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Argentinos escolhem Brasil em massa e provocam rombo bilionário no turismo: dólar barato, passagens 50% mais baratas que destinos locais e fuga recorde de 763 mil pessoas

Escrito por Alisson Ficher
Publicado el 25/12/2025 a las 14:01
Actualizado el 25/12/2025 a las 14:02
Saída recorde de argentinos ao exterior amplia déficit do turismo, pressiona reservas e favorece Brasil com dólar barato e preços mais competitivos.
Saída recorde de argentinos ao exterior amplia déficit do turismo, pressiona reservas e favorece Brasil com dólar barato e preços mais competitivos.
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Fluxo crescente de viagens ao exterior amplia déficit histórico do turismo argentino, pressiona reservas em dólar e ocorre em meio a decisões do governo sobre estatísticas oficiais e tentativas de estimular o mercado interno diante da concorrência regional.

A Argentina voltou a registrar, em novembro, um forte desequilíbrio na balança turística, com mais residentes viajando ao exterior do que estrangeiros entrando no país.

Dados oficiais do Indec mostram que 763,8 mil turistas residentes saíram do território argentino no mês, enquanto 491,4 mil turistas não residentes chegaram ao país.

A diferença, de 272,4 mil turistas, ampliou o déficit na comparação com o mesmo período do ano anterior e reforçou a pressão sobre um setor que movimenta moeda estrangeira em um momento de atenção permanente às reservas do Banco Central.

O movimento ocorre num cenário de câmbio considerado favorável para consumir fora do país, somado a uma diferença de preços que tornou destinos externos mais competitivos para o bolso argentino.

Nesse contexto, o Brasil aparece como principal beneficiado, especialmente com viagens para cidades litorâneas e capitais do Sudeste, em um fluxo que se intensifica na preparação para a alta temporada.

Novembro intensifica saída de argentinos e amplia déficit turístico

O avanço do turismo emissivo não foi acompanhado pelo turismo receptivo.

Pelo recorte do Indec, a queda na chegada de turistas estrangeiros em novembro ocorreu ao mesmo tempo em que as saídas cresceram em ritmo de dois dígitos na comparação anual.

Quando se consideram também os excursionistas, o Indec aponta que entraram 795,3 mil visitantes não residentes no mês, número que inclui pessoas que não pernoitam no país.

Ainda assim, a diferença entre entradas e saídas segue negativa, o que ajuda a explicar por que o debate sobre o rombo do turismo passou a ganhar espaço na agenda econômica local.

Em Buenos Aires, o quadro se conecta ao esforço do governo de Javier Milei de manter variáveis financeiras sob controle, inclusive o câmbio.

Esse componente é central para o turismo.

Quando o país fica mais caro em dólares e destinos vizinhos ficam relativamente mais baratos, a decisão do consumidor tende a migrar para fora.

Câmbio oficial e preços explicam vantagem de viajar ao exterior

Analistas ouvidos pela imprensa argentina têm apontado que o incentivo para viajar não depende só da renda, mas também da forma como o turista efetivamente acessa o câmbio.

Em especial, a possibilidade de pagar consumos no exterior com referência próxima ao câmbio oficial, em determinadas condições, reduziu a diferença em relação a períodos em que a conta do turismo era bem mais cara.

A disputa, no entanto, não se resume ao câmbio.

Um levantamento citado pela imprensa argentina, assinado por Laura Vernelli, da consultoria Equilibra, comparou custos médios diários projetados para pacotes do verão.

Os dados indicaram que destinos domésticos como Ushuaia, Villa Carlos Paz e Pinamar apareciam acima de US$ 170 a US$ 250 por dia.

No exterior, opções como Florianópolis e Santiago ficavam entre US$ 109 e US$ 147 diários.

Para Daniel Schteingart, diretor de Desenvolvimento Produtivo Sustentável da Fundar, o câmbio não explica tudo.

“Em um país com alta volatilidade, aparece um componente de oportunismo: muitos decidem viajar agora porque não sabem quanto tempo esse contexto vai durar”, afirmou.

A leitura sugere que parte da demanda é antecipada por incerteza, e não apenas por um cálculo de preços.

