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Após 6 anos e R$ 65 bilhões em dívidas, saiba como a maior operadora do Brasil tem falência decretada pela Justiça do Rio de Janeiro

Escrito por Carla Teles
Publicado em 19/11/2025 às 11:18
Atualizado em 19/11/2025 às 11:19
Após 6 anos e R$ 65 bilhões em dívidas, a maior operadora do Brasil tem falência decretada pela Justiça do Rio de Janeiro
Descubra como a maior operadora do Brasil faliu. Analisamos os erros que culminaram em R$ 55 bilhões em dívidas, a dupla recuperação judicial e a liquidação final da Oi.
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Da liderança inabalável à falência bilionária: Entenda o colapso da Oi

A maior operadora do Brasil faliu em um desfecho que encerra uma das mais longas e conturbadas tentativas de recuperação judicial do país. A trajetória do grupo Oi é um estudo de caso complexo, marcado por ambição, poder e um colapso financeiro monumental. De líder absoluta no setor de telecomunicações a símbolo de uma das maiores falências corporativas da história brasileira, a empresa que já foi avaliada em mais de R$ 21 bilhões mergulhou em dívidas, enfrentou duas recuperações judiciais e, agora, tem sua falência decretada pela Justiça do Rio de Janeiro.

O veredito final veio no dia 10 de novembro de 2025, pela juíza da Sétima Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, conforme noticiado pelo Canal Conhecimento Desruptivo. Com R$ 1,7 bilhão em dívidas e 36 mil investidores em risco de perda total, a falência foi considerada inevitável diante da incapacidade de reestruturação. Afinal, como uma gigante da conexão chegou à ruína, precisando depender de suas concorrentes para sobreviver e vendendo “pedaços de si mesma até não restar mais nada”.

Quem foi a Oi e como tudo começou?

A história da Oi tem suas raízes em 1972 com a criação da Telebrás, uma estatal responsável por toda a telefonia do Brasil. No entanto, com o passar dos anos, a Telebrás não conseguiu acompanhar a demanda, apresentando cobertura limitada e baixa qualidade de serviço. A privatização em 1998 foi o marco que mudou esse cenário. A estatal foi dividida em 12 partes regionais e leiloada, movimentando cerca de R$ 22 bilhões.

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Dessa divisão nasceram as “teles”, incluindo a Tele Norte Leste, que operava 16 empresas de telefonia fixa. Em 2001, a Tele Norte Leste unificou suas operadoras, criando a Telemar. Essa marca evoluiu e, mais tarde, deu origem à Oi. Já em 2001, a Telemar abriu seu capital na bolsa e, em 2002, tornou-se a companhia com maior valor de mercado da América Latina, lançando sua divisão móvel que, inicialmente, se chamava Oi. O ponto de virada veio em 2007, quando o grupo Telemar unificou todas as suas marcas sob o nome único: Oi.

A Oi se destacou por sua postura inovadora. Em 2008, foi a primeira operadora a lançar a tecnologia 3G no Brasil e a oferecer internet via satélite em todo o território nacional. Com grandes investimentos de instituições como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, a Oi se consolidava como uma das maiores operadoras do país, conforme detalhado pelo Canal Conhecimento Desruptivo.

Quanto o erro estratégico custou à companhia?

Apesar do auge financeiro no início da década de 2010, quando atingiu uma receita de R$ 29 bilhões, a prosperidade da Oi era uma ilusão. A empresa continuava acumulando prejuízos bilionários, com o lucro jamais se concretizando. Um dos erros estratégicos que drenou o caixa da companhia foi a compra da Pegasus por R$ 35 milhões, que veio acompanhada de uma dívida de mais de R$ 39 milhões. A intenção era transformar a Oi em uma provedora completa de serviços corporativos, mas o plano resultou em mais endividamento.

O erro que se revelou mais custoso, no entanto, foi a compra da Brasil Telecom em 2008 por R$ 5,8 bilhões, uma das maiores operadoras de telefonia fixa. O que parecia ser uma jogada de expansão nacional rapidamente se tornou um problema, pois a Brasil Telecom carregava uma dívida superior a R$ 3 bilhões. As dívidas se acumularam assustadoramente. Em 2013, o passivo total da Oi, somando todas as aquisições, já ultrapassava os R$ 40 bilhões.

