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Fazenda diz que PL das Bagagens pode sair mais caro para o consumidor

Escrito por Sara Aquino
Publicado el 08/11/2025 a las 15:29
Segundo o Ministério da Fazenda, o PL das Bagagens pode prejudicar a economia e manter as passagens em patamares elevados.
Foto: IA
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Segundo o Ministério da Fazenda, o PL das Bagagens pode prejudicar a economia e manter as passagens em patamares elevados.

O Ministério da Fazenda concluiu que o PL das Bagagens pode encarecer o preço das passagens aéreas e reduzir a concorrência no setor. A análise foi feita pela Secretaria de Reformas Econômicas, órgão comandado pelo ministro Fernando Haddad, e divulgada nesta semana em nota técnica.

O estudo recomenda a rejeição parcial do projeto, que está em tramitação no Senado Federal após ter sido aprovado pela Câmara dos Deputados.

Segundo o parecer, a proposta afeta o ambiente competitivo da aviação ao limitar a entrada de novas companhias aéreas e impor custos adicionais às empresas.

Como resultado, o texto pode impactar diretamente o bolso dos consumidores e manter os preços das tarifas em patamares elevados.

PL das Bagagens prevê transporte gratuito de malas em voos

O projeto de lei das bagagens estabelece que os passageiros possam levar gratuitamente uma bagagem despachada de até 23 quilos em voos nacionais e internacionais operados em território brasileiro.

Além disso, o texto garante o direito a uma bagagem de mão e um item pessoal — como mochila ou bolsa — sem custo adicional.

Embora o objetivo da proposta seja proteger o consumidor, a Fazenda argumenta que o efeito pode ser o oposto.

A pasta ressalta que a obrigatoriedade de transporte gratuito de malas pode eliminar tarifas promocionais, especialmente aquelas voltadas a passageiros que viajam apenas com bagagem de mão.

Governo vê risco de distorções no mercado aéreo

De acordo com a nota técnica, o PL das Bagagens não contribui para ganhos de eficiência ou clareza nas relações de consumo.

Pelo contrário, o documento aponta que o texto pode prejudicar a inovação e a concorrência entre companhias aéreas.

“Embora a preocupação com a proteção do consumidor seja legítima e compreensível, entendemos que a proposta legislativa pode gerar efeitos contrários aos seus objetivos iniciais, pois restringe o rol de escolhas do consumidor e impede a oferta de tarifas ajustadas aos diferentes perfis de viajantes — inclusive aquele que voa com pouca ou nenhuma bagagem — e, portanto, mais baratas”, diz a nota.

A avaliação do Ministério da Fazenda é que a proposta obriga passageiros a pagarem por serviços que não utilizam, já que o despacho de malas seria incorporado ao preço final da passagem.

Assim, o custo seria diluído entre todos os viajantes, elevando o valor médio dos bilhetes.

Impacto direto sobre o bolso e a concorrência

A análise da Fazenda afirma que a imposição legal de transporte gratuito de bagagens “força determinados consumidores a pagar por serviços de que não necessitam”.

Além disso, alerta que o projeto pode reduzir a movimentação de passageiros no país, já que muitas pessoas só conseguem viajar hoje devido às tarifas econômicas que excluem serviços adicionais como despacho de malas e marcação de assentos.

“Na prática, isso implica em mudança na estrutura de custos da empresa, com reflexos na precificação dessa proibição nos valores cobrados pelos bilhetes de passagem, o que poderá gerar restrição na oferta na aviação comercial”, complementa o parecer.

Ministério recomenda alternativa regulatória ao projeto

A Secretaria de Reformas Econômicas sugere que o governo utilize instrumentos infralegais e de cooperação regulatória já existentes para tratar do tema, em vez de alterar a lei.

A proposta é combinar tais mecanismos com uma análise técnica e jurídica sobre compatibilidade internacional da medida, evitando distorções no mercado global de aviação.

“O resultado esperado é a intensificação do aumento de preços e sua manutenção em patamares elevados, tanto devido ao aumento de custos provocados pela legislação, quanto pela redução da pressão concorrencial”, conclui a nota.

O que ainda falta para o PL das Bagagens virar lei

O PL 5.041/2025 ainda precisa ser analisado pelo Senado Federal antes de ir à sanção presidencial.

Além do tema das bagagens, o texto também prevê que as companhias aéreas não poderão cancelar o trecho de volta quando o passageiro não embarcar no voo de ida, prática conhecida como no show, sem autorização expressa do cliente.

Enquanto o debate segue em Brasília, o impasse expõe um dilema entre proteção ao consumidor e liberdade de mercado.

De um lado, parlamentares defendem mais garantias aos passageiros; de outro, o Ministério da Fazenda alerta que intervenções excessivas podem prejudicar a economia do setor aéreo, elevar o custo das viagens e reduzir a competitividade dos aeroportos brasileiros.

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Luis Carlos Mendes
Luis Carlos Mendes
10/11/2025 13:45

Uma discrepância, o Ministério da Fazenda, deveria propor medidas que auxiliasse o consumidor. Em 2017, as companhias aéreas disseram que iria reduzir os valores das passagens, houve um movimento contrário, num setor dominado por três empresas que ditam as regras que nada beneficia os passageiros.

Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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