Banco Central decreta a liquidação da Will Bank, ligada a Vorcaro, e acende alerta no mercado de investimentos e no sistema financeiro.
Banco Central decreta liquidação da Will Financeira ligada a Vorcaro
O Banco Central do Brasil decretou, nesta quarta-feira (21), a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro.
A decisão ocorreu após o órgão identificar insolvência, deterioração da situação econômico-financeira e vínculos diretos de interesse com o Banco Master, que já havia sido liquidado em novembro de 2025.
Com isso, o Banco Central atuou para conter riscos ao sistema financeiro nacional, proteger o ambiente de investimentos e preservar a confiança do mercado.
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Decisão do Banco Central mira estabilidade do sistema financeiro
De acordo com o Banco Central, a Will Financeira perdeu a capacidade de manter suas operações de forma sustentável. Além disso, o regulador avaliou que o vínculo societário com o Banco Master agravou significativamente o risco da instituição.
Por esse motivo, a autarquia considerou a liquidação extrajudicial como a única alternativa viável para evitar impactos maiores sobre o Sistema Financeiro Nacional.
Segundo o comunicado oficial, o exercício do poder de controle por parte de uma instituição já liquidada reforçou o comprometimento da Will Financeira. Assim, o Banco Central decidiu antecipar a intervenção para reduzir danos ao mercado e impedir a ampliação de incertezas no setor de investimentos.
Relação entre Will Financeira, Banco Master e Vorcaro
O empresário Daniel Vorcaro figura como um dos controladores da Will Financeira e também como proprietário do Banco Master.
Essa ligação pesou de forma decisiva na análise do Banco Central. Conforme destacou a autoridade monetária, a interdependência entre as instituições aumentou a exposição a riscos financeiros e operacionais.
Em nota, o regulador explicou que o chamado Conglomerado Master se enquadrava como instituição de crédito diversificado, de pequeno porte, classificada no segmento S3 da regulação prudencial.
Ainda assim, o histórico recente levou o Banco Central a adotar uma postura mais rigorosa, mesmo diante da participação relativamente reduzida do grupo no sistema.
Conglomerado tinha participação limitada no SFN
Segundo dados divulgados pelo próprio Banco Central, o conglomerado detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional.
Apesar disso, o regulador avaliou que a relevância sistêmica não se mede apenas pelo tamanho, mas também pela capacidade de gerar instabilidade e afetar a confiança dos agentes econômicos.
Dessa forma, o Banco Central optou por agir preventivamente. Ao fazer isso, a autoridade buscou evitar que problemas localizados se espalhassem e impactassem outros segmentos do mercado de investimentos.
Regime especial já indicava fragilidade do grupo
Antes da liquidação definitiva, o Banco Master já operava sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET). Esse instrumento permite ao Banco Central intervir diretamente na gestão quando identifica falhas graves ou riscos à continuidade da instituição.
Nesse cenário, o regulador entendeu que manter a Will Financeira em funcionamento, sob controle do mesmo grupo, ampliaria as fragilidades existentes. Por isso, a autarquia avançou para a liquidação extrajudicial como medida de proteção ao sistema financeiro.
Descumprimento com a Mastercard acelerou decisão
Outro fator decisivo foi o descumprimento, por parte da Will Financeira, da grade de pagamentos junto ao arranjo da Mastercard. Como consequência direta, a empresa sofreu o bloqueio de sua participação nesse sistema de pagamentos.
Segundo o Banco Central, esse episódio evidenciou a incapacidade operacional da instituição. Diante disso, o órgão afirmou que a liquidação tornou-se inevitável, considerando a insolvência, o comprometimento financeiro e o vínculo de controle com o Banco Master.
Banco Central bloqueia bens e amplia investigações
Com a decretação da liquidação, o Banco Central determinou a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores da Will Financeira. A medida busca garantir recursos para eventuais ressarcimentos e assegurar o avanço das investigações.
Em nota, o órgão destacou que continuará apurando responsabilidades dentro de suas competências legais. Caso identifique irregularidades, o processo poderá resultar em sanções administrativas e comunicações às autoridades competentes.
Mesmo liquidante assume Will Financeira
O Banco Central nomeou Eduardo Bianchini, já responsável pela liquidação do Banco Master, como liquidante da Will Financeira. Com isso, a autarquia pretende dar continuidade técnica às apurações e manter coerência na condução dos processos envolvendo instituições controladas por Vorcaro.
Will Financeira não se manifesta
Procurada, a Will Financeira informou que não irá se manifestar neste momento. Enquanto isso, o mercado acompanha os desdobramentos com atenção, sobretudo investidores impactados pela decisão.
O caso reforça a atuação do Banco Central na supervisão do sistema financeiro e reacende o debate sobre governança, controle e riscos no setor de investimentos.

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