Proposta da prefeitura ganha apoio de frequentadores ao expor diferenças de preços em poucos metros de areia, enquanto barraqueiros e concessionárias divergem sobre a viabilidade da medida
A discussão sobre o tabelamento de preços nas praias do Rio de Janeiro ganhou força nos últimos dias após relatos recorrentes de banhistas que se dizem reféns de cobranças consideradas abusivas. Em plena temporada de calor intenso, com temperaturas próximas dos 40 °C, itens básicos como guarda-sóis, cadeiras e até água de coco passaram a apresentar variações significativas de valor em pontos muito próximos de uma mesma praia, o que reacendeu o debate sobre a necessidade de regras mais claras para o comércio à beira-mar.
A informação foi divulgada por O Globo, que acompanhou de perto a experiência de frequentadores em praias como a Praia de Copacabana e o Arpoador. Segundo a reportagem, há casos em que o aluguel de um guarda-sol chega a custar R$ 25 em uma barraca e R$ 50 em outra localizada a poucos metros de distância, o dobro do valor pelo mesmo serviço.
Esse cenário, embora antigo para muitos cariocas, tem causado surpresa principalmente entre turistas e moradores da Região Metropolitana, que afirmam não conseguir prever quanto irão gastar em um simples dia de praia.
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Variação de preços afeta turistas e moradores da Região Metropolitana

No último domingo (11), a recepcionista Maria Luíza Oliveira, de 20 anos, saiu de São João de Meriti de moto com o namorado, o estudante Carlos Henrique Pires, de 22 anos, para aproveitar a Praia de Copacabana. Sem conseguir levar guarda-sol ou cadeiras próprias, o casal acabou exposto à variação de preços praticada por diferentes barraqueiros.
Já vimos guarda-sol aqui por R$ 25 e por R$ 50, o dobro do preço. Com o tabelamento, a gente não precisaria ficar procurando — relatou Maria Luíza, explicando que tenta pagar no máximo R$ 30 pelo aluguel, por saber que esse é o valor mais baixo praticado na região.
Essa percepção se repete entre outros frequentadores. A esteticista Thaís Lima, de 26 anos, esteve no Arpoador no sábado (10) e no domingo (11) e afirma ter sentido na prática a diferença nos valores. Segundo ela, a cobrança de R$ 50 pelo aluguel de um guarda-sol se tornou comum em dias de calor extremo, justamente quando a demanda aumenta.
Com 40 °C, quem não vai pagar por um guarda-sol? Eles se aproveitam disso — criticou.
A amiga Cássia Agostini, de 33 anos, reforçou a queixa ao apontar que o valor de uma simples cadeira variou de R$ 12 em um dia para R$ 20 no dia seguinte, na mesma praia. Para ela, a sensação é de que os preços são definidos “na cabeça do barraqueiro”, o que dificulta qualquer planejamento de gastos.
Como consequência direta dessa incerteza, muitos banhistas passaram a carregar cadeiras, cangas, alimentos e bebidas de casa, mesmo com o esforço adicional, apenas para evitar custos considerados excessivos.
Prefeitura, concessionárias e barraqueiros divergem sobre padronização
Segundo a Prefeitura do Rio, a regra atual determina que os barraqueiros fixem uma tabela visível com os preços de todos os produtos comercializados, justamente para evitar cobranças arbitrárias. Ainda assim, a fiscalização reconhece que a prática nem sempre é seguida, sobretudo em áreas de grande fluxo turístico.
Após o prefeito Eduardo Paes mencionar publicamente a possibilidade de estudar o tabelamento de preços, a concessionária Orla Rio, responsável pela gestão da maioria dos quiosques, se posicionou de forma contrária à proposta. De acordo com seu presidente, João Marcello Barreto, a atividade segue a lógica de mercado e não comportaria uma padronização ampla.
Ele argumenta que estruturas mais sofisticadas, com serviços diferenciados, não poderiam ser equiparadas a operações mais simples. Ainda assim, reconhece que cobranças abusivas, como valores que chegam a R$ 800 por estruturas de praia, geralmente envolvem a prática ilegal de consumo mínimo, o que é proibido tanto pelo Código de Defesa do Consumidor quanto pelos contratos de concessão.
— O consumidor pode acionar o Procon e registrar a ocorrência nos nossos canais. Mantemos vigilância rigorosa e constante — afirmou, destacando que já dialoga com o prefeito sobre o tema.
Por outro lado, a Praia S/A, associação que representa cerca de 500 barraqueiros da Barra da Tijuca e do Recreio, declarou apoio ao tabelamento, desde que os profissionais participem das discussões. Para o presidente da entidade, Eduardo Silva de Andrade, embora os custos de operação na praia sejam naturalmente mais altos, preços abusivos precisam ser combatidos para garantir um ambiente mais justo.
Diferenças de preços e novas regras reforçam debate sobre ordenamento
A variação de valores não se limita ao aluguel de equipamentos. Em Copacabana, por exemplo, um coco gelado custa R$ 8 em um depósito a um quarteirão da orla, sobe para R$ 13 no calçadão e volta a R$ 8 alguns metros adiante. Em promoções, a discrepância é ainda maior: dois cocos por R$ 15 em uma barraca e os mesmos dois por R$ 25 em outra.
Essa diferença em um espaço tão curto é apontada pelos frequentadores como o principal argumento para defender o tabelamento de preços. A proposta ganhou ainda mais visibilidade após a reportagem do O Globo denunciar cobranças consideradas abusivas nas praias cariocas.
Paralelamente a esse debate, a prefeitura implementou novas regras para a Pedra do Arpoador, que agora funciona com horários semelhantes aos de um parque público. Desde o dia 3 de janeiro, o local abre às 4h e fecha às 21h, medida que tem sido bem recebida pelos banhistas, mesmo por aqueles que encontraram o acesso fechado à noite.
— A gente estranhou no início, mas aprovo a medida. O espaço ficou mais organizado — comentou Maria Luíza Oliveira, que precisou mudar os planos após encontrar o Arpoador fechado durante a madrugada.
No fim das contas, tanto o controle de acesso quanto o possível tabelamento de preços refletem uma demanda crescente por mais organização, transparência e previsibilidade no uso das praias do Rio, especialmente em períodos de alta temperatura e grande movimento.
Você considera justo pagar preços tão diferentes pelo mesmo produto na mesma praia ou o tabelamento é a única forma de evitar abusos e garantir mais transparência para banhistas e turistas?
Toda e qualquer taxa fe conservação ou cobrança é ilegal e assim melhor abandonar o uso que vão rever esse roubo… #AcordaBrasil
Sou contra na minha opinião as Prefeituras de todo território nacional deveriam proibir esses Ambulantes ..Eles é que emporcalham nossas praias.