Descoberta em Barnham, no Reino Unido, aponta que humanos controlavam e produziam fogo há cerca de 400.000 anos, com uso deliberado de pirita rara e sílex aquecido, antecipando em aproximadamente 350.000 anos um marco central da evolução humana e tecnológica
O achado de evidências de produção deliberada de fogo há cerca de 400.000 anos em Barnham, no Reino Unido, redefine a cronologia do domínio humano dessa tecnologia, com impactos diretos sobre alimentação, proteção, organização social e avanço comportamental dos primeiros neandertais.
Evidências mais antigas de produção controlada de fogo
Arqueólogos identificaram sedimentos aquecidos em solos antigos associados a machados de mão de sílex rachados pelo calor, indicando que o fogo não apenas esteve presente, mas foi controlado em um assentamento humano pré-histórico.
Esses indícios diferem de registros anteriores, nos quais o fogo era provavelmente obtido de incêndios naturais, sem provas claras de que humanos dominassem técnicas para iniciá-lo deliberadamente em ambientes habitados.
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Uso intencional de materiais raros no sítio arqueológico
A terceira linha de evidência considerada decisiva foi a descoberta de dois fragmentos de pirita no local, um mineral raro na região de Barnham, sugerindo transporte proposital para uso na produção de faíscas.
Segundo os pesquisadores, a presença desse material indica conhecimento técnico sobre as propriedades da pirita quando golpeada contra sílex, compondo um conjunto de ferramentas destinado especificamente à criação de fogo.
Indícios de comportamento humano mais complexo
Em conjunto, os achados apontam para um comportamento complexo entre humanos antigos, que não apenas mantinham o fogo, mas compreendiam os recursos necessários para produzi-lo quando desejado, ampliando sua autonomia ambiental.
Essa capacidade teria proporcionado vantagens práticas como aquecimento e defesa contra predadores, além de permitir o cozimento, ampliando a variedade de alimentos consumidos e melhorando o aproveitamento nutricional.
Impactos tecnológicos associados ao domínio do fogo
Os arqueólogos destacam que o controle do fogo pode ter impulsionado outras inovações, incluindo o desenvolvimento de tecnologias como a produção de cola para ferramentas com cabo, ampliando eficiência e durabilidade dos instrumentos.
Esses avanços são considerados marcos importantes na evolução do comportamento humano, com reflexos diretos na organização social, no uso do território e na transmissão de conhecimento entre gerações.
Perfil dos humanos responsáveis pelos incêndios controlados
De acordo com o paleoantropólogo Chris Stringer, as populações que produziram fogo em Barnham há 400 mil anos provavelmente eram neandertais primitivos, com base em fósseis da mesma época encontrados em Swanscombe, Kent, e Atapuerca, na Espanha.
Esses fósseis preservam características morfológicas e até DNA associados a neandertais primitivos, reforçando a ligação entre o sítio britânico e outros centros europeus de ocupação humana antiga.
Relevância científica do achado
Para o arqueólogo Nick Ashton, do Museu Britânico e do Instituto de Arqueologia da University College London, a descoberta representa o ponto alto de sua carreira científica.
Segundo ele, é notável que grupos tão antigos dominassem propriedades do sílex, da pirita e da isca, demonstrando conhecimento técnico sofisticado em um período tão remoto da evolução humana.
Implicações para a história da humanidade
O curador do projeto, Rob Davis, afirma que a capacidade de criar e controlar o fogo é um dos principais pontos de virada da história humana, com efeitos práticos e sociais duradouros.
Ele destaca que a nova evidência antecipa esse marco evolutivo em cerca de 350.000 anos, alterando a compreensão sobre quando habilidades fundamentais surgiram entre nossos ancestrais.
Publicação e contexto científico
A descoberta foi relatada em um artigo publicado nesta data na revista Nature, ampliando o debate científico sobre a cronologia do uso do fogo e os caminhos do comportamento humano arcaico.
Registros anteriores indicavam uso primitivo do fogo em sítios neandertais na França, datados de 50.000 anos atrás, onde bifaces parecem ter sido usados para golpear pirita, mas sem provas tão completas quanto as agora identificadas em Barnham.

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