Com investimento de US$ 7 bilhões, a ferrovia costura Mar Vermelho e Golfo ao ligar Jidá, Riade, Dammam, Jubail, Yanbu e Porto Rei Abdullah, promete corredor marítimo terrestre, sete centros logísticos, 200 mil empregos e integração profunda com investimentos chineses recentes voltados a energia, manufatura e logística na Visão 2030.
Anunciada em 2004 e interrompida em 2010, a megaobra que hoje ganha forma na Arábia Saudita voltou ao planejamento em 2011 e finalmente saiu do papel no início deste ano, quando começou a construção da Landbridge, ferrovia de US$ 7 bilhões que liga Jidá, no Mar Vermelho, a Dammam, no Golfo Pérsico. Pensada como peça central da Visão 2030, a ferrovia costura Mar Vermelho e Golfo ao conectar portos, polos industriais e o próprio deserto em um corredor leste oeste para cargas e passageiros.
Com mais de 1.400 km de trilhos novos e modernizados, incluindo 950 km entre Riade e Jidá e extensões até o Porto Rei Abdullah, Yanbu, Jubail e o Aeroporto Internacional Rei Khalid, o corredor promete economizar até US$ 4,2 bilhões por ano em custos de transporte e gerar cerca de 200 mil empregos em setores ligados à nova rede logística. Em dezembro de 2023, empresas como Hill International, Italferr e Sener foram contratadas para gerenciar o projeto, enquanto a parceria com a China, reforçada pela visita de Xi Jinping em 2022, fez o estoque de investimento direto chegar a US$ 8,2 bilhões em 2024, além de compromissos de US$ 16,8 bilhões em novos projetos de energia, manufatura e logística.
Landbridge vira espinha dorsal ferroviária da Arábia Saudita
O chamado primeiro corredor ferroviário marítimo da Arábia Saudita é o coração da estratégia de transporte do país.
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A Landbridge combina cerca de 1.500 km de novos trilhos com trechos modernizados, criando uma espinha dorsal que cruza o território de oeste a leste.
No núcleo do projeto está uma linha de 950 km ligando Riade a Jidá, estendida por mais 146 km ao norte até o Porto Rei Abdullah.
A rede ainda inclui 115 km entre Dammam e Jubail, melhorias na ligação Riade Dammam, um desvio ferroviário em Riade e uma extensão de 172 km do Porto Rei Abdullah até a Cidade Industrial de Yanbu.
Com isso, a ferrovia costura Mar Vermelho e Golfo ao conectar Jidá, Dammam, Jubail, Riade, o Aeroporto Internacional Rei Khalid, o Porto Rei Abdullah e Yanbu em uma mesma malha, criando um novo eixo competitivo para o fluxo de mercadorias entre o Mediterrâneo, o Golfo Pérsico e os mercados asiáticos.
Ligação ferroviária de Riade destrava circulação de mercadorias
Uma etapa considerada estratégica é a ligação ferroviária de Riade, linha de 35 km que atravessa a capital da zona norte à zona sul.
Esse trecho fará a conexão física entre a Ferrovia Norte Sul e a Rede Ferroviária Oriental, permitindo que cargas vindas de diferentes regiões do país acessem o novo corredor leste oeste.
A Saudi Arabia Railways convidou grandes empreiteiras a apresentarem manifestações de interesse para esse trecho, que inclui a construção de viadutos, sistemas de sinalização, infraestrutura e obras civis.
A meta é que a ligação atenda a padrões internacionais de segurança e eficiência, funcionando como um entroncamento capaz de agilizar a circulação de mercadorias por toda a rede.
Na prática, quando a ligação de Riade estiver integrada à Landbridge, a ferrovia costura Mar Vermelho e Golfo em um sistema contínuo, ligando o interior do país aos principais portos e terminais logísticos, com menos dependência do transporte rodoviário em longas distâncias.
Sete centros logísticos e nova geografia dos portos
Além dos trilhos, o plano prevê sete novos centros logísticos ao longo das rotas principais.
Esses hubs vão concentrar operações de armazenagem, consolidação de cargas e conexão com outros modais, aumentando a flexibilidade do sistema.
A expectativa é que a movimentação entre Jidá, Dammam, Jubail, Riade, o Aeroporto Internacional Rei Khalid, o Porto Rei Abdullah e Yanbu se torne mais rápida e previsível, reforçando o papel do país como ponto de passagem de mercadorias entre Europa, Ásia e África.
Ao integrar portos do Mar Vermelho e do Golfo Pérsico, a ferrovia costura Mar Vermelho e Golfo em um corredor que pode disputar rotas hoje dominadas por rotas marítimas tradicionais, ao mesmo tempo em que cria uma base terrestre para apoiar cadeias de suprimento de energia, petroquímica e manufatura.
Consórcio Saudi China Landbridge lidera obra bilionária
A execução da Landbridge está nas mãos do Consórcio Saudi China Landbridge, que reúne a Saudi Arabia Railways e a China Civil Engineering Construction Company, com suporte local da Al Ayuni Contracting.
A obra também envolve empresas internacionais como Systra, Thales, WSP, Aldhabaan & Partners / Eversheds Sutherland, ALG Infrastructure e Calx Consultancy, responsáveis por diferentes frentes de engenharia, consultoria e projetos.
Em dezembro de 2023, a norte americana Hill International, a italiana Italferr e a espanhola Sener foram contratadas para prestar serviços de gestão de projetos, reforçando o caráter multinacional da iniciativa.
A cooperação entre Arábia Saudita e China segue acelerando, com empresas de vários países disputando espaço em uma das maiores frentes de infraestrutura do Oriente Médio.
China amplia presença na Arábia Saudita com foco em logística
A Landbridge também simboliza a nova fase da relação entre Arábia Saudita e China. Após a visita de Xi Jinping em 2022, os dois países se comprometeram a acelerar projetos de infraestrutura e investimentos alinhados à Visão 2030.
Desde então, o investimento chinês no reino cresceu de forma expressiva.
O estoque de Investimento Estrangeiro Direto chegou a US$ 8,2 bilhões em 2024, um avanço de 29 por cento em relação a 2023.
Só em 2023, a China tornou se a maior fonte de investimento em novos projetos na Arábia Saudita, comprometendo US$ 16,8 bilhões em energia, manufatura e logística, boa parte ligada justamente ao corredor que faz a ferrovia costura Mar Vermelho e Golfo e redesenha as rotas de exportação do país.
Com a Landbridge em andamento, a Arábia Saudita consegue mesmo transformar o deserto em ponte de carga entre continentes ou o mundo ainda vai preferir rotas marítimas tradicionais?

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