Anunciada por Luis Rua, do Mapa, na Gulfood em Dubai, a habilitação de 14 frigoríficos soma 52 plantas autorizadas a vender carne bovina à Indonésia, país de 287 milhões de habitantes. A abertura ganha peso com as cotas da China: 1,1 milhão de toneladas e tarifa de 55% no excedente.
O Brasil habilitou 14 novas plantas de frigoríficos para exportar carne bovina à Indonésia, segundo Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), durante a Gulfood, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, que ocorre até sexta-feira (30).
Em setembro do ano passado, 17 indústrias já tinham conseguido aval para embarcar a proteína ao país asiático, e agora o total chega a 52 plantas com permissão sanitária. A expansão chega enquanto o setor busca alternativas às cotas da China, que limitaram compras em 1,1 milhão de toneladas e impuseram tarifa de 55% sobre o volume excedente até 2028.
O que muda com a liberação de mais 14 plantas
A nova habilitação amplia, na prática, o número de frigoríficos brasileiros aptos a atender um mercado considerado estratégico na Ásia. Com as autorizações, o Brasil passa a ter 52 plantas liberadas para enviar cortes bovinos à Indonésia, somando as liberações anteriores às novas aprovações anunciadas em Dubai.
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Além do ganho imediato de acesso, a medida cria uma rota comercial com potencial de escala: a Indonésia é o quarto país mais populoso do mundo, com cerca de 287 milhões de habitantes, e tende a absorver volumes relevantes quando há oferta regular, previsibilidade sanitária e capacidade industrial para cumprir embarques.
Quem são os 14 frigoríficos habilitados e onde ficam
A lista das novas indústrias autorizadas inclui plantas em diferentes regiões do país, com presença de grandes grupos e empresas regionais. Foram habilitados:
• JBS: Andradina (SP), Anastácio (MS) e Campo Grande (MS)
• Cooperfrigu: Gurupi (TO)
• Distriboi: Ji-Paraná (RO)
• Fisacre: Rio Branco (AC)
• Fribal: Imperatriz (MA)
• Frigol: São Félix do Xingu (PA)
• Frigorífico Pantanal: Várzea Grande (MT)
• Mercúrio: Castanhal (PA)
• Minerva: Barretos (SP)
• Primafoods: Araguari (MG)
• Zancheta: Bauru (SP)
Essa distribuição mostra como a habilitação de frigoríficos não se concentra em um único polo, reunindo unidades do Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste, o que tende a diversificar origens, rotas logísticas e capacidade de oferta para atender contratos no exterior.
Por que a Indonésia entrou no radar com tanta força
A ampliação do número de frigoríficos aptos a exportar ocorreu após uma articulação institucional mais ampla. Foi lembrado que, no final do ano passado, houve missão presidencial na Indonésia com o presidente Lula e um encontro empresarial, em que representantes do governo e da Apex Brasil atuaram para aumentar o número de empresas brasileiras com acesso ao mercado indonésio.
Jorge Viana, presidente da Apex Brasil, reforçou o peso estratégico desse destino ao afirmar que o mercado da Indonésia é tão importante quanto o da China. Para o setor, isso significa reduzir dependência de um único comprador dominante e ampliar opções de destino em um momento de restrições comerciais.
Cotas da China e o empurrão para abrir novos caminhos
O setor iniciou 2026 sob impacto das cotas implementadas pela China, aplicadas a parceiros. No caso do Brasil, a regra limita as compras em 1,1 milhão de toneladas e estabelece tarifa de 55% sobre o volume que ultrapassar esse teto, com vigência prevista até 2028.
Com esse cenário, a habilitação de novos frigoríficos para a Indonésia aparece como uma válvula de escape comercial: mais plantas autorizadas significam mais capacidade de redirecionar oferta, negociar volumes e manter o fluxo exportador mesmo quando o principal destino impõe limites.
Consumo interno e exportações em alta ao mesmo tempo
Uma preocupação recorrente entre consumidores é o medo de que exportar mais carne gere falta no mercado interno e pressione preços. Jorge Viana destacou que, pelos dados citados, o consumo interno está aumentando enquanto as vendas externas também avançam, inclusive com recordes.
Os números apresentados pela Abiec apontam que, entre janeiro e novembro, o Brasil exportou 3,15 milhões de toneladas, alta de 18,3% em relação ao mesmo período de 2024, com receita de US$ 16,18 bilhões, crescimento de 37,5%. Esses dados ajudam a sustentar o argumento de que a cadeia tem conseguido conciliar abastecimento doméstico e expansão internacional.
Produtividade, tecnologia e o “déficit estrutural” de carne no mundo
Eduardo Pedroso, diretor executivo de Originação e Confinamentos da JBS Friboi, afirmou que o déficit mundial de carne bovina é estrutural e que o Brasil vive um processo de ganho de produtividade com aplicação de novas tecnologias. Na lógica do setor, esse avanço de produtividade é o que permite atender o mercado interno e, ao mesmo tempo, gerar excedentes para exportação.
Na prática, quando frigoríficos e produtores aumentam eficiência e capacidade de entrega, o país fortalece participação no mercado global e, segundo essa visão, retroalimenta a cadeia produtiva, levando valor de volta até o produtor.
Como o setor tenta mitigar o impacto das restrições chinesas
Roberto Perosa, presidente da Abiec, reforçou que a entidade está buscando, junto ao governo, alternativas para mitigar o impacto da decisão chinesa. A avaliação é que, embora o Brasil esteja abrindo novos mercados e oportunidades, o volume destinado à China ainda é grande, o que torna a adaptação mais sensível.
A estratégia mencionada passa por novas tratativas para equilibrar mercado interno e externo, reduzindo o choque potencial das cotas sobre preços, volumes e previsibilidade de compra.
Perspectivas para 2026 e a ampliação da vitrine asiática
Luis Rua avaliou que 2026 tende a ser promissor para o setor e lembrou que, desde 2023, foram 27 novos mercados abertos para carne bovina, sendo 11 apenas no ano passado.
Para a agenda de 2026, ele citou o interesse de explorar a Coreