Enquanto a Austrália gasta milhões para abater jumentos selvagens vistos como praga, pesquisas recentes mostram que esses animais podem criar água, recuperar o solo e ajudar a proteger fazendas quando usados com controle científico e planejamento ambiental.
Um país que há décadas atira de helicópteros em jumentos selvagens para proteger cercas, nascentes e lavouras. Agora, os mesmos jumentos selvagens começam a ser vistos como aliados improváveis na luta contra o deserto, ajudando a trazer água de volta ao solo seco e a defender fazendas da poeira, do fogo e da fome. O que muda não é o animal, mas a forma como a Austrália escolhe conviver com ele.
Em vez de apenas eliminá-los, pesquisadores e ambientalistas defendem que jumentos selvagens sejam integrados a projetos de restauração ecológica.
Sob controle, com número certo e no lugar certo, jumentos selvagens podem abrir poços de água, misturar o solo, espalhar sementes e transformar áreas mortas em corredores de vida para a fauna e a agricultura.
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De vilões a peças-chave da paisagem australiana
Por muitos anos, jumentos selvagens foram tratados quase só como inimigos. Eles quebram cercas, disputam água com o gado e pisoteiam margens de rios frágeis.
Em várias regiões da Austrália, a resposta foi simples e brutal: campanhas de abate em massa para “limpar” o outback.
Esse modelo criou um ciclo de conflito sem fim. Quanto mais se via jumentos selvagens como praga, mais se investia em matar, sem parar para perguntar se havia outra forma de usar a força desses animais a favor do próprio ambiente.
Aos poucos, porém, estudos de campo começaram a mostrar outro lado da história, revelando que o comportamento natural dos jumentos selvagens podia ser uma ferramenta ecológica poderosa.
Como jumentos selvagens criam água em pleno deserto

Quando a seca aperta, jumentos selvagens fazem o que sempre fizeram nos ambientes áridos de onde vieram originalmente: eles procuram água cavando.
Com cascos fortes e focinhos insistentes, abrem buracos em leitos de rios secos e em depressões do terreno até encontrar lençóis de umidade escondidos abaixo da superfície.
Esses buracos, que nas fazendas muitas vezes eram vistos só como “bagunça”, funcionam na prática como pequenos poços artesianos naturais.
Ao cavar para beber, jumentos selvagens acabam criando pontos de água que outras espécies também usam, desde aves e cangurus até pequenos animais que não conseguiriam alcançar o lençol freático sozinhos.
Em projetos de manejo orientado, técnicos já observam que, onde jumentos selvagens são mantidos em número planejado, esses poços se tornam ilhas de umidade em áreas antes totalmente secas.
A água que sobe à superfície infiltra, alimenta plantas resistentes e cria uma rede de pontos úmidos que ajudam a travar o avanço do deserto.
Jumentos selvagens como engenheiros do solo
O impacto dos cascos de jumentos selvagens vai além da busca por água. Ao caminhar longas distâncias todos os dias, eles quebram a crosta dura que se forma na superfície do solo depois de anos de sol forte e falta de chuva. Essa crosta impede que a água penetre e que sementes germinem.
Quando jumentos selvagens circulam em áreas definidas, abrem microfissuras nesse “teto” endurecido da terra. Essas marcas discretas são portas de entrada para a chuva, o orvalho e os nutrientes, ajudando o solo a voltar a funcionar como uma esponja, em vez de uma placa de cimento quente.
As fezes dos jumentos selvagens também têm um papel importante. Carregadas de sementes de plantas nativas e nutrientes concentrados, elas funcionam como pequenas cápsulas de fertilizante.
Em zonas restauradas com planejamento, surgem manchas de vegetação mais densa exatamente onde esses animais descansam, bebem ou se alimentam com mais frequência.
Assim, jumentos selvagens deixam um rastro de solo mais vivo por onde passam.
Protegendo fazendas com jumentos sob controle científico
Para os fazendeiros, o medo é compreensível. Ninguém quer ver cercas destruídas, bebedouros disputados ou pastos superexplorados.
A diferença está em trocar o caos pelo controle. Em vez de bandos sem manejo, a ideia é trabalhar com grupos conhecidos e monitorados de jumentos selvagens em áreas definidas de cada paisagem.
Em fazendas que participam de projetos-piloto, jumentos selvagens são usados em faixas estratégicas de terra, longe de áreas mais sensíveis, para abrir solo duro, cavar poços e criar corredores de infiltração de água.
É como se o produtor rural ganhasse uma equipe de tratores biológicos, movidos a capim e instinto, ajudando a proteger a fazenda do deserto que avança.
Além disso, jumentos selvagens tendem a seguir rotas semelhantes ao longo dos dias. Isso permite que técnicos desenhem trilhas que evitam encostas frágeis, nascentes delicadas e áreas de erosão.
Com cercas bem planejadas e pontos de água alternativos, o dano é reduzido e o benefício ecológico se multiplica.
Planejamento ambiental para transformar conflito em parceria
Nada disso funciona sem planejamento. Deixar jumentos selvagens soltos em qualquer lugar, sem limite de população, é receita certa para problemas. O que muda é o desenho do manejo.
Em vez de extermínio geral, entra em cena uma combinação de ciência, monitoramento e metas claras para cada paisagem.
Equipes de campo definem quantos jumentos selvagens a região suporta sem colapsar, quais áreas precisam de mais ajuda para recuperar o solo e onde a presença desses animais é indesejável.
Com esse tipo de controle ambiental, os jumentos selvagens deixam de ser vilões automáticos e passam a ser ferramentas de restauração usadas com precisão cirúrgica.
Em algumas regiões, o plano inclui cercar áreas de alto valor ecológico, retirar jumentos selvagens de trechos mais sensíveis e concentrá-los onde o solo está mais degradado e precisa ser “reaberto” para receber água e vida.
O foco deixa de ser “acabar com a espécie” e passa a ser “usar o comportamento natural da espécie a favor da paisagem”.
O futuro dos jumentos selvagens na Austrália
A discussão sobre jumentos selvagens na Austrália está longe de terminar. De um lado, há quem continue defendendo abates em massa como solução mais rápida.
Do outro, cresce o grupo que vê nesses animais uma chance rara de usar a própria fauna invasora como aliada na recuperação do deserto e na proteção de fazendas ameaçadas pela seca.
Se a Austrália insistir em tratar jumentos selvagens apenas como problema, vai continuar gastando dinheiro para apagar incêndios sem mudar a realidade do solo e da água.
No fim, a pergunta que fica é simples e direta: você acha que a Austrália deve continuar abatendo jumentos selvagens em massa ou usar esses animais, com controle científico, para salvar o deserto e proteger as fazendas?
So what happens to the culled donkeys carcasses, are they left to rot?, I think they should be skinned and the meat and skin sold out to generate revenue and jobs?
I can see that there may be benefits in areas where the soil has been compacted or otherwise degraded, such as on cattle stations, but ‘wilderness’ ?
The donkeys are obviously a good thing regulated.