Projeto de megaengenharia planeja um mar gigante no deserto australiano, com usinas de dessalinização, dutos e energia solar para transformar clima, ecossistemas e cidades do interior
A ideia de construir um mar gigante no deserto australiano surgiu como resposta a um desafio extremo: um país de dimensões continentais, com grande parte do território seco, pouco habitado e sob pressão de secas cada vez mais severas. Mais do que uma obra de infraestrutura, o projeto foi pensado como uma forma de alterar o clima do interior, criar novas áreas produtivas e reduzir a vulnerabilidade de regiões em colapso hídrico.
Ao longo de quase um século, engenheiros e governos discutiram diferentes versões desse plano, desde o desvio de rios até o bombeamento de água do oceano por centenas de quilômetros.
A proposta de um mar gigante no deserto australiano chegou a ser orçada em cerca de 200 bilhões de dólares, com uma área maior do que a soma de Mato Grosso do Sul e Bahia, capaz de mudar o mapa ambiental e econômico do país.
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Um país gigante com um interior quase vazio
A Austrália tem tamanho semelhante ao dos Estados Unidos, mas a ocupação do território é extremamente desigual. Cerca de 80 por cento do país é pouco ou nada habitado, com enormes áreas de deserto e clima extremo no interior.
A população se concentra em uma faixa relativamente estreita ao longo da costa, onde estão cidades como Sydney, Brisbane e Perth.
No centro do país, o chamado Outback é um dos maiores vazios populacionais do mundo. Há áreas do tamanho do estado do Amazonas com menos habitantes do que um único bairro densamente povoado de grandes capitais brasileiras.
No Outback, o calor no verão passa facilmente dos 45 graus, o inverno pode registrar temperaturas abaixo de zero e a chuva pode demorar anos para cair.
O solo, em muitos trechos, é tão seco e salgado que lembra o sertão mais árido. Serviços básicos, como saúde e comunicação, são escassos.
Em algumas regiões isoladas, uma única garrafa de água pode custar o equivalente a uma refeição completa em lanchonete. Historicamente, colonizadores europeus evitaram esse interior hostil e fixaram suas cidades no litoral, reforçando o contraste entre uma costa relativamente fértil e um centro árido e esvaziado.
O primeiro sonho de um mar gigante no deserto
Nos anos 1930, o engenheiro John Bradfield, conhecido como um dos grandes nomes da engenharia australiana e responsável pela ponte da baía de Sydney, apresentou um plano que parecia ficção científica.
A proposta era criar um mar gigante no deserto ao redirecionar águas das cheias tropicais do norte do país, especialmente da região de Queensland, para a bacia do lago Eyre, uma grande depressão natural cerca de 15 metros abaixo do nível do mar.
Para isso, Bradfield desenhou uma rede de represas, bombas e canais com mais de 2.300 quilômetros de extensão. A ideia era semelhante a um canal de super escala, mas com outro objetivo: em vez de ligar oceanos, transformar um deserto em um enorme lago permanente.
Esse mar interior ajudaria a resfriar o clima regional, gerar energia hidrelétrica e permitir agricultura em larga escala.
De tempos em tempos, o lago Eyre realmente enche com chuvas de monções e se transforma temporariamente em um ambiente úmido, cheio de vida. O plano de Bradfield buscava tornar esse fenômeno constante, criando um ecossistema novo no centro do país.
Em termos de ambição, o projeto de mar gigante no deserto australiano lembrava as maiores transposições de água do mundo, mas em escala ainda mais ousada.
O projeto, porém, nunca saiu do papel. Custos elevados, complexidade técnica e preocupações ambientais derrubaram a proposta. O fracasso do Mar de Aral, na antiga União Soviética, onde o desvio de rios para irrigação fez o mar encolher cerca de 90 por cento, funcionou como alerta sobre os riscos de alterar sistemas naturais em larga escala.
Em 1970, a ideia foi oficialmente arquivada, embora o conceito de um mar interior voltasse a ser discutido em diferentes momentos.
Seca histórica e incêndios que reacendem a megaideia
A partir de 2017, o leste da Austrália passou a enfrentar a pior seca em quatro séculos. Cidades médias, como Tamworth, com dezenas de milhares de moradores, passaram a depender de caminhões-pipa do exército para ter água potável. Em municípios menores, famílias receberam limites diários de água que mal cobriam o mínimo para cozinhar e higienizar o básico.
No campo, a situação foi ainda mais grave. Sem água para manter rebanhos, muitos produtores sacrificaram o próprio gado. Em três anos, o país perdeu cerca de um terço do rebanho bovino, e propriedades passaram a ser abandonadas depois de gerações da mesma família na terra.
Na sequência, o verão de 2019 para 2020 ficou marcado por incêndios de grande escala, com bilhões de animais mortos, fumaça visível a milhares de quilômetros e impactos severos em florestas e recifes de coral.
Represas construídas ao longo de décadas, com investimentos na casa de dezenas de bilhões de dólares, ficaram vazias. Usinas de dessalinização ajudaram grandes cidades, mas não alcançaram o interior.
Nesse cenário de seca prolongada, incêndios intensos e colapso de sistemas tradicionais de água, a proposta de um mar gigante no deserto voltou a ganhar espaço como possível resposta estrutural à crise hídrica e climática da Austrália.
