Após detectar rachaduras na janela da cápsula Shenzhou-20 um dia antes do retorno previsto para 5 de novembro, astronautas chineses acionaram protocolo de segurança, utilizaram microscópio com aumento de 40 vezes, adiaram a reentrada e mobilizaram o lançamento emergencial da Shenzhou-22 em 25 de novembro
Os astronautas chineses da missão Shenzhou-20 tiveram o retorno à Terra adiado em 5 de novembro do ano passado após a detecção de rachaduras na janela da cápsula de retorno, o que levou ao uso da Shenzhou-21 para reentrada e ao lançamento emergencial da Shenzhou-22.
A ocorrência foi anunciada como a primeira operação de emergência do programa espacial tripulado da China. A missão previa o retorno da tripulação em 5 de novembro, mas a descoberta de rachaduras na janela de observação da espaçonave alterou o cronograma.
Chen Dong, comandante da Shenzhou-20, identificou o dano enquanto realizava as verificações finais na cápsula de retorno. A suspeita é de que detritos espaciais tenham atingido a janela. A tripulação acabou retornando à Terra em outra espaçonave.
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Astronautas chineses identificam anomalia na janela um dia antes do retorno
A China lançou Chen Dong, Chen Zhongrui e Wang Jie em 24 de abril de 2025. A missão foi planejada para seis meses, com acoplamento à estação espacial Tiangong.
Durante a inspeção da nave de retorno, Chen relatou ter visto algo semelhante a um triângulo na janela. Inicialmente, pensou tratar-se de uma pequena folha presa na parte externa, mas descartou a hipótese por estarem no espaço.
Ele alertou os colegas sobre a anomalia. A confirmação ocorreu um dia antes do retorno programado. A análise posterior indicou a presença de rachaduras na janela de visualização da cápsula.
Análise técnica e uso de microscópio com aumento de 40 vezes
A tripulação utilizou equipamentos disponíveis na estação espacial para documentar o dano. Foram empregados mesa digitalizadora, telefone de trabalho e lupa. A confirmação final ocorreu com um microscópio em formato de caneta, com aumento de 40 vezes.
Segundo Chen Dong, foi possível observar claramente pequenas fissuras. Algumas eram relativamente longas e uma mais curta. Ele afirmou que algumas das rachaduras haviam penetrado a camada externa.
Wang Jie, engenheiro de voo da missão, declarou que não ficou muito nervoso. Explicou que a camada mais externa é protetora e que existem duas camadas internas que suportam a pressão da cabine.
Ele acrescentou que, enquanto a pressão da cabine não mudasse, estariam seguros. Também afirmou confiar nas análises e experimentos conduzidos pela equipe em solo antes de qualquer decisão final.
Plano de ação prioriza segurança e reorganiza retorno
As equipes em solo iniciaram a avaliação e reorganizaram o retorno da tripulação. A Agência Espacial Tripulada da China informou que as medidas seguiram o princípio de priorizar a segurança dos astronautas chineses.
Foi preparada com urgência uma espaçonave Shenzhou-22 não tripulada, lançada com sucesso em 25 de novembro de 2025. A nave transportava alimentos espaciais, suprimentos médicos, frutas, vegetais frescos e dispositivos para reparar a janela trincada.
Em modo não tripulado, a Shenzhou-22 acoplou-se à porta frontal do módulo central Tianhe da estação Tiangong. Paralelamente, decidiu-se que a tripulação retornaria na Shenzhou-21.
O retorno ocorreu em 14 de novembro, utilizando a Shenzhou-21, descrita como nova, mas emprestada. A Shenzhou-20 permaneceu acoplada à estação, considerada insegura para reentrada naquele momento.
A Administração Espacial Nacional da China informou que um dispositivo de reparo de rachaduras na escotilha foi enviado com urgência ao local de lançamento. Os astronautas instalaram o equipamento na cápsula danificada.
Segundo a CNSA, o dispositivo melhorou efetivamente a proteção térmica e a capacidade de vedação da espaçonave durante a reentrada.
Pouso da cápsula vazia ocorre em 19 de janeiro sob condições extremas
A operação de emergência foi concluída quando a cápsula de retorno Shenzhou-20, sem tripulação, pousou de paraquedas em Dongfeng, na Região Autônoma da Mongólia Interior, em 19 de janeiro deste ano.
As equipes de busca enfrentaram temperaturas congelantes e ventos fortes. Xu Peng, comandante no local, afirmou que foi a primeira vez que o Centro de Pouso Dongfeng realizou uma recuperação na estação mais fria do ano.
Ele declarou que medidas especiais de proteção contra o frio foram adotadas para garantir boas condições de pessoal e equipamentos durante toda a missão.
Como a cápsula não era tripulada, não havia astronauta para acionar manualmente o paraquedas. O paraquedas principal não se desprendeu automaticamente após o pouso.
Com ventos fortes, havia risco de a cápsula ser arrastada pelo solo. A equipe precisou chegar rapidamente ao ponto de pouso para cortar o paraquedas.
Uma inspeção no local confirmou que o exterior da cápsula estava geralmente intacto após a reentrada. Os itens internos também estavam em boas condições, segundo a CMSA.
No total, a Shenzhou-20 permaneceu 270 dias em órbita, validando sua capacidade de acoplamento de longo prazo, conforme informado pela CCTV. Engenheiros afirmaram que o trabalho subsequente fornecerá base importante para o programa espacial chinês refinar procedimentos operacionais.
Comparação com caso Starliner e avaliação de resposta
Jan Osburg, engenheiro sênior da RAND em Pittsburgh, afirmou que foi coincidência os programas dos EUA e da China apresentarem problemas com cápsulas de reentrada em intervalo aproximado de um ano.
Ele citou o caso da cápsula Starliner, construída pela Boeing, que apresentou modo de falha diferente. Segundo ele, em ambos os casos, as cápsulas afetadas conseguiram retornar à Terra em segurança.
Na opinião de Osburg, os chineses demonstraram boa capacidade de resposta ao lançar uma espaçonave reserva em poucas semanas. Ele disse que os EUA também trouxeram seus astronautas de volta após o problema com a Starliner.
No entanto, afirmou que não houve demonstração do mesmo tipo de capacidade de resposta prática. Ele mencionou a possibilidade de envio de uma nova Crew Dragon da SpaceX em algumas semanas, mas destacou que os detalhes nunca foram discutidos publicamente.
Para Osburg, ambos os casos sublinham a importância de capacidades de resgate espacial implementadas antes que algo aconteça, concluindo que a experiência reforça a necessidade de preparação para emergências no espaço.
Este artigo foi elaborado com base em informações divulgadas pelo China Media Group, pela Televisão Central da China (CCTV), pela Agência Espacial Tripulada da China (CMSA), pela Administração Espacial Nacional da China (CNSA) e em declarações publicadas pelo Space.com.

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