A história de Joca dos Galos mostra, acima de tudo, como criatividade, consciência ambiental e trabalho artesanal podem transformar resíduos em arte, renda e identidade cultural na Paraíba
O que, para muitos, representa apenas lixo sem valor, por outro lado, para Joaquim Davi da Silva Neto, conhecido como Joca dos Galos, sempre significou oportunidade. Há mais de 20 anos, o artesão paraibano transforma latas descartadas em lixões em esculturas cheias de vida, cor e significado. Com isso, construiu uma identidade artística própria. Além disso, garantiu o sustento da família e ajudou a reduzir impactos ambientais.
A informação foi divulgada por matéria assinada por Alexandre Nunes, conforme publicação de 4 de junho de 2017. Nesse contexto, o texto destaca iniciativas de artesãos paraibanos que comprovam que resíduos podem se tornar obras de arte. Dessa forma, Joca dos Galos surge como um dos exemplos mais representativos dessa transformação.
Desde o ano 2000, o artesão vive exclusivamente do reaproveitamento de resíduos metálicos. Em especial, ele utiliza latas encontradas em lixões ou compradas diretamente de catadores. Assim, demonstra, na prática, que reciclagem, arte e dignidade podem caminhar juntas.
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Joca dos Galos: do lixão ao ateliê, uma vida dedicada a transformar resíduos em arte
Morador de Bayeux, na Paraíba, Joca dos Galos construiu sua trajetória observando o que muitos descartam sem refletir. Com o tempo, passou a enxergar nas latas jogadas fora uma matéria-prima rica em possibilidades. Desse modo, o que antes poluía o meio ambiente ganhou forma de galos, pavões, araras, papagaios, tucanos e outras aves.
“Eu tenho 52 anos, trabalho e sobrevivo do artesanato desde o ano 2000. Sou casado e tenho dois filhos”, relata. Segundo ele, o processo é totalmente manual. Primeiro, recolhe latas de óleo, leite e outros recipientes metálicos. Em seguida, recorta cada peça. Depois, solda com ferro quente. Por fim, finaliza com tinta acrílica, evitando a ferrugem.
Além disso, o artesão explica que não utiliza moldes prontos. “Invento os pássaros da minha cabeça e considero o artesanato minha vida”, afirma. Dessa maneira, cada peça se torna única e carrega identidade cultural. Ao mesmo tempo, o trabalho garante o sustento da família.
Enquanto isso, o reconhecimento ultrapassou as fronteiras da Paraíba. Joca já enviou peças para Rio de Janeiro, São Paulo e outras regiões do país. Além disso, em eventos como o Salão de Artesanato Paraibano, suas esculturas costumam ser expostas com apoio do governo estadual. Com isso, o trabalho ganha ainda mais visibilidade.
Reciclagem, renda e consciência ambiental caminham juntas no artesanato paraibano

A trajetória de Joca dos Galos, portanto, integra um movimento maior de valorização do artesanato sustentável na Paraíba. Segundo Lu Maia, gestora do Programa de Artesanato da Paraíba (PAP), muitos artesãos utilizam resíduos como matéria-prima. Dessa forma, promovem reciclagem responsável e, ao mesmo tempo, preservam a identidade cultural.
De acordo com ela, artesãos que trabalham com metal utilizam 100% de matéria-prima reciclada. Assim, reduzem o descarte inadequado de resíduos. Além disso, geram renda e fortalecem a economia criativa local.
Os números, por sua vez, reforçam a importância dessas iniciativas. Segundo o IBGE, o Brasil produz cerca de 194 mil toneladas de lixo por dia. Grande parte, no entanto, é reciclável. Por isso, especialistas explicam que tudo o que pode ser reaproveitado deve ser chamado de resíduo. Apenas, aquilo que não tem reutilização possível deve ser considerado lixo.
Essa lógica, inclusive, aparece em projetos de reaproveitamento de resíduos eletrônicos. Um exemplo claro é o Apoio à Inclusão Digital (AID), do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê). Nesse caso, o projeto recupera computadores descartados e doa equipamentos a comunidades carentes. Assim, promove inclusão digital e reduz o descarte inadequado.
Educação ambiental, políticas públicas e o impacto social da reciclagem

Além da atuação individual de artesãos como Joca, por outro lado, políticas públicas também desempenham papel fundamental. Na Paraíba, iniciativas voltadas à coleta seletiva, à inclusão de catadores e à educação ambiental vêm ganhando espaço. Ainda assim, o avanço ocorre de forma gradual.
Atualmente, cerca de 2.300 catadores recebem apoio do Governo do Estado. Essas ações ocorrem por meio da Secretaria Executiva de Segurança Alimentar e Economia Solidária (SESAES). Além disso, os projetos oferecem capacitação, equipamentos e assessoramento técnico. Com isso, alcançam regiões como Sertão, Zona da Mata, Brejo e Agreste.
Paralelamente, instituições como a Sudema promovem oficinas e palestras. Entre as ações, destacam-se oficinas de reaproveitamento de garrafas PET e produção de sabão ecológico com óleo de cozinha usado. Além disso, o projeto Sudema na Escola leva educação ambiental para salas de aula.
Segundo a professora Claudiana Maria da Silva Leal, doutora em Engenharia Civil e docente do IFPB, a reciclagem reduz o consumo de água e energia. Além disso, diminui a exploração de recursos naturais. Consequentemente, evita poluição e gera renda.
No IFPB, por exemplo, os resíduos passam por separação criteriosa. Primeiramente, os recicláveis úmidos seguem para compostagem. Nesse processo, realizado em 14 módulos de um metro cúbico, o material se transforma em adubo em cerca de quatro meses.
Você acredita que histórias como a de Joca dos Galos mostram que reciclagem pode ser, ao mesmo tempo, arte, renda e transformação social?

Como o ser humano é uma criação extraordinaria!
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Onde comprar peças dele.
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