Mar gigante no deserto 2.0: como funcionaria o novo projeto
A versão recente do projeto, descrita como uma espécie de mar interior 2.0, atualiza o antigo sonho com tecnologias modernas. Em vez de depender apenas de rios e cheias tropicais, a proposta é bombear água do oceano por mais de 600 quilômetros em direção ao interior, apoiada em três pilares principais:
- usinas de dessalinização distribuídas ao longo do litoral
- grandes usinas solares para fornecer energia ao sistema
- uma rede de dutos e estações de bombeamento para transportar grandes volumes de água
O objetivo continua sendo formar um mar gigante no deserto na região da bacia do lago, criando um corpo d’água permanente no coração do país.
A água salgada ajudaria a reduzir a evaporação, e o espelho d’água em grande escala poderia influenciar a circulação de ventos e umidade.
Modelagens indicam potencial de aumento das chuvas em até 15 por cento em um raio de cerca de 100 quilômetros ao redor, com possibilidade de surgimento de novos núcleos urbanos.
O custo estimado para a implantação do sistema ultrapassa 200 bilhões de dólares, valor superior ao de alguns dos maiores programas espaciais da história.
A proposta de mar gigante no deserto australiano é tratada, inclusive pelos seus proponentes, como um dos maiores projetos de megaengenharia já planejados, com cronograma de construção em décadas.
Clima, ecossistemas e cultura: o que pode mudar
Se construído, o mar interior alteraria profundamente o ambiente de uma das regiões mais secas da Austrália. O aumento da umidade e das chuvas poderia recriar paisagens, favorecer vegetação distinta e abrir espaço para agricultura em áreas hoje consideradas impraticáveis. Ao mesmo tempo, o avanço da salinidade é um dos principais pontos de alerta.
A água salgada, se não controlada, poderia esterilizar o solo ao redor do lago, dificultar o cultivo e gerar condições semelhantes às de outros corpos d’água extremamente salinos.
Há cenários em que, poucos anos depois da formação do mar, a combinação de evaporação e concentração de sal levaria a um ambiente de difícil equilíbrio ecológico.
Outro fator central é o impacto sobre comunidades locais e povos indígenas. A região do lago é considerada sagrada para o povo Arabana, que associa o local a ancestrais e tradições espirituais.
Para esses grupos, inundar a área a fim de criar um mar gigante no deserto equivaleria a transformar um território sagrado em infraestrutura, o que levanta questões sociais e culturais complexas.
Do ponto de vista econômico, críticos argumentam que os mesmos recursos poderiam financiar milhares de usinas de dessalinização menores, programas de captação de água da chuva, reciclagem hídrica e agricultura adaptada à seca, com resultados mais distribuídos e previsíveis.
Defensores do projeto, por outro lado, sustentam que intervenções pontuais não seriam suficientes diante da magnitude da crise climática e defendem um salto de escala.
Megaengenharia ou soluções distribuídas: o debate continua aberto
Neste momento, o projeto de mar gigante no deserto permanece em estudo, com avaliações de impacto ambiental, custos, riscos sociais e retorno de longo prazo.
Não há consenso entre especialistas, comunidades locais e formuladores de políticas públicas sobre o melhor caminho.
A construção, caso aprovada, teria início apenas nos próximos anos e se estenderia por décadas, exigindo compromissos políticos e financeiros contínuos.
Para alguns, a iniciativa representa uma aposta em transformação radical da geografia e do clima de uma região inteira. Para outros, é um risco elevado em um momento em que soluções flexíveis, descentralizadas e ajustadas a diferentes territórios ganham força no mundo todo.
O debate em torno do mar gigante no deserto da Austrália sintetiza uma questão central do século 21: até que ponto a megaengenharia deve ser usada para tentar corrigir ou compensar os efeitos das mudanças climáticas em larga escala.
E você, o que acha? A Austrália deveria seguir adiante com o projeto de criar um mar gigante no deserto ou priorizar soluções menores e distribuídas para enfrentar a seca e a crise hídrica?

Debe implementar el proyecto
Siiii!!!!!!!
Mi opinión es todo lo contrario; con 200 millones se podría crear una planta des salinisadora jigante y construirse varias piscinas gigantes con agua des salinizada creando bomberos de agua desde el océano y partecde esa agua des salinidad puede tratarse y cortarse para uso humano reforsando Grandemente el suministro de agua potable y otra parte de esa agua sin tratar se puede usar en parcelas grande de terreno en el desierto con sistema de riegos por goteo para tener un me jor uso del recurso líquido, y esa seria una solución más barata y más viable que viene a mitigar el suministro de agua algunas poblaciones más lejanas a la capital, lo segundo: este sistema vendria a sacarle mucho provecho al desierto con la agricultura por medio de sistema de riegos y a convertir parte del desierto en zonas productivas económicamente hablando y creando una fuente de producción de alimentos, provocando baja en algunos productos que quizas se tengan que importar para el consumo humano y por último esto podría ser también rentable y productivo en la producción de energía hidroeléctrica, que también podría ser benefactor para el estado y para la misma población, es un bonito proyecto, es mucho más barato, puede ser gran parte de sus costos de manutención autosustenible y abriría espacio a la agricultura, la ganadería, revivirla los suelos con el riego a goteo y se le sacaría muchísimo provecho alas aguas del océano y al suelo reseco y seretico sin desaprovechar ni mal gastar el recurso líquido como es el agua., esta es mi opinión Gracias por permitirme opinar.