Corte de pesquisas do Indec gera controvérsia no setor de turismo

A divulgação do novo salto do déficit coincidiu com uma decisão que abriu controvérsia na Argentina.

O governo anunciou a interrupção, a partir de 1º de janeiro de 2026, do financiamento de pesquisas estatísticas usadas para medir o turismo internacional e a ocupação hoteleira.

Reportagens de veículos argentinos relataram que o corte está associado à Secretaria de Turismo e Meio Ambiente, comandada por Daniel Scioli.

A medida envolve séries históricas usadas por empresas e analistas para acompanhar o setor.

A mudança é sensível porque o turismo não se limita a um dado de fluxo de pessoas.

Ele se traduz em gasto em moeda estrangeira, consumo doméstico e atividade em cadeia.

Transporte, hotelaria, gastronomia e serviços culturais estão diretamente envolvidos.

Isso aumenta a atenção para qualquer alteração metodológica ou de financiamento que afete a leitura do fenômeno.

Programa Viaja+ tenta reativar turismo interno

Em paralelo ao avanço das viagens internacionais, o governo argentino apresentou uma iniciativa para estimular o turismo doméstico.

O Banco Nación lançou o programa Viaja+, com linhas de financiamento e descontos para gastos relacionados a viagens dentro do país.

Estão incluídos passagens, hotelaria e gastronomia, segundo comunicados oficiais e reportagens locais.

A proposta tenta reduzir a perda de dinamismo em destinos internos na temporada e sustentar parte do consumo no mercado doméstico.

Ainda assim, a política enfrenta a concorrência direta de preços em países vizinhos.

Isso ocorre justamente no momento em que muitos argentinos comparam, na prática, o custo de uma semana fora do país com a conta de férias em cidades turísticas argentinas.

Brasil amplia receita com turistas estrangeiros

O fortalecimento do Brasil como destino aparece também nos dados de receitas.

No acumulado de janeiro a novembro, visitantes internacionais deixaram US$ 7,17 bilhões na economia brasileira.

O valor representa alta de 8,41% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo números divulgados com base em estatísticas do Banco Central.

Na Argentina, a saída de divisas com turismo emissivo segue no centro das estimativas privadas.

O Ieral projetou que, em 2025, a saída de dólares por turismo ficaria entre US$ 11 bilhões e US$ 13 bilhões.

O saldo negativo estimado varia entre US$ 7 bilhões e US$ 9 bilhões, refletindo o descompasso entre o que residentes gastam fora e o que estrangeiros gastam no país.

Déficit do turismo argentino é estrutural e de longo prazo

Embora o pico de 2025 tenha chamado atenção, a balança turística argentina é descrita como estruturalmente deficitária.

Levantamentos compilados pela Argendata, ligada à Fundar, indicam que o país teve saldo negativo em 42 dos últimos 49 anos.

Entre 2016 e 2024, o déficit médio anual girou em torno de US$ 3 bilhões, o equivalente a cerca de 0,5% do PIB.

Mesmo com o peso do turismo na economia real, a captação de receita externa é limitada em comparação global.

Análises recentes apontam que o PIB do turismo, medido pelo gasto direto, gira em torno de 1,7% do produto.

A participação da Argentina nas receitas globais do turismo receptivo permanece reduzida, com baixo gasto médio por visitante em relação a outros países da região.

Ampliação de voos regionais entra no radar do setor

Enquanto a Argentina tenta conter a saída de dólares via turismo, o Brasil avança em discussões sobre conectividade aérea.

O Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, recebeu parecer favorável da Secretaria Nacional de Aviação Civil para avançar no processo de retomada de voos internacionais.

O projeto está associado à modernização do terminal. O governo federal ressaltou que não se trata de autorização final.

A operação comercial depende de etapas adicionais e da conclusão de obras. A concessionária cita 2028 como horizonte para essa ampliação. A medida não altera o quadro imediato do verão, mas entra no radar do setor.

O foco está em rotas de curta e média distância na América do Sul, justamente a geografia em que o turismo argentino mais cresce quando o câmbio favorece viagens ao exterior.

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Carlos Henrique Lange
Carlos Henrique Lange
12/01/2026 08:02

Nesta temporada 25/26 tivemos um brutal decréscimo de argentinos no sul do Brasil. A reportagem está esatualizada…

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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