Uma proteína experimental testada por equipe da UFRJ entrou no radar de pesquisadores e pacientes após relatos de recuperação de movimentos em lesões graves na medula, em meio a etapas regulatórias e resultados divulgados por instituições e reportagens.
Um estudo liderado pela bióloga Tatiana Coelho Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), testou uma proteína experimental chamada polilaminina em pessoas com lesão grave na medula espinhal e registrou recuperação de movimentos em parte dos participantes, conforme relatos divulgados por canais institucionais e reportagens.
O caso mais citado nessas publicações é o de Bruno Drummond de Freitas, que, segundo o que foi publicado por órgãos de fomento e pela própria universidade, voltou a andar após receber a substância.
Ainda de acordo com essas fontes, o tratamento permanece em fase experimental e depende de etapas regulatórias e de pesquisas clínicas para avançar.
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Por isso, não há indicação de disponibilidade ampla para uso em serviços de saúde.
Lesões na medula espinhal podem causar perda de função motora e sensitiva ao interromper a comunicação entre o cérebro e o corpo.
Em quadros graves, a recuperação costuma ser limitada e varia conforme o tipo e a extensão do trauma, segundo literatura médica e a prática clínica descrita em materiais de reabilitação.
Nesse contexto, a proposta da polilaminina é atuar no local do trauma para favorecer a reorganização de conexões neurais, como descrevem materiais públicos associados ao projeto.
A abordagem, segundo a divulgação institucional, inclui aplicação durante procedimento cirúrgico e acompanhamento de reabilitação.
Tatiana Coelho Sampaio, UFRJ e a pesquisa sobre medula espinhal
Tatiana Sampaio chefia o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular, no Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, e estuda há décadas o papel de proteínas da matriz extracelular no crescimento e na comunicação entre neurônios, conforme descrições institucionais.
A CAPES afirma, em material sobre o tema, que a linha de pesquisa começou no fim dos anos 1990 e evoluiu até uma parceria com o laboratório farmacêutico Cristália, responsável por produzir o composto em escala maior para estudos.
A mesma publicação menciona investimento informado pela empresa e registra que UFRJ e Cristália assinaram acordo de copropiedade em 2021, além de citar a existência de patente relacionada ao desenvolvimento da polilaminina.
Esses pontos são apresentados como parte do caminho para viabilizar a produção sob condições adequadas para pesquisa em humanos.
Ao longo de 2025, reportagens passaram a destacar resultados preliminares divulgados pela equipe e o avanço da tramitação para estudos clínicos.
Em janeiro de 2026, a Associação dos Docentes da UFRJ (Adufrj) informou que a Anvisa autorizou o início de uma primeira fase de estudo clínico em humanos, voltada a avaliar segurança e possíveis efeitos adversos.
O que é polilaminina e como a proteína é aplicada
A polilaminina é apresentada como uma forma polimerizada da laminina, proteína associada ao desenvolvimento do sistema nervoso.
A Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) descreve que a laminina, mais abundante na fase embrionária, ajuda na organização de conexões neurais e se torna rara no organismo adulto.
Segundo a Faperj, a estratégia do grupo é recriar, em laboratório, uma estrutura que funcione como suporte para orientar o crescimento de fibras nervosas após a lesão.
A fundação relaciona essa proposta à ideia de favorecer a reconexão de circuitos interrompidos pelo trauma.
As descrições públicas sobre a origem do material convergem na menção à placenta como fonte de proteína.
De acordo com publicações ligadas ao tema, a laminina pode ser obtida a partir de placentas, material que pode ser aproveitado para extração e processamento, e então transformada em polilaminina para aplicação no local da lesão, no âmbito experimental.
Reportagem da CNN Brasil registrou declaração de Tatiana Coelho Sampaio ao comparar a substância com outras abordagens em discussão, como terapias com células-tronco, e ao mencionar aspectos como custo e padronização.

Essa comparação aparece como fala atribuída à pesquisadora e, nos próprios relatos, é apresentada no contexto de um tratamento ainda em investigação.
Outro ponto recorrente nos materiais é o momento de aplicação.
A Faperj cita que a intervenção foi planejada para ocorrer próxima ao evento traumático, durante cirurgia e diretamente na área lesionada, com reabilitação na sequência; a publicação também indica que a chamada “janela” de tempo pode influenciar os resultados observados.
Resultados em humanos: o que foi divulgado sobre tetraplegia e recuperação de movimentos
Nas redes sociais, circulam versões que afirmam que seis tetraplégicos “voltaram a andar”.
Nas fontes institucionais e em reportagens citadas anteriormente, o que aparece com mais consistência é que houve um número pequeno de aplicações com recuperação de movimentos em diferentes graus, com destaque para um caso de retorno da marcha e relatos de ganhos funcionais em outros participantes.
Em publicação da Faperj, Bruno Drummond de Freitas relata que, semanas após o procedimento, conseguiu mover o dedão do pé e, posteriormente, voltou a andar.
No mesmo material, ele atribui a recuperação ao estudo: “Eu fui a segunda pessoa a receber essa medicação… foi graças a essa pesquisa… que eu voltei a andar”, disse, em trecho divulgado pela fundação.
A CAPES também registra que houve testes em pessoas, além de experimentos em animais, e ressalta que o tratamento não está disponível em larga escala e depende de novas fases de estudo.
Já a CNN Brasil, ao tratar do tema em setembro de 2025, mencionou pacientes com diferentes causas de trauma e descreveu que os resultados divulgados incluíam recuperação parcial ou total de mobilidade em casos acompanhados no contexto experimental, ao mesmo tempo em que apontou a necessidade de avanço regulatório.
Com base nessas publicações, a afirmação de que seis pessoas com tetraplegia voltaram a andar não aparece confirmada com o mesmo grau de detalhamento e validação independente.
O que se encontra, de forma documentada nos materiais consultados, é a descrição de melhoras motoras em um grupo reduzido, com um caso amplamente divulgado de retorno da marcha e outros relatos de recuperação em níveis variados.
Anvisa, estudo clínico e próximos testes com lesão medular
O avanço regulatório é apresentado como etapa necessária para transformar resultados preliminares em evidência clínica mais ampla.
Segundo a Adufrj, a Anvisa autorizou uma fase inicial voltada a avaliar segurança e potenciais efeitos colaterais, com número limitado de participantes, como costuma ocorrer em etapas iniciais de estudos clínicos.
Na mesma divulgação, Tatiana Sampaio afirma que o objetivo é, depois dessa etapa, ampliar as pesquisas e investigar o efeito em lesões crônicas, que já têm meses ou anos de evolução.
Essa possibilidade aparece como plano de pesquisa associado ao cronograma regulatório e à obtenção de resultados nas fases seguintes.
Reportagens também mencionam parcerias com instituições de saúde para procedimentos e reabilitação.
A CNN Brasil citou envolvimento do Hospital das Clínicas da USP e da AACD em etapas previstas, no contexto da continuidade do desenvolvimento e da estrutura necessária para conduzir estudos.
Diante do interesse gerado pelo tema, a questão central para pesquisadores, pacientes e autoridades sanitárias passa a ser como os resultados vão se comportar em estudos maiores, com critérios padronizados e acompanhamento mais longo.

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