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Árvores gigantes e mais antigas do mundo e da Amazônia estão morrendo de cima para baixo — e cientistas já identificaram o vilão inesperado que as destrói de maneira silenciosa, inédita e surpreendente

Publicado em 09/02/2026 às 09:01
Atualizado em 09/02/2026 às 09:03
Árvores, Florestas, CO2
Imagem: Ilustração artística
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Fenômeno nunca registrado preocupa cientistas ao revelar como seca recorde, CO2 elevado, insetos e incêndios intensos aceleram a morte de árvores antigas, ameaçando biodiversidade, climático e o futuro das florestas

A Califórnia abriga algumas das maiores e mais antigas árvores do planeta. As sequoias gigantes californianas podem viver mais de 3 mil anos, com troncos que chegam a ter o comprimento de dois carros e galhos que se estendem por quase 90 metros em direção às nuvens.

Símbolos de resistência e longevidade, elas atravessaram séculos de transformações naturais. No entanto, nos últimos anos, algo inesperado começou a chamar a atenção de cientistas e gestores ambientais: essas árvores monumentais passaram a morrer de cima para baixo, um fenômeno jamais documentado antes, segundo informa este artigo do National Geographic Brasil no dia 27 de janeiro deste ano.

Dentro dos Parques Nacionais Sequoia e Kings Canyon, em meio a uma seca recorde, pesquisadores perceberam que algo estava errado.

O que parecia improvável passou a se confirmar em campo. O principal suspeito não era um inimigo tradicional, como o desmatamento direto, mas o CO₂, atuando de uma maneira que poucos imaginavam.

Um sinal preocupante observado pela primeira vez

Em 2019, pelo menos 38 árvores haviam morrido nessas áreas protegidas. O número, isoladamente, não parecia grande. Ainda assim, causou apreensão.

É preocupante, porque nunca observamos isso antes”, afirmou Christy Brigham, chefe de gestão de recursos do parque.

A morte dessas sequoias levantou um alerta mais amplo sobre o estado das florestas globais e coincidiu com debates intensificados em torno do Dia Mundial pela Redução das Emissões de CO2, criado pela Organização das Nações Unidas e celebrado anualmente em 28 de janeiro.

O caso das sequoias não é isolado. Especialistas observam que árvores maiores e mais antigas estão morrendo em taxas crescentes em diversas regiões do mundo.

Essas sentinelas naturais, que levaram séculos para crescer, estão entre as mais vulneráveis às mudanças recentes no clima.

Florestas mais jovens e menos resilientes

Um estudo publicado na revista científica Science aponta que o aumento da mortalidade está rejuvenescendo as florestas.

Esse processo ameaça a biodiversidade, elimina habitats fundamentais para plantas e animais e reduz a capacidade dos ecossistemas florestais de armazenar o excesso de dióxido de carbono gerado pelo consumo de combustíveis fósseis.

Estamos vendo isso em quase todos os lugares para onde olhamos”, afirma Nate McDowell, principal autor do estudo e cientista da Terra do Laboratório Nacional do Noroeste do Pacífico do Departamento de Energia dos Estados Unidos.

Segundo ele, a perda das árvores mais antigas altera profundamente o funcionamento das florestas.

Para chegar a esse diagnóstico, quase duas dezenas de cientistas analisaram mais de 160 estudos anteriores e cruzaram essas informações com imagens de satélite.

O resultado mostrou que, de 1900 a 2015, o mundo perdeu mais de um terço de suas florestas antigas.

Em regiões como o Canadá, o oeste dos Estados Unidos e a Europa, onde os registros históricos são mais detalhados, as taxas de mortalidade dobraram nas últimas quatro décadas.

Mudanças climáticas ampliam antigas ameaças

Não existe uma única causa direta para esse cenário. Décadas de exploração madeireira e desmatamento tiveram papel importante, mas os cientistas destacam que o aumento das temperaturas e do dióxido de carbono proveniente da queima de combustíveis fósseis intensificou praticamente todos os fatores de estresse.

Secas mais longas, surtos mais severos de insetos e doenças e incêndios florestais cada vez mais catastróficos estão sendo registrados de Israel à Mongólia.

