O BNDES liberou R$ 450 milhões para uma nova planta de biometano em Paulínia. O projeto da Edge e Orizon fortalece a energia renovável, reduz emissões e impulsiona empregos verdes no Brasil
Em 17 de dezembro, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento estimado em R$ 450 milhões para a implantação de uma das maiores plantas de biometano do Brasil, localizada em Paulínia, no interior de São Paulo. O projeto será desenvolvido pela Biometano Verde Paulínia (BVP), empresa ligada à joint venture formada pela Edge e Orizon, e marca um avanço relevante para a energia renovável e para a economia de baixo carbono no país.
Financiamento do BNDES fortalece a planta de biometano em Paulínia
O financiamento foi estruturado com recursos do Fundo Clima e da linha Finem, reforçando o papel do BNDES como um dos principais indutores de projetos sustentáveis de grande escala no Brasil. A iniciativa também se destaca pela capacidade de transformar resíduos sólidos urbanos em combustível renovável, com impactos diretos na redução de emissões e na geração de empregos.
Trata-se de um dos maiores investimentos já realizados no segmento de biometano no país, consolidando Paulínia como um polo estratégico da transição energética nacional. O financiamento aprovado pelo BNDES para a construção da planta de biometano soma aproximadamente R$ 450 milhões.
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Desse total, 80% dos recursos são provenientes do Fundo Clima, mecanismo federal voltado ao apoio de projetos com impacto ambiental positivo, enquanto os 20% restantes vêm da linha Finem, tradicional instrumento de crédito de longo prazo do banco.
O contrato possui prazo total de 16 anos, com vencimento final em 15 de setembro de 2041, oferecendo estabilidade financeira para a execução do empreendimento. Segundo comunicado divulgado ao mercado pela Orizon, o primeiro desembolso, no valor de R$ 242,5 milhões, ocorreu em 17 de dezembro, sendo destinado à quitação integral de um empréstimo-ponte que venceria em 31 de dezembro de 2025.
A estrutura financeira evidencia a confiança do BNDES na viabilidade econômica e ambiental do projeto, além de sinalizar ao mercado o potencial de crescimento do biometano no Brasil.
Estrutura e capacidade da planta de biometano do Brasil
A nova planta de biometano será instalada no Ecoparque Orizon VR, em Paulínia, um dos principais complexos de tratamento de resíduos do país. A unidade será dedicada à purificação do biogás gerado a partir de resíduos sólidos urbanos, convertendo-o em biometano com padrão de qualidade compatível ao uso industrial e veicular.
A planta terá capacidade para produzir até 225 mil metros cúbicos por dia de gás de origem renovável, volume considerado expressivo para o mercado brasileiro. Esse nível de produção posiciona o projeto como o maior do país nesse segmento, especialmente no aproveitamento energético de aterros sanitários.
Ao transformar resíduos urbanos em combustível limpo, o projeto reforça o conceito de economia circular, reduz passivos ambientais e amplia a oferta de energia renovável na matriz nacional.
Edge e Orizon lideram projeto estratégico de energia renovável
A Biometano Verde Paulínia (BVP) é a razão social da Onebio, joint venture formada pela Edge e Orizon. A Edge Comercialização, empresa do grupo Cosan, detém 51% de participação, enquanto a Orizon possui os 49% restantes. Dentro da estrutura do projeto, a Onebio será responsável por receber todo o biogás gerado no ecoparque e realizar sua purificação na nova planta de biometano.
A parceria entre Edge e Orizon reúne expertise complementar em comercialização de energia, gestão de resíduos e operação de ativos industriais. Esse modelo fortalece a governança do projeto e cria uma base sólida para futuras expansões.
A atuação conjunta das empresas amplia a competitividade do biometano frente aos combustíveis fósseis, especialmente em aplicações industriais e no transporte pesado.
Energia renovável e economia de baixo carbono no centro do investimento
O projeto financiado pelo BNDES está diretamente alinhado às políticas de incentivo à energia renovável e à economia de baixo carbono. O biometano é considerado uma alternativa estratégica por permitir a substituição de combustíveis fósseis, como o diesel e o gás natural de origem não renovável.
Além disso, a captura e o aproveitamento energético do biogás contribuem para a redução das emissões de metano, gás com alto potencial de aquecimento global. Esse duplo benefício ambiental fortalece o papel do biometano como solução climática relevante, especialmente em um país com grande geração de resíduos urbanos.
Impacto da planta de biometano na geração de empregos
Durante a fase de construção da planta de biometano em Paulínia, a estimativa é de que tenham sido gerados cerca de 3 mil empregos diretos e indiretos. As oportunidades abrangem áreas como engenharia, construção civil, montagem industrial, logística e serviços especializados.
A geração de empregos associada à energia renovável reforça o potencial do setor como vetor de desenvolvimento econômico, especialmente em regiões com forte atividade industrial.
Além disso, a operação contínua da planta tende a criar postos de trabalho permanentes ao longo de sua vida útil. Esse impacto positivo contribui para o fortalecimento da economia local e para a qualificação profissional da mão de obra envolvida.
Avaliação da Edge sobre o apoio do BNDES
Para Demetrio Magalhães, CEO da Edge, o financiamento aprovado pelo BNDES representa um incentivo decisivo à economia de baixo carbono no Brasil. Segundo o executivo, o apoio do Fundo Clima e da linha Finem amplia a competitividade do biometano e viabiliza novos investimentos no setor.
Segundo Magalhães em comunicado, o suporte do Fundo Clima e da linha Finem é essencial para fortalecer a competitividade e viabilizar a expansão dos investimentos em biometano. Ele também destacou que o combustível pode contribuir de forma significativa para a descarbonização de frotas pesadas, como caminhões e ônibus.
Visão da Orizon sobre a expansão do biometano
Milton Pilão, CEO da Orizon VR, classificou a planta de Paulínia como um projeto pioneiro para a expansão da produção de biometano em larga escala no Brasil. Segundo ele, a iniciativa segue o modelo já implementado pela empresa em Pernambuco e servirá como referência para futuras unidades.
O projeto transforma resíduos sólidos urbanos em energia limpa e ajuda na redução das emissões de gases de efeito estufa, destacou o executivo. A Orizon avalia que o crédito aprovado reforça o valor ambiental do empreendimento e cria bases para a replicação do modelo em outros aterros sanitários do grupo
O que o projeto representa para o futuro do biometano no Brasil
O avanço da planta de biometano de Paulínia ocorre em um contexto de crescente interesse pelo combustível no Brasil. O país possui elevado potencial de geração de biogás a partir de resíduos urbanos, agroindustriais e do saneamento, o que abre espaço para novos projetos estruturados com apoio do BNDES.
A experiência da Edge e Orizon demonstra que o biometano pode ser produzido em escala, com viabilidade econômica e ganhos ambientais relevantes. O projeto se consolida como um marco da transição energética brasileira, fortalecendo a oferta de energia renovável, estimulando investimentos sustentáveis e contribuindo para uma matriz energética mais limpa e resiliente.

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