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Brasil aproveita cerca de 12% dos resíduos urbanos em 2024 para geração de energia renovável e biometano, revela estudo da Abrema

Escrito por Hilton Libório
Publicado em 10/12/2025 às 09:13
Lixeira plástica verde com símbolo de reciclagem cheia de resíduos urbanos, em frente a plantas de biogás e biometano em campo gramado sob céu parcialmente nublado
Brasil aproveita cerca de 12% dos resíduos urbanos em 2024 para geração de energia renovável e biometano, revela estudo da Abrema/ Imagem Ilustrativa
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O novo estudo da Abrema revela como o Brasil ainda desperdiça grande parte dos resíduos urbanos, apesar do alto potencial para gerar energia renovável e ampliar a produção de biometano em 2024

O relatório Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025, publicado pela Abrema (Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente), trouxe um diagnóstico preocupante sobre a gestão ambiental nacional. Segundo matéria publicada pela Agência iNFRA nesta terça-feira (9), o estudo revela que apenas 11,7% dos resíduos urbanos gerados em 2024 foram convertidos em energia renovável ou combustíveis como biogás e biometano, apesar do enorme potencial existente no país.

Energia renovável: aproveitamento dos resíduos urbanos ainda é baixo

Embora o volume anual de lixo seja alto — 81,6 milhões de toneladas, equivalente a aproximadamente 1 kg por pessoa por dia —, o aproveitamento ainda é muito limitado. Assim, o levantamento reforça que o avanço da recuperação energética dos resíduos permanece lento, mesmo diante da crescente demanda por alternativas sustentáveis. O estudo mostra que o país avançou pouco na última década quando se trata de transformar resíduos urbanos em energia renovável.

Em 2024, do total gerado, 6,57 milhões de toneladas foram utilizadas para produzir eletricidade a partir do biogás. 2,6 milhões de toneladas foram destinadas à fabricação de biometano, combustível renovável capaz de substituir o gás natural fóssil.

Mesmo assim, esses números representam apenas uma pequena parcela do potencial brasileiro. A Abrema aponta que, caso os grandes municípios destinassem seus resíduos a aterros sanitários com infraestrutura para captar biogás, a produção nacional de biometano poderia chegar a 2,86 milhões de Nm³ por dia, o que significaria aumento de 525% em relação à capacidade atual.

Esse dado deixa claro que o Brasil tem oportunidades expressivas de expansão, mas carece de políticas públicas consistentes e investimentos em infraestrutura para atingir esse patamar.

Lixões continuam sendo entrave para ampliar energia renovável

Apesar de políticas que determinam o fim dos lixões, o país ainda enfrenta um cenário crítico. Em 2024 28,1 milhões de toneladas, ou 40,3% dos resíduos coletados, foram destinadas a lixões e outros locais irregulares. Quase 3 mil lixões continuavam ativos, mesmo após sua proibição.

Esses números revelam que a existência de lixões inviabiliza a recuperação energética dos resíduos, já que apenas aterros sanitários adequados permitem a captura do biogás usado na geração de eletricidade ou na produção de biometano. Além disso, esses locais representam riscos ambientais, sociais e sanitários, impactando diretamente comunidades vulneráveis.

Portanto, o relatório destaca que o principal obstáculo não é tecnológico, mas estrutural. Sem eliminar o descarte irregular, o país continuará desperdiçando matéria-prima que poderia ser transformada em energia renovável e em novos produtos dentro da economia circular.

Desigualdades regionais dificultam avanços da energia renovável no Brasil

O levantamento da Abrema reforça que o país não possui um padrão uniforme de gestão de resíduos urbanos. As regiões avançam em ritmos diferentes, influenciadas por fatores como infraestrutura, investimento público e capacidade administrativa.

No Sudeste e Sul, mais de 69% dos resíduos têm destinação adequada em aterros sanitários. Essas regiões concentram a maior parte das plantas de aproveitamento energético. No Norte, entretanto, apenas 38,7% do lixo recebe tratamento correto, tornando o índice da região o pior do Brasil.

