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As leis mais bizarras já propostas no Brasil que vão te surpreender – do “proibido morrer” a postes climatizados, aeroporto para discos voadores e outras ideias inacreditáveis

Publicado em 18/02/2026 às 08:46
Atualizado em 18/02/2026 às 08:48
Leis, Lei
Imagem: Ilustração
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Da proibição de morrer a aeroportos para discos voadores, projetos inusitados revelam um lado inesperado da legislação brasileira cheio de histórias curiosas e debates que surpreendem até hoje

Desde que a Constituição Federal de 1988 passou a vigorar, o Brasil mergulhou em uma intensa produção legislativa. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), que consideram normas publicadas até 2024, já foram editadas 7,8 milhões de normas em todo o país. Desse total, somente os municípios criaram 1.024.720 leis.

Em meio a esse volume impressionante, surgem propostas que vão além do esperado e chamam atenção pela criatividade, ousadia ou, em alguns casos, pela completa excentricidade.

Entre ideias sérias e iniciativas curiosas, algumas propostas ganharam repercussão nacional e até se tornaram pontos turísticos ou símbolos de debates inusitados.

A seguir, sete exemplos que mostram como a legislação brasileira também pode surpreender.

Ar-condicionado nos postes de energia é uma das leis mais inusitadas

Em 2023, um vereador de Fernandópolis, no interior de São Paulo, apresentou um projeto de lei propondo a instalação de ar-condicionado em postes de energia elétrica do município.

A justificativa era simples: amenizar o calor extremo enfrentado pelos moradores, já que, segundo ele, a arborização existente não seria suficiente.

Para sustentar a proposta, o parlamentar citou o Catar como exemplo de país que utiliza tecnologias para enfrentar altas temperaturas. A ideia, porém, não avançou e acabou se tornando motivo de piada.

Ainda em 2023, o mesmo vereador sugeriu que a população utilizasse trajes com ventilador embutido, mas a proposta também não prosperou.

Aeroporto para disco voadores

Uma das iniciativas mais famosas surgiu em 1995, em Barra do Garças, no Mato Grosso. O vereador Valdon Varjão apresentou um projeto de lei propondo a criação de um aeroporto destinado a objetos voadores não identificados e disco voadores.

A proposta foi aprovada por unanimidade e sancionada pelo então prefeito Wilmar de Farias. Dois anos depois, em 1997, o chamado “Discoporto” foi inaugurado em uma área do Parque Estadual Serra Azul.

O espaço conta com uma réplica de disco voador e pinturas de extraterrestres, tornando-se um ponto turístico local.

Combate obrigatório aos formigueiros

Rio Claro, no interior de São Paulo, possui ao menos duas leis curiosas. A primeira delas, Lei n. 967 de 1965, determinava a extinção de formigueiros na cidade.

Sempre que a Prefeitura tomasse conhecimento da existência de um formigueiro, o proprietário do imóvel seria obrigado a eliminá-lo. Caso contrário, poderia ser autuado.

A iniciativa partiu do prefeito Augusto Schmidt Filho e tinha como objetivo proteger áreas urbanas e residenciais, embora hoje soe bastante incomum.

Proibição da venda de melancia

Também em Rio Claro, uma norma ainda mais antiga chama atenção. Em 1894, foi aprovada uma lei que proibia a comercialização de melancia no município.

A motivação, segundo historiadores, era a crença de que a fruta poderia contribuir para a transmissão da febre amarela.

A legislação permaneceu vigente por mais de um século e só foi revogada em 2025, tornando-se um exemplo clássico de como antigas crenças influenciaram decisões públicas.

Multa por erros de português

Em Pouso Alegre (MG), uma lei municipal de 1997 estabelecia multa de R$ 500 para erros gramaticais em outdoors e de R$ 100 para erros em outros meios de divulgação. A proposta chegou a ganhar destaque nacional.

À época, o então secretário de Cultura, Esporte, Lazer e Turismo, Fábio Faria de Oliveira, afirmou em entrevista ao jornal Folha S. Paulo que a medida visava combater “aberrações gramaticais”.

O texto da lei determinava que toda publicidade escrita deveria obedecer às regras oficiais da língua portuguesa. A norma foi revogada em 2021.

Decreto contra chuvas e enchentes

Em 2007, um decreto do então prefeito de Aparecida (SP) tentou proibir enchentes e outros fenômenos climáticos. A cidade é conhecida por abrigar o Santuário de Nossa Senhora Aparecida.

Com apenas dois artigos, a norma previa a “proibição da ocorrência de enchentes nos bairros da cidade provocadas em razão de chuvas fortes, chuvas de granizo, tempestades com raios, vendavais e cheias no Rio Paraíba do Sul e seus afluentes”.

O decreto nunca entrou em vigor e virou alvo de críticas em todo o Brasil.

Proibido morrer em Biritiba Mirim quase vira lei

Em 2005, Biritiba Mirim (SP) aprovou uma lei que, na prática, proibia que os moradores morressem na cidade.

A intenção era chamar atenção para a falta de espaço no cemitério municipal e pressionar autoridades a autorizarem a construção de um novo local para sepultamentos.

O texto chegava a orientar que os moradores cuidassem da própria saúde para evitar mortes. O projeto gerou tanta repercussão que acabou resultando na liberação para a criação de um novo cemitério. Com isso, a lei foi revogada.

O Dia do “É gol da Alemanha” seria uma das leis mais exóticas

Em Campinas (SP), em 2015, o vereador Jota Silva protocolou um projeto para instituir o Dia do “É gol da Alemanha”.

A data escolhida foi 8 de julho, quando a Seleção Brasileira perdeu por 7 a 1 para a Alemanha no Mineirão.

Segundo o vereador, a data não deveria ser comemorada, mas lembrada como “o dia da maior tragédia do futebol brasileiro”.

Após forte repercussão negativa, o parlamentar desistiu da proposta, que não avançou.

Esses episódios mostram que, em meio à legislação extensa e complexa do país, há espaço para iniciativas que beiram o surreal.

Muitas delas surgiram como protesto, outras como tentativa de chamar atenção para problemas reais, e algumas apenas como expressão de criatividade política.

Independentemente da intenção, todas as leis ajudam a compor um retrato curioso da história legislativa brasileira.

As informações são do Revista Galileu.

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Romário Pereira de Carvalho

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