Veremos menos florestas”, diz Monica Turner, ecologista florestal da Universidade de Wisconsin. Para ela, haverá áreas onde hoje existem florestas que simplesmente deixarão de existir no futuro.

Esse cenário já começa a se materializar em diferentes continentes, com impactos ecológicos difíceis de reverter.

No caso das sequoias gigantes californianas, a surpresa foi ainda maior. Ao subirem nas copas das árvores, pesquisadores encontraram besouros da casca do cedro perfurando galhos.

Esses insetos já haviam devastado centenas de milhões de pinheiros na América do Norte, mas acreditava-se que as sequoias, protegidas por taninos repelentes, fossem imunes.

A combinação de seca intensa e incêndios florestais, agravados pelas mudanças climáticas, pode ter quebrado essa resistência natural.

Incêndios mais intensos e florestas que não se regeneram

O fogo, que em condições normais ajuda algumas espécies a se regenerarem, passou a atuar de forma destrutiva.

O calor das chamas costuma liberar sementes de pinheiro-contorcido, mas em 2016 um novo incêndio atingiu áreas que ainda não tinham 30 anos desde a queimada de 1988.

Em um mundo mais quente e seco, esses novos incêndios queimaram com intensidade maior, destruindo quase tudo em alguns locais.

Quando voltei, fiquei simplesmente surpreso”, relata Turner. “Havia lugares onde não restavam árvores pequenas. Nenhuma.” Situações semelhantes foram observadas em 2019, quando incêndios gigantescos devastaram a Austrália seca, queimaram 7,4 milhões de acres no norte da Sibéria e chamaram a atenção global para as chamas na Amazônia.

Na floresta amazônica, as estações secas tornaram-se mais longas e frequentes. As chuvas diminuíram em até um quarto e, quando ocorrem, muitas vezes chegam em forma de torrentes, provocando inundações massivas em três das seis estações entre 2009 e 2014.

Esse desequilíbrio já altera a composição das espécies, favorecendo árvores que crescem rápido e toleram melhor o clima seco.

Um efeito em cadeia nos ecossistemas

As consequências dessas transformações ainda estão sendo avaliadas. Em Israel, a primeira análise nacional da mortalidade de árvores revelou o desaparecimento de vastas áreas florestais, em grande parte devido ao calor extremo e aos incêndios.

Em um país amplamente coberto por pedras e areia, as florestas têm papel essencial: sustentam ninhos de águias, abrigam lobos e chacais e mantêm o solo estável.

As árvores são plantas grandes que projetam os ecossistemas para todas as outras plantas e animais”, explica Tamir Klein, do Instituto Weizmann de Ciência.

Segundo ele, sem as árvores, espécies que dependem da sombra ficam expostas a temperaturas mais altas e luz intensa, alterando todo o equilíbrio ambiental.

No início deste mês, Klein se reuniu com o chefe florestal israelense para discutir o futuro das florestas do sul do país, que podem não sobreviver ao século.

A solução debatida inclui substituir pinheiros e ciprestes por acácias, mais resistentes ao calor. “É triste”, admite Klein. “Não terá a mesma aparência, mas é melhor do que uma terra árida.

Alertas antigos e um futuro incerto

Os sinais dessa crise já apareciam no início dos anos 2000, quando McDowell observava campos de zimbros e pinheiros piñon mortos no sudoeste dos Estados Unidos.

Uma onda de calor havia destruído 30% dos pinheiros em mais de 4.500 milhas quadradas. Estudos posteriores mostraram uma relação direta entre calor extremo e morte das árvores, com projeções indicando que, até 2050, temperaturas consideradas raras no passado podem se tornar normais.

Embora muitas mudanças pareçam inevitáveis, especialistas ressaltam que reduzir as emissões de combustíveis fósseis ainda pode fazer diferença.

Um cenário documentado por Turner sugere que a redução do CO2 nas próximas décadas poderia diminuir pela metade a perda futura de florestas no Parque Nacional Grand Teton.

Ainda assim, o desafio é enorme e exige decisões difíceis, como repensar quais espécies plantar e como preservar o que resta desse patrimônio natural secular.

Com informações de National Geographic Brasil.

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Romário Pereira de Carvalho

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