaria, indicando uma tentativa de ampliar o acesso educacional para quem envelheceu sem concluir a escolaridade básica.

A trajetória de Francisco chama atenção porque contraria o senso comum de que a educação formal na terceira idade teria apenas valor simbólico.

No caso dele, o retorno à sala de aula apareceu ligado a resultados mensuráveis, como alfabetização, avanço escolar, qualificação técnica e presença em lista oficial de concurso público.

Ainda que a classificação em cadastro de reserva não represente nomeação automática, ela funciona como indicador de inserção em espaços antes inacessíveis para quem passou grande parte da vida sem escolarização.

Ao mesmo tempo, o percurso expõe uma demanda que ultrapassa a história pessoal.

A própria Secretaria Municipal de Educação reconhece a necessidade de ampliar a cobertura da EJA e fortalecer programas de busca ativa para jovens, adultos e idosos que ainda não concluíram a educação básica.

Experiências como a de Francisco Manoel de Jesus da Silva acabam ganhando visibilidade justamente por revelar uma realidade que permanece presente em diferentes regiões do país, onde milhares de brasileiros seguem tentando recuperar o acesso à escola depois de décadas afastados do sistema educacional.

No noticiário, trajetórias desse tipo costumam mobilizar interesse imediato por combinar idade avançada, retorno à escola e resultados práticos na vida cotidiana.

Neste caso, a diferença está na documentação pública do percurso, com identificação da escola, modalidade de ensino cursada, formação profissional e classificação registrada em resultado oficial de concurso.

Com isso, a história deixa de ser apenas um relato inspirador e passa a representar um exemplo concreto de como políticas de alfabetização e continuidade escolar podem alterar o horizonte de quem passou grande parte da vida longe da sala de aula.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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