Um experimento no litoral dos Estados Unidos testa um equipamento esférico flutuante que busca transformar o movimento das ondas em eletricidade, reacendendo o debate sobre o potencial da energia do mar e os desafios técnicos para torná-la viável em escala.
Um protótipo em formato de esfera, com dimensões semelhantes às de um pequeno prédio, foi testado recentemente na costa do estado de Washington, nos Estados Unidos, como parte de um projeto que busca transformar o movimento das ondas do mar em eletricidade.
Segundo o portal Opnei Primre, o equipamento, chamado Ocean-2, foi desenvolvido pela startup Panthalassa, sediada em Portland, e passou por uma fase de testes no Puget Sound e em áreas próximas ao Estreito de Juan de Fuca.
A iniciativa se insere em um contexto mais amplo de pesquisas voltadas à diversificação das fontes de energia renovável.
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Diferentemente de projetos anteriores de aproveitamento das ondas, que recorreram a estruturas rígidas e enfrentaram dificuldades para operar por longos períodos no ambiente marinho, o Ocean-2 foi concebido para acompanhar o movimento natural do oceano durante sua operação.
Em vez de resistir à força das ondas, o dispositivo flutua e utiliza o deslocamento vertical da água como base para a geração de energia.
De acordo com os desenvolvedores, essa abordagem busca reduzir o desgaste mecânico e ampliar a vida útil do equipamento, um dos principais desafios históricos desse tipo de tecnologia. Veja como funciona no vídeo abaixo:
Como funciona o equipamento esférico testado no mar
O Ocean-2 é composto por uma seção superior esférica, com cerca de 10 metros de diâmetro, conectada a uma estrutura tubular alongada.
Durante os testes, o equipamento foi visto alternando posições: permanece deitado quando está sendo transportado ou desligado e assume posição vertical ao entrar em operação no mar.
Em entrevista a uma emissora local, o cofundador da Panthalassa, Garth Sheldon-Coulson, afirmou que o período de testes teve como objetivo avaliar não apenas a geração de eletricidade, mas também sistemas auxiliares, como comunicação por satélite e monitoramento remoto, necessários para o funcionamento contínuo em ambiente oceânico.
Segundo o relato, o protótipo permaneceu no mar por aproximadamente três semanas antes de retornar a Portland para ajustes técnicos.
A empresa descreve o projeto como uma tentativa de explorar o oceano como fonte de energia renovável, destacando o potencial do recurso para aplicações energéticas em larga escala.
As informações divulgadas até o momento indicam que o Ocean-2 ainda se encontra em fase experimental, sem operação comercial.

Energia das ondas e os entraves históricos da tecnologia
A energia ondomotriz, obtida a partir do movimento das ondas, é apontada por pesquisadores da área como uma fonte renovável com potencial relevante, especialmente em regiões costeiras onde a atividade marítima é constante.
Apesar disso, o desenvolvimento comercial dessa tecnologia tem avançado de forma mais lenta do que outras fontes renováveis, como a solar e a eólica.
Entre os fatores citados por especialistas estão os altos custos de instalação, a dificuldade de manutenção em mar aberto e os danos causados por tempestades, corrosão e impactos mecânicos.
Esses obstáculos levaram ao abandono de diversos projetos ao longo das últimas décadas, mesmo em países com extensa faixa litorânea.
Nesse cenário, iniciativas como o Ocean-2 procuram responder a esses entraves com novas soluções de engenharia.
O uso de materiais compostos e sistemas hidráulicos flexíveis é apresentado pela empresa como uma alternativa para melhorar a adaptação do equipamento às condições do mar.
O que os testes iniciais indicam até agora
Até o momento, não há divulgação pública de relatórios técnicos independentes que detalhem de forma completa o desempenho do Ocean-2 em mar aberto.
Informações reunidas em materiais institucionais e em registros públicos sobre projetos de energia das ondas indicam que, durante os testes no Puget Sound, o protótipo teria alcançado picos de geração de até 50 quilowatts em condições consideradas favoráveis.
Esse tipo de dado é utilizado no setor como um indicativo inicial de funcionamento, mas não permite, por si só, avaliar a viabilidade econômica ou a confiabilidade do sistema em longo prazo.
Especialistas costumam destacar que aspectos como regularidade da geração, resistência a eventos extremos e custos de manutenção são determinantes para a adoção comercial da tecnologia.
O cofundador da Panthalassa também afirmou, na mesma entrevista, que o projeto levou em conta preocupações ambientais, incluindo o risco de interferência na vida marinha.
Segundo ele, o desenho do equipamento buscou minimizar a possibilidade de animais ficarem presos na estrutura, embora estudos ambientais mais amplos dependam de análises específicas e de exigências regulatórias locais.
Para que a energia gerada no oceano pode ser usada
Uma das aplicações mais diretas da energia das ondas é o fornecimento de eletricidade renovável para regiões costeiras, desde que exista infraestrutura adequada para a conexão com redes elétricas em terra.
Além disso, o projeto também é citado pela empresa como potencialmente complementar a outras fontes renováveis, como a solar e a eólica.
Outra possibilidade mencionada por Sheldon-Coulson envolve o uso da energia capturada para a produção de combustíveis no próprio oceano.
Segundo ele, em um protótipo anterior, chamado Ocean-1, a equipe conseguiu produzir hidrogênio a bordo por meio da separação da água, processo conhecido como eletrólise.
Esse tipo de aplicação é discutido no setor como alternativa para o transporte de energia gerada longe da costa, embora ainda enfrente desafios técnicos e econômicos.
Por enquanto, o Ocean-2 segue classificado como protótipo em fase de testes.
A empresa informou que, após os ajustes decorrentes da etapa inicial, trabalha no desenvolvimento de uma nova versão, chamada Ocean-3, que deverá passar por novos ensaios dentro de aproximadamente um ano, conforme o cronograma divulgado.
Um setor em desenvolvimento e sem modelo dominante
A geração de energia a partir do mar reúne diferentes abordagens tecnológicas e ainda não apresenta um padrão consolidado.
A variedade de projetos em teste reflete um setor em construção, no qual empresas e centros de pesquisa buscam soluções capazes de operar de forma estável em condições adversas.
No caso do Ocean-2, a atenção também se voltou para o equipamento devido à sua aparência incomum e ao local do teste.
O cenário despertou curiosidade de moradores e usuários de redes sociais ao observarem uma grande estrutura flutuante em áreas conhecidas do litoral de Washington.
A partir dessa curiosidade, reportagens locais identificaram o objeto como parte de um experimento de energia renovável.
A continuidade do projeto dependerá da realização de novas campanhas de teste, com dados mais detalhados sobre desempenho, custos e impactos ambientais.

Insistiré que hemos desaprovechado el agua del mar y los océanos, Lo que están haciendo en USA con esto, es una positiva demostración del aprovechamiento del mar, sus olas son energía
¿Porque creáis “fotos” con IA, de cualquier cosa?,
Estáis consiguiendo que los lectores no confíen, en absoluto, en este tipo de artículos.
Otra treta. Como la “energía eólica” ???! Tal vez espionaje. A los gringos ni los buenos dias, si no te asomas a la ventana.