Essas diferenças mostram que a expansão da energia renovável depende diretamente da qualidade da gestão regional. Enquanto estados mais estruturados conseguem desenvolver projetos de conversão de resíduos em energia, regiões menos favorecidas ainda lutam contra o descarte clandestino.

A falta de integração entre municípios também prejudica o avanço da cadeia do biogás. Muitos projetos deixariam de ser inviáveis se cidades menores atuassem em consórcios regionais, o que ampliaria a escala de operação e reduziria custos.

Reciclagem tradicional avança pouco e depende dos catadores

Além do baixo aproveitamento energético, a reciclagem também enfrenta desafios estruturais. Em 2024, somente 8,7% dos resíduos secos foram reciclados. Quase dois terços do material recuperado dependem do trabalho manual de catadores.

Embora desempenhem um papel essencial, os catadores atuam majoritariamente em condições informais, sem remuneração adequada ou infraestrutura. O relatório reforça que a formalização das cooperativas e a ampliação da coleta seletiva são fundamentais para que o país consiga aumentar seus índices.

Consequentemente, a baixa taxa de reciclagem também contribui para o envio de materiais recicláveis a aterros e lixões, desperdiçando recursos que poderiam gerar emprego, renda e impacto ambiental positivo.

O papel estratégico do biometano na transição energética

Entre as alternativas identificadas para transformar o setor, o biometano surge como uma solução estratégica. Além de ser renovável, ele apresenta características semelhantes ao gás natural, podendo ser utilizado em frotas de ônibus e caminhões, na indústria, em usinas térmicas, na injeção direta na rede de distribuição.

Por ser obtido a partir da decomposição de resíduos urbanos, o biometano reduz emissões, diminui a pressão sobre aterros sanitários e incentiva práticas de economia circular. Assim, a expansão da cadeia do biometano está diretamente associada ao desenvolvimento de infraestrutura adequada, exigindo aterros estruturados, sistemas de coleta eficientes e incentivos à produção.

Atualmente, o Brasil possui plantas em operação em cidades como São Paulo, Caieiras e Curitiba, mas, segundo o relatório, a capacidade instalada é muito inferior ao potencial real. Com investimentos direcionados, o país poderia ampliar rapidamente a oferta desse combustível sustentável.

Caminhos para impulsionar a gestão de resíduos urbanos no Brasil

Para transformar resíduos urbanos em oportunidades de desenvolvimento econômico e energético, especialistas citados pela Abrema apontam medidas prioritárias.

Entre elas fortalecer a fiscalização para acabar com os lixões, expandir a coleta seletiva com participação ativa de catadores, incentivar parcerias público-privadas para modernizar aterros e usinas, criar instrumentos regulatórios específicos para o biogás e o biometano, promover consórcios regionais para ampliar escala e reduzir custos.

Essas ações permitiriam que os resíduos deixassem de ser um passivo e se tornassem parte de uma cadeia sustentável baseada em energia renovável e economia circular.

Relevância do tema para o futuro do Brasil

O estudo divulgado em dezembro de 2025 reforça que o Brasil ainda está distante de aproveitar plenamente seu potencial para transformar resíduos urbanos em energia renovável. Entretanto, o cenário também evidencia oportunidades significativas para reverter esse quadro.

À medida que cidades crescem e geram mais resíduos, soluções modernas são indispensáveis. Aproveitar melhor o lixo significa produzir energia limpa, reduzir impactos ambientais e gerar desenvolvimento econômico.

Com investimentos adequados, políticas eficazes e integração entre municípios, o país pode superar os atuais 11,7% de aproveitamento e avançar para um sistema de gestão de resíduos mais moderno, eficiente e sustentável.

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Hilton Libório

Hilton Fonseca Liborio é redator, com experiência em produção de conteúdo digital e habilidade em SEO. Atua na criação de textos otimizados para diferentes públicos e plataformas, buscando unir qualidade, relevância e resultados. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras, Energias Renováveis, Mineração e outros temas. Contato e sugestões de pauta: hiltonliborio44@gmail.com

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