Dados do novo inventário nacional mostram alta das emissões e exigem ações imediatas por sustentabilidade no setor
Brasil atualiza inventário nacional e expõe novos riscos climáticos no transporte
O Brasil divulgou, nesta terça-feira (2), a atualização do inventário nacional de emissões do transporte rodoviário, trazendo os primeiros dados oficiais em dez anos. Assim, o país retoma uma base essencial para compreender a evolução da poluição no setor.
O novo levantamento revela como, onde e por que as emissões cresceram, mesmo com avanços tecnológicos, além de reforçar a urgência de soluções para garantir sustentabilidade, eficiência e inovação no setor. Desse modo, o estudo coloca em evidência desafios que já influenciam diretamente a mobilidade brasileira.
O estudo foi elaborado pelo IEMA e coordenado pelos ministérios dos Transportes e do Meio Ambiente. Além disso, a atualização chega em um momento decisivo para orientar políticas públicas e, por consequência, preparar o país para uma transição mais limpa.
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Inventário nacional reforça necessidade de inovação no transporte
O relatório destaca que o inventário será a principal base de evidências para modernizar o setor. Ele orienta ações que incluem eletrificação sustentável, biocombustíveis avançados e logística mais eficiente.
Segundo Cloves Benevides, do Ministério dos Transportes,
“O documento serve como base técnica para acelerar a transição para uma matriz de transporte de baixo carbono.”
Adalberto Maluf, do MMA, afirma:
“O lançamento do inventário representa um passo decisivo para consolidarmos políticas públicas orientadas por evidências.”
Crescimento das emissões acompanha expansão acelerada da frota
As emissões de CO₂ equivalente cresceram cerca de 8% entre 2012 e 2024 e, consequentemente, esse avanço acompanha a ampliação da frota e o maior uso dos veículos.
Em 2024, especificamente:
- Automóveis responderam por 34% das emissões.
- Caminhões semipesados, por 22%.
- O CO₂ representou 97% do total.
Além disso, o inventário traz, pela primeira vez, dados sobre carbono negro, o que reforça impactos diretos à saúde e ao clima e ainda amplia a compreensão sobre os desafios ambientais do setor..
Mudança no perfil do material particulado aumenta alerta ambiental
O estudo mostra uma alteração relevante no comportamento do material particulado (MP). Enquanto as emissões por combustão caíram, o desgaste de pneus, freios e pavimentos aumentou e, por isso, hoje representa metade do total.
Diante desse cenário, o dado destaca a necessidade de inovação em mobilidade e em materiais veiculares. Além disso, reforça o papel estratégico do transporte ferroviário como alternativa de menor impacto ambiental.
Principais quedas e avanços nas emissões por poluente
O inventário nacional registrou reduções expressivas em diversas categorias:
- CO: queda de 5,5 milhões para 1 milhão de toneladas desde 1991.
- NOx: redução consistente desde os anos 1990.
- MP: menos de 18 mil toneladas por combustão em 2024; somado ao desgaste, chega a 38 mil.
- Carbono negro: cerca de 8 mil toneladas.
- Metano: queda contínua desde os anos 1990.
- CO₂: 270 milhões de toneladas emitidas em 2024.
- Expansão constante da frota brasileira pressiona emissões
- A frota nacional passou de 71 milhões de veículos em 2024. Automóveis representam 63%, motocicletas 25% e comerciais leves 9%. A frota pesada chegou a 2,5 milhões de unidades.
- Esse cenário reforça a importância de integrar modais mais eficientes, especialmente o transporte ferroviário, para reduzir emissões e ampliar produtividade logística.
País precisará de mais dados e inovação para avançar em sustentabilidade
A atualização contou com oficinas técnicas e participação de especialistas. Além disso, o relatório aponta que o país precisa aprimorar bases de dados, fatores de emissão e informações de licenciamento para elevar a precisão das estimativas.
Enquanto isso, David Tsai, do IEMA, afirma que o inventário atende às diretrizes da Política Nacional de Qualidade do Ar e dá suporte aos estados para atualizar seus próprios documentos.
Dessa forma, o novo inventário deixa claro que o Brasil avançou, mas, ainda precisa acelerar a sustentabilidade, fortalecer políticas baseadas em evidências e, assim, ampliar a inovação para transformar efetivamente o sistema de transporte.

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