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Após 94 dias observando o Sol, cientistas explicam como uma única região solar se tornou tão poderosa a ponto de causar prejuízos tecnológicos, falhas em satélites e impactos econômicos globais

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 03/02/2026 às 23:23
Atualizado em 03/02/2026 às 23:37
Monitoramento de 94 dias da região solar NOAA 13664 revelou evolução magnética ligada às maiores tempestades solares desde 2003.
Monitoramento de 94 dias da região solar NOAA 13664 revelou evolução magnética ligada às maiores tempestades solares desde 2003.
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O acompanhamento quase contínuo da região solar NOAA 13664 por 94 dias, entre abril e julho de 2024, combinou dados de duas sondas espaciais e permitiu observar, ao longo de três rotações solares, a evolução de campos magnéticos complexos associados às tempestades geomagnéticas mais intensas desde 2003 e a impactos tecnológicos na Terra

O acompanhamento quase contínuo da NOAA 13664 por 94 dias permitiu a cientistas observar como uma região solar superativa evoluiu ao longo de três rotações do Sol, resultando nas tempestades geomagnéticas mais intensas registradas na Terra desde 2003, em maio de 2024.

Monitoramento inédito da região solar NOAA 13664

O Sol completa uma rotação em torno de seu eixo a cada cerca de 28 dias, o que normalmente limita a observação de uma região ativa a aproximadamente duas semanas a partir da Terra. Após esse período, a área permanece oculta por tempo semelhante no lado oposto do astro.

A missão Solar Orbiter, lançada pela Agência Espacial Europeia em 2020, ampliou esse campo de observação ao orbitar o Sol a cada seis meses e também visualizar o lado oculto.

Entre abril e julho de 2024, a sonda acompanhou a NOAA 13664, considerada uma das regiões solares mais ativas observadas em duas décadas.

Quando a NOAA 13664 tornou-se visível em maio de 2024, desencadeou tempestades geomagnéticas classificadas como as mais intensas desde 2003. O fenômeno foi responsável por auroras boreais observadas até o sul da Suíça, segundo pesquisadores envolvidos no estudo.

Combinação de dados de duas sondas espaciais

Para compreender como regiões superativas se formam, evoluem e afetam o Sol, uma equipe internacional liderada por pesquisadores da ETH Zurich reuniu observações de duas missões espaciais distintas.

Foram combinados dados do Solar Orbiter, que observava a NOAA 13664 no lado oculto, e do Observatório de Dinâmica Solar da NASA, posicionado na linha Terra-Sol.

Essa integração permitiu acompanhar a região ativa com lacunas mínimas durante 94 dias consecutivos. Segundo os pesquisadores, trata-se da série contínua de imagens mais longa já produzida para uma única região solar ativa, considerada um marco na física solar moderna.

O grupo conseguiu registrar o nascimento da NOAA 13664 em 16 de abril de 2024, ainda fora do campo de visão da Terra, bem como todas as transformações sofridas pela região até seu declínio após 18 de julho de 2024.

Campos magnéticos e eventos extremos no Sol

Regiões ativas do Sol são moldadas por campos magnéticos intensos e complexos, formados quando plasma fortemente magnetizado emerge para a superfície solar. Essas estruturas podem desencadear eventos explosivos, como erupções solares e ejeções de plasma e partículas de alta energia para o espaço.

Durante tempestades solares, o Sol libera radiação eletromagnética intensa e matéria de sua atmosfera, fenômenos capazes de produzir auroras e afetar sistemas tecnológicos. Os pesquisadores observaram que a NOAA 13664 desenvolveu, ao longo de três rotações solares, uma estrutura magnética cada vez mais intrincada.

Esse processo culminou na liberação da erupção solar mais intensa dos últimos vinte anos no lado oculto do Sol, registrada em 20 de maio de 2024. A evolução gradual da complexidade magnética foi acompanhada em detalhes graças ao monitoramento prolongado.

Impactos tecnológicos associados à NOAA 13664

As tempestades solares associadas à NOAA 13664 tiveram efeitos além das auroras. Esses eventos podem provocar apagões elétricos, interferências em sinais de comunicação, aumento da exposição à radiação para tripulações aéreas e danos a satélites em órbita.

Um exemplo citado no contexto do estudo ocorreu em fevereiro de 2022, quando 38 dos 49 satélites Starlink lançados pela SpaceX foram perdidos em dois dias após uma tempestade solar. Fenômenos semelhantes ajudam a ilustrar os riscos associados à atividade solar intensa.

Em maio de 2024, os efeitos do tufão solar ligado à NOAA 13664 também atingiram a agricultura digital. Sinais de satélites, drones e sensores agrícolas foram interrompidos, causando perda de dias de trabalho e resultando em quebras de safra com prejuízos econômicos consideráves.

Avanços para previsões de clima espacial

O rastreamento detalhado da NOAA 13664 permitiu, pela primeira vez, observar três rotações solares completas de uma mesma região superativa. Os pesquisadores acompanharam como o campo magnético se desenvolveu em múltiplos episódios, fornecendo dados inéditos para a compreensão das tempestades solares.

Essas observações devem contribuir para aprimorar as previsões de clima espacial, com o objetivo de proteger tecnologias sensíveis utilizadas na Terra. Atualmente, embora seja possível identificar regiões com campos magnéticos extremamente complexos, ainda não é viável prever com precisão a magnitude, o número ou o momento exato das erupções solares.

Como próximo passo, a Agência Espacial Europeia desenvolve a missão Vigil, dedicada exclusivamente ao estudo do clima espacial. O lançamento da nova sonda está previsto para 2031 e deverá ampliar a capacidade de monitoramento e compreensão dos impactos solares sobre o ambiente terrestre.

O estudo que detalha o acompanhamento da NOAA 13664 foi publicado em 5 de dezembro de 2025 na revista Astronomy & Astrophysics, documentando um dos mais longos e completos registros já obtidos de uma única região ativa do Sol.

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Alex Sandro
Alex Sandro
09/02/2026 19:32

Hahaha quanta mentira
sério mesmo eu não acredito

Elizeu Marri
Elizeu Marri
06/02/2026 00:06

Deus tem o controle de tudo,foi ELE quem criou todas as estrelas,o Sol,o universo,com suas galáxias, e todos os planetas na via láctea, tudo está nas mãos de Deus

Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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