Produção nacional de biometano cresce e fortalece a transição energética no país
O biometano avança no Brasil porque transforma resíduos orgânicos em um combustível renovável com alto teor de metano, acima de 96%, segundo Ana Paula Silva, do IPT.
Esse percentual elevado permite substituir o gás natural com menor emissão de gases de efeito estufa, enquanto garante maior estabilidade no fornecimento.
O processo envolve a purificação do biogás, que remove contaminantes e aumenta a eficiência energética.
A expansão da tecnologia ganhou ritmo após 2023 com novos investimentos em unidades de tratamento e em infraestrutura voltada para geração distribuída.
Vantagens econômicas e ambientais
O biometano se destaca porque, além de reduzir emissões, também oferece previsibilidade de custos, como explica Marcel Jorand, CEO da Gás Verde, em 2025.
Ele afirma que o preço do combustível permanece estável por ser produzido em território nacional. Essa característica evita oscilações provocadas pelo dólar ou pelo petróleo, o que facilita o planejamento energético das empresas.
O combustível também atua no tratamento adequado do lixo urbano, reduzindo passivos ambientais e criando valor para resíduos que antes eram descartados sem aproveitamento.
Rotas de produção ampliam o potencial do gás renovável
A Gás Verde utiliza aterros sanitários como principal fonte para gerar biometano.
Outras rotas incluem rejeitos agroindustriais, subprodutos de abatedouros, dejetos animais, esgoto e efluentes industriais, além de resíduos do setor sucroenergético. Essa diversidade reforça a capacidade do país de ampliar a oferta do gás renovável, transformando diferentes resíduos em uma solução energética consistente.
Segundo Silva, essa versatilidade ajuda a converter problemas ambientais históricos em uma matriz energética mais limpa e eficiente.
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Indústrias adotam metas e expandem operações
Empresas como L’Oréal, Nestlé e STIHL intensificam o uso do biometano desde 2024, porque buscam reduzir emissões e estabilizar custos. Na L’Oréal, a diretora Juliana Fleming afirma, em 2025, que 60% dos itens vendidos utilizarão o combustível até 2030.
Ela explica que a operação já emprega biometano no transporte entre fábrica e centro de distribuição. Além disso, as entregas em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul registram menor impacto ambiental.
Na Nestlé, o combustível abastece a produção de lácteos e chocolates nas unidades de Araçatuba e Caçapava. Araçatuba utiliza resíduos da cana-de-açúcar, enquanto Caçapava emprega material de aterros sanitários.
Conforme explica Donir Costa, diretor de Engenharia, em 2025, a empresa reduziu emissões sem exigir mudanças estruturais significativas, porque o biometano se integra facilmente aos processos industriais existentes.
A STIHL também avança desde 2023.
O gerente Rafael Szabo afirma que caminhões dedicados transportam o gás e que a empresa mantém estrutura própria de armazenagem em São Leopoldo.
Ele destaca que a fábrica passará a operar integralmente com biometano até o final de 2025, já que a proximidade com o aterro municipal facilita o abastecimento contínuo.
Estabilidade energética e metas ambientais
O biometano se consolida como alternativa estratégica porque reduz emissões, estabiliza custos e fortalece a infraestrutura sustentável do país.
Além disso, ele diminui a dependência de insumos importados e cria benefícios ambientais relevantes. Essa combinação impulsiona metas climáticas estabelecidas por empresas desde 2022 e sustenta a transição energética brasileira.

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