Espírito Santo vive expansão histórica de galpões logísticos e atrai bilhões em investimentos industriais, impulsionando polos empresariais.
O Espírito Santo atravessa um dos momentos mais expressivos de sua economia recente, impulsionado por investimentos industriais que redesenham o mapa urbano e criam novos polos empresariais.
O movimento, liderado por empresas privadas e políticas municipais de incentivo, ganhou força especialmente em 2024 e projeta crescimento até 2029.
O que está acontecendo é a transformação de áreas estratégicas do Estado em corredores logísticos modernos, onde serão instalados mais de 750 mil m² adicionais de galpões em construção parte de um total já existente que ultrapassa 3,6 milhões de m², segundo o Sincades.
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Mas por que esse boom ocorre agora? E como ele está remodelando cidades inteiras?
Logo no início desse processo, destaca-se um megaprojeto que simboliza o novo ciclo capixaba: o Private Log, considerado o maior galpão logístico sustentável do Brasil.
A estrutura, em implantação no Contorno do Mestre Álvaro, na Serra, terá mais de 620 mil m² de Área Bruta Locável (ABL) e supera grandes complexos como Cajamar e Guarulhos II, em São Paulo, reposicionando o Estado no mapa nacional da distribuição e armazenagem.
Investimentos industriais impulsionam novos polos empresariais
A ampliação dos polos empresariais capixabas acompanha uma demanda crescente por infraestrutura robusta para atender indústrias, operadores logísticos e empresas exportadoras.
Conforme projeção do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), os investimentos devem somar R$ 137,6 bilhões até 2029, incluindo R$ 3,5 bilhões destinados especificamente a transporte, armazenagem e correio.
Assim, o Espírito Santo consolida sua vocação logística ao atrair empresas que buscam localização estratégica e custos operacionais mais competitivos.
Para o presidente da Ademi-ES, Alexandre Schubert, essa expansão eficaz reduz despesas e fortalece o setor.
Ademais, ele explica que galpões logísticos e indústrias tendem a ser construídos em regiões periféricas, onde o preço do solo é menor e há espaço para edificações de grande porte.
Private Log: símbolo da nova onda de infraestrutura capixaba
Além de sua dimensão inédita, o Private Log ganha destaque por estar em uma área estratégica, próxima a vias de escoamento e ao complexo portuário da Grande Vitória.
O empreendimento surge como resposta direta ao ritmo acelerado dos investimentos industriais e da intensificação das exportações.
Esse crescimento também acompanha o avanço das Zonas de Processamento de Exportações (ZPEs) e de portos relevantes, como Imetame e Portocel, em Aracruz, e o Porto Central, em Presidente Kennedy todos considerados motores do desenvolvimento local e regional.
Infraestrutura reforçada transforma cidades e valoriza regiões
A criação desses grandes empreendimentos logísticos desencadeia um efeito em cadeia na economia local. De acordo com Schubert, eles impulsionam o mercado imobiliário e promovem novos fluxos de urbanização.
Assim, mesmo sem função residencial direta, os projetos atraem serviços, empregos e novos moradores, ampliando o dinamismo das cidades.
O diretor do Sinduscon-ES, Sergio Augusto de Magalhães e Souza, reforça que “o setor de logística, quando bem planejado e bem implementado, traz um impacto positivo muito grande para o desenvolvimento das regiões e, também, para o setor da construção civil”.
Ele explica que os investimentos mobilizam obras complementares, como rodovias modernizadas e expansão de infraestrutura viária.
Um dos principais atrativos para investidores e empresas está justamente nessa infraestrutura ampliada.
Cidades da Grande Vitória se adaptam para receber mais investimentos
Quatro municípios estão à frente do processo de transformação logística no Estado: Serra, onde está o Private Log; Viana; Cariacica; e Vila Velha.
Todas pertencem à Grande Vitória e ocupam posições estratégicas próximas a rodovias, ao Aeroporto de Vitória e aos principais portos capixabas.
Assim, para ampliar a competitividade, as prefeituras vêm modernizando seus Planos Diretores Municipais (PDMs) instrumento que define regras de uso e ocupação do solo.
Na Serra, o PDM atualizado em 2023 eliminou a obrigatoriedade de Estudo de Impacto de Vizinhança para loteamentos destinados a empreendimentos industriais e logísticos.
O secretário Cláudio Denícoli afirma que o plano promove adensamento, sustentabilidade e mobilidade urbana, criando condições favoráveis para grandes empresas.
Viana também avança com diretrizes que fortalecem zonas industriais e logísticas.
A cidade abriga o complexo Raizz Viana, de 74 mil m², inaugurado em 2024 e com segunda fase prevista para 2025.
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