Estudo publicado em 25 de janeiro mostra que árvores da Amazônia com mais de 40,6 cm concentram entre 88% e 93% do carbono, enquanto legislação do Peru autoriza corte seletivo entre 41 e 61 cm, atingindo os indivíduos com maior estoque
As árvores da Amazônia armazenam a maior parte do carbono nas florestas peruanas, mas são também as mais derrubadas pela colheita seletiva permitida entre 41 e 61 cm de diâmetro, segundo estudo publicado em 25 de janeiro na revista Frontiers in Forests and Global Change.
Quase 60% do território do Peru é coberto por florestas, majoritariamente na região amazônica, que representa cerca de 11% da área total da floresta amazônica. Nesse contexto, as árvores da Amazônia desempenham papel central no armazenamento de carbono.
Um novo estudo aponta que as maiores árvores da Amazônia peruana armazenam quantidade desproporcionalmente maior de carbono em comparação às menores. No entanto, também são as mais propensas à derrubada, o que libera mais carbono na atmosfera.
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Segundo os pesquisadores, essa dinâmica reduz a capacidade dessas florestas de atuarem como sumidouros de carbono. A remoção das maiores árvores da Amazônia devolve grande parte do carbono acumulado para a atmosfera.
Árvores da Amazônia concentram maior estoque de carbono acima e abaixo do solo
Para determinar quanto carbono está armazenado nas maiores árvores da Amazônia, Geomar Vallejos-Torres e colegas mediram centenas de árvores em cinco florestas do país. Foram registradas variáveis como diâmetro, altura, área da copa e densidade da madeira.
Com base nesses dados, os pesquisadores estimaram a biomassa acima e abaixo do solo e o carbono armazenado. O armazenamento de carbono aumentava desproporcionalmente com o crescimento do diâmetro do tronco.
O estudo identificou 40,6 cm como um limite importante. As florestas analisadas sequestraram até 331 toneladas métricas por hectare acima do solo e 47 toneladas métricas por hectare abaixo do solo.
Entre 88% e 93% do carbono total, dependendo da espécie, estava concentrado em árvores com mais de 40,6 cm de diâmetro. Árvores menores que esse limite concentravam fração significativamente menor do total.
No caso das árvores de noz-pão, Brosimum alicastrum, 11,4% do carbono total acima do solo estava em indivíduos com menos de 40,6 cm, enquanto 88,7% estava em árvores maiores.
Política florestal permite corte entre 41 e 61 cm de diâmetro
A legislação florestal do Peru permite a colheita seletiva quando as árvores atingem diâmetro mínimo entre 41 e 61 centímetros, dependendo da espécie. Esse intervalo coincide com o grupo que concentra maior estoque de carbono.
O terreno da Amazônia peruana dificulta o acesso e a remoção das árvores. Por isso, empresas florestais preferem árvores maiores, que rendem mais madeira e reduzem custos de transporte, mão de obra e tempo.
Essas árvores tendem a ser mais velhas e maduras, com madeira mais densa, dura e estável. Segundo Vallejos-Torres, removê-las devolve grande parte do carbono acumulado à atmosfera.
“Dada a urgência de manter as reservas de carbono fora da atmosfera, é necessário conservar árvores com mais de 41 cm de diâmetro”, afirmou o pesquisador. Ele também citou benefícios para biodiversidade, microfauna e proteção do microclima.
Debate sobre tamanho, idade e tempo de armazenamento
Nem todos os pesquisadores concordam que o tamanho seja o fator mais importante. Ulf Büntgen, da Universidade de Cambridge, que não participou da pesquisa, afirmou que o tempo de armazenamento do carbono é mais relevante.
Segundo ele, o artigo não aborda de forma aprofundada a idade das árvores e ignora o tempo de residência do carbono, geralmente baixo nos trópicos. A crítica foi feita em entrevista à Live Science.
Vallejos-Torres contestou o argumento, afirmando que árvores maiores continuam a acumular carbono durante séculos. Já as menores crescem muito lentamente para compensar a diferença.
Ele afirmou que a regeneração de árvores menores é lenta, incerta e frequentemente limitada por degradação, perturbações e alterações microclimáticas, o que impede a recuperação do carbono perdido em escalas de tempo relevantes para a mitigação climática.
Gestão florestal e interesses econômicos no Peru
Martin Perez Lara, do Fundo Mundial para a Natureza, afirmou que a relação entre diâmetro e estoques de carbono é empiricamente válida e relativamente intuitiva. No entanto, disse que focar apenas no tamanho não é a melhor estratégia.
Ele destacou que sistemas de gestão bem projetados, incluindo colheita seletiva com árvores em torno de 40 cm, podem contribuir positivamente para mitigação climática e reduzir riscos de degradação.
Apesar da urgência em preservar os sumidouros de carbono, Vallejos-Torres declarou não ter muita fé na implementação das mudanças necessárias na política florestal do Peru.
Segundo ele, uma reforma legal que proteja as árvores de maior porte afetaria diretamente os interesses econômicos do setor madeireiro, que depende da extração desses indivíduos de alto valor comercial e possui peso relevante nas decisões de política florestal do país.

Quando uma árvore é cortada ela não libera carbono. O carbono se mantem na madeira. O que libera carbono é a sua queima. Sem falar que árvore velha (é um ser vivo) não sequestra mais carbono. O que sequestra eo crescimento da árvore. Sugiro que pesquisem a fórmula da fotossintese.
Estoy molesta porque siendo seres humanos racionales actuamos lo contrario. No valoramos la creación de Dios que todo lo hizo perfecto y con propósito.
Embora pareça muito estranho e muitíssimo lento, ESTA É REALMENTE A MELHOR FORMA DE EXPELIR OXIGÊNIO MAIS DE CAPTURAR MUITO CARBONO A ESTOCAR PELO MENOS POR MAIS 200 ANOS SE NA FORMA DE MOBILIARIO OU DE HABITACOES. MUITO MELHOR DO QUE SER QUEIMADA POR INCÊNDIOS OU POR SERRARIAS APENAS PARA ESCORAS