A iniciativa de Larry Ellison em Lanai prometia revolucionar a agricultura com estufas avançadas, sensores e energia limpa – mas os desafios naturais, técnicos e de gestão transformaram o experimento em uma lição cara sobre limites da tecnologia
Larry Ellison, cofundador da Oracle e um dos homens mais ricos do planeta, decidiu transformar Lanai, sua ilha particular no Havaí, em um campo experimental de agricultura de alta tecnologia. A ambição surgiu porque ele acreditava que o local poderia servir de modelo para produzir alimentos de forma sustentável e, portanto, inspirar práticas capazes de ajudar outras regiões.
A proposta parecia ousada, além disso, caríssima: mais de meio bilhão de dólares destinados a erguer um projeto que deveria unir inovação, cultivo avançado e impacto global.
A compra que deu início ao experimento
Quando Ellison adquiriu 98% de Lanai por cerca de US$ 300 milhões em 2012, ele visualizou um propósito maior do que apenas ter um refúgio exclusivo.
-
A vila brasileira única onde não tem asfalto, energia elétrica quase não chega, carro não entra e a luz da Lua vira atração entre dunas e ruas de areia, chamando a atenção de mais 1,5 milhão de turistas por ano
-
Em pleno interior paulista, uma cidade que já foi lar de dinossauros chama a atenção do mundo: o «Jurassic Park» com mais de mil pegadas de dinossauro fossilizadas de 135 milhões de anos é algo realmente fascinante
-
A CIA construiu em segredo o Glomar Explorer, o maior navio de mineração do mundo, usou o bilionário Howard Hughes como fachada e tentou levantar do fundo do Pacífico, a quase 5.000 metros de profundidade, um submarino nuclear soviético de 1.700 toneladas em uma das operações mais audaciosas da Guerra Fria
-
Quanto custa construir uma casa de 100 m² em 2026
Segundo uma reportagem do Wall Street Journal, o bilionário pretendia recuperar parte da vocação agrícola da ilha, anteriormente prejudicada pelo cultivo de abacaxi, e, ao mesmo tempo, testar tecnologias modernas para produzir alimentos.
“Temos uma ilha onde não podemos cultivar nada, e precisamos de alimentos”, afirmou David Agus, cofundador da Sensei Ag, empresa criada para executar o plano.
“Vamos mudar a agricultura.” Essa ideia ganhou força com um investimento inicial de US$ 500 milhões, valor superior ao gasto para adquirir quase toda a ilha. A proposta incluía robótica, sensores, métodos hidropônicos e inteligência artificial.
Estufas que enfrentaram a realidade
A teoria parecia impecável, porém a prática provou o contrário. As seis estufas construídas em Lanai rapidamente se tornaram um exemplo de como inovação e ambiente natural podem entrar em choque.
Os engenheiros israelenses responsáveis pelo projeto não consideraram os ventos fortes e a umidade alta.
Os telhados, orçados em US$ 12 milhões, foram arrancados diversas vezes por rajadas que atingiram 130 km/h. Os reparos elevaram esse custo para aproximadamente US$ 50 milhões.
Outro obstáculo surgiu com os painéis solares enviados por Elon Musk para abastecer as estufas. A poeira acumulada pelo vento reduzia a eficiência e obrigava o uso frequente de geradores a diesel, contrariando o plano de operar de forma sustentável.
Tecnologia que deveria ajudar, mas atrapalhou
Conexões Wi-Fi instáveis prejudicaram sensores essenciais, responsáveis por controlar temperatura, luz e ventilação. Por isso o funcionamento das estruturas sempre foi irregular.
A complexidade técnica, vista inicialmente como diferencial, acabou se tornando um peso difícil de administrar. Um ex-gerente relatou que a visão original se perdeu aos poucos, conforme as dificuldades cresciam.
Resultados distantes da ambição global
Com todo o investimento, a Sensei Ag alcançou um desempenho modesto. Tornou-se forte produtora de alface e tomate-cereja para abastecer o próprio Havaí.
Embora isso represente um resultado positivo dentro da escala local, está longe da promessa de alimentar o mundo ou revolucionar a agricultura.
As mudanças constantes de ideia de Ellison também impediram avanços maiores. Ele tentou recuperar o solo usando plantas ricas em minerais, depois cogitou cultivar frutas exóticas, importou moldes para melancias quadradas e analisou o cultivo de mangas nas estufas.
Todas essas ideias foram descartadas por questões de custo, mercado ou viabilidade técnica. Até o wasabi entrou na lista de possibilidades, mas também foi abandonado quando os chefs locais recomendaram práticas mais simples. No fim, o foco retornou à alface e ao tomate.
Liderança mais tecnológica do que agrícola
A Sensei Ag enfrentou dificuldades porque suas lideranças sempre vieram do setor de tecnologia. Dave Douglas, engenheiro de software que vive em Massachusetts, assumiu a gestão da operação mesmo à distância.
O diretor de tecnologia, Danny Hillis, é referência em redes de computadores, mas não possui experiência agrícola.
Essa estrutura impediu decisões assertivas sobre práticas essenciais de cultivo. Para os habitantes de Lanai, que somam cerca de 3.200 pessoas, isso gerou dúvidas.
A ilha ainda importa entre 80% e 90% dos alimentos, o que reforçou críticas sobre o uso da terra como laboratório em vez de solução para a própria comunidade.
Ajuste de rota
Nos últimos anos, a Sensei reduziu suas ambições. Em vez de tentar produzir alimentos em larga escala, passou a desenvolver softwares e tecnologias para agricultura indoor. A intenção agora é fornecer ferramentas que outras fazendas possam licenciar.
Centros de testes na Califórnia trabalham com robótica e sistemas para diminuir custos de mão de obra.
Além disso, a empresa cortou culturas como pimentões e pepinos para priorizar misturas de alface mais lucrativas. David Agus resumiu a decisão: “As pessoas não gostam muito de pepinos. Não havia mercado sustentável.”
Um megaprojeto na Ilha: mm experimento que virou lição
O projeto de Ellison mostra como a lógica do Vale do Silício nem sempre funciona em setores tradicionais.
Embora tenha investido mais de meio bilhão de dólares, os resultados ficaram aquém da promessa inicial. Um funcionário comparou a expectativa a “receber um Bugatti e terminar com um Yugo”.
Ellison continua financiando iniciativas locais, como melhorias no hospital, reconstrução de um teatro e construção de moradias.
Porém, sua tentativa de revolucionar a agricultura permanece como um lembrete custoso de que tecnologia, sozinha, não resolve desafios ligados ao clima, ao solo e ao cultivo real.
Com informações de Luxurylaunches.
for this kind of project experts in agriculture and natural farming ex. permaculture, regenerative farming and chicken ,goat and sheep and cows grazing on land will improve soil fertility in few months to a year you can use technology as an added advantage
Esse camarada, estava sem problemas e muinto dinheiro disponível pra gastar, aí foi procurar com onque ocupar a mente e gastar a grana,…não fique com.pena dele não, fez o que queria , não deu certo….paciência.
Tem que apresentar a Embrapa para o Elisson, para ele tomar algumas aulas sobre como desenvolver a agricultura com recursos limitadíssimos em um ambiente hostil.
Embrapa deveria mudar o nome para Embramagic.
Parabéns! Matou à ****!