Em busca de um respiro, a empresa tentou uma fusão com a Portugal Telecom em 2010. A Portugal Telecom injetou um aporte de R$ 5 bilhões, adquirindo 23% da participação. Contudo, esse aporte não veio em dinheiro, mas em ativos que incluíam R$ 3 bilhões aplicados em títulos de dívida da Rio Forte, uma subsidiária de um banco português. Quando a Rio Forte faliu, a Oi absorveu o prejuízo, vendo suas dívidas dispararem ainda mais. No final de 2015, a dívida total da Oi já se aproximava de R$ 55 bilhões, mesmo com uma receita próxima a R$ 28 bilhões, marcando o início do colapso, como bem aponta o Canal Conhecimento Desruptivo.

Por que o domínio da telefonia fixa entrou em colapso?

A maior crise da história das telecomunicações da Oi ocorreu em 2015. O setor de telefonia fixa havia sido por anos o coração e a principal fonte de receita da operadora. Contudo, o avanço acelerado da telefonia móvel e o uso massivo de smartphones fizeram a demanda por linhas fixas despencar. Essa mudança no comportamento do consumidor, somada a uma gestão ineficiente e a falhas estratégicas, afetou drasticamente o faturamento da companhia, que já estava com o caixa zerado e dívidas gigantescas a vencer.

Sem alternativas, em 2016, a Oi entrou em sua primeira recuperação judicial, que foi uma das maiores da história do Brasil, com uma dívida que ultrapassava R$ 65 bilhões. O plano de recuperação foi aprovado em dezembro de 2017, dando um prazo de 20 anos para o pagamento. A estratégia era vender tudo que não fosse essencial. A Oi se desfez de ativos, torres e vendeu sua base de clientes de TV. O maior movimento foi o leilão da Oi Móvel.

Em 2019, Tim, Claro e Vivo se uniram e arremataram a Oi Móvel por R$ 16,5 bilhões. Após anos de burocracia e investigações do CADE e da Anatel, a venda foi aprovada em 2022 por R$ 15,9 bilhões. Essa venda permitiu que a Oi quitasse parte da dívida, encerrando o processo de recuperação judicial após 6 anos. Entretanto, a calmaria durou pouco.

Onde a empresa errou na tentativa final de sobrevivência?

Apenas três meses após encerrar a primeira recuperação judicial, em março de 2023, a Oi fez um novo pedido de recuperação judicial, alegando dificuldades financeiras ainda mais graves. A companhia ainda carregava uma dívida colossal de R$ 43 bilhões. Para tentar evitar a falência, a empresa focou em vender ainda mais ativos e concentrar-se na fibra ótica e na Oi Soluções (serviços corporativos de TI), buscando atender empresas e órgãos públicos em vez de consumidores individuais.

No entanto, o esforço não foi suficiente. Segundo a sentença judicial, a falência foi inevitável porque a Oi passou os últimos anos dependendo exclusivamente da venda de ativos para manter o caixa em funcionamento, em vez de gerar receita por meio de sua atividade principal. Em outras palavras, a companhia sobreviveu vendendo “pedaços de si mesma” até não restar mais nada. No final do primeiro semestre de 2025, a empresa tinha uma dívida líquida de R$ 10 bilhões e apenas R$ 1 bilhão em caixa, um retrato de sua insolvência, de acordo com o Canal Conhecimento Desruptivo.

Vale a pena acompanhar a liquidação?

Com a falência decretada, a Justiça inicia o processo formal de liquidação, no qual os bens serão avaliados e vendidos para pagamento dos credores, seguindo a ordem de prioridade da lei de falências. Os acionistas e investidores, que estão no fim da fila, enfrentam grande chance de perda total do investimento. Ações da Oi despencaram 35% logo após o anúncio da falência.

Apesar da quebra, a Justiça determinou que a Oi mantenha os serviços essenciais durante a transição, como telefonia fixa, rede de emergência e interconexão, garantindo a continuidade de serviços críticos, como os 75.500 telefones públicos ativos e a rede das lotéricas da Caixa. Embora grandes credores tenham recorrido da decisão, argumentando que a falência não era a melhor alternativa, a juíza manteve a sentença, encerrando a história de uma operadora que um dia foi o símbolo de poder das telecomunicações brasileiras.

Essa história de erros estratégicos e um passivo bilionário levanta muitas questões: Você concorda com a venda da Oi Móvel para as concorrentes? Acha que a falência da maior operadora do Brasil impacta o mercado de telecomunicações hoje? Deixe sua opinião nos comentários, queremos ouvir quem vive essa mudança na prática e sentiu o impacto no dia a dia.

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Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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