Pesquisadores refutam teoria de que árvores anteciparam eclipse solar de 2022 e apresentam uma explicação mais simples: tempestade e raios como responsáveis pela sincronização elétrica observada nas florestas de abetos-da-noruega.
Em 2022, pesquisadores observaram uma sincronização elétrica incomum em uma floresta de abetos-da-noruega antes de um eclipse solar parcial. Agora, uma nova teoria sugere que a atividade elétrica foi causada por fatores ambientais mais simples, como uma tempestade, e não pela antecipação do fenômeno.
Fenômeno incomum em uma floresta de abetos
Em 2022, uma floresta de abetos-da-noruega (Picea abies) chamou a atenção dos cientistas quando as árvores pareciam «sincronizar» seus sinais elétricos antes de um eclipse solar parcial.
Este fenômeno foi inicialmente interpretado como uma resposta coletiva das árvores ao evento astronômico. Porém, um estudo subsequente propôs uma explicação mais plausível para a atividade observada: uma combinação de fatores ambientais, como uma queda de temperatura e raios próximos, em vez de uma reação ao eclipse.
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O estudo controverso e sua nova explicação
O estudo que despertou controvérsia foi publicado em abril de 2025. Ele sugeria que as árvores, particularmente as mais velhas, estavam antecipando o eclipse solar e se preparando para ele, com base em «respostas bioelétricas individuais e coletivas».
No entanto, Ariel Novoplansky e Hezi Yizhaq, ecologistas da Universidade Ben-Gurion do Negev, em Israel, refutaram essa teoria.
De acordo com os cientistas, a atividade elétrica observada nas árvores não foi uma resposta ao eclipse, mas sim a uma tempestade passageira e à atividade elétrica provocada por raios locais. «Para mim, [o estudo anterior] representa a infiltração da pseudociência no cerne da pesquisa biológica», afirmou Novoplansky, sugerindo que os autores anteriores ignoraram explicações mais simples e bem documentadas para o fenômeno.
A temperatura e os raios como fatores determinantes
Os pesquisadores apontam que a tempestade e os raios são fatores conhecidos por desencadear respostas de sinalização em plantas, como mudanças nos sinais elétricos. Novoplansky e Yizhaq argumentam que a queda de temperatura e as condições climáticas, incluindo a atividade de raios próximos, foram os principais fatores responsáveis pela sincronização elétrica observada nas árvores, e não o eclipse solar iminente.
O erro na interpretação do estudo original
Uma das principais críticas feitas pelos ecologistas é a metodologia do estudo original. O estudo foi baseado apenas em três árvores e cinco tocos, o que torna difícil tirar conclusões sobre a resposta de toda a floresta. Além disso, os eclipses solares têm uma duração limitada e sua magnitude é muito pequena para causar grandes impactos nos processos fisiológicos das árvores, como a fotossíntese. A redução da luz durante o eclipse foi mínima, de apenas cerca de 10,5%, comparável a um dia nublado, e o efeito durou apenas algumas horas.
De acordo com os novos pesquisadores, essa pequena variação na luz não justificaria uma resposta coletiva das árvores. Além disso, eles ressaltam que flutuações frequentes na cobertura de nuvens já causam mudanças muito maiores na luz disponível para as plantas.
A resposta das árvores e o conhecimento transmitido
O estudo de Novoplansky e Yizhaq sugere que a sincronização observada não se deve a um «conhecimento» passado das árvores mais velhas, mas sim a uma resposta local e imediata às mudanças ambientais. A ideia de que uma floresta inteira possa antecipar um eclipse solar não se sustenta, já que os eclipses não são fenômenos previsíveis baseados em experiências passadas.
A atividade elétrica das árvores: um campo em expansão
Apesar das controvérsias em torno deste estudo específico, a pesquisa sobre a atividade elétrica das árvores continua sendo um campo promissor. Embora o fenômeno observado nas florestas de abetos tenha sido mal interpretado, as descobertas sobre os sinais elétricos das plantas e árvores oferecem um campo fértil para futuras investigações.
Novoplansky destaca que a ideia de que as árvores poderiam ter uma «memória» ou «comunicação» antecipatória com base em sinais elétricos precisa ser tratada com cautela. «A floresta já é maravilhosa o suficiente sem a necessidade de inventar afirmações irracionais», conclui.
A pesquisa sobre o fenômeno, que foi publicada na revista Trends in Plant Science, ainda está em andamento, com pesquisadores buscando entender melhor os mecanismos elétricos nas plantas e seu impacto nos ecossistemas.
Este artigo foi elaborado com base em um estudo publicado na revista Trends in Plant Science, 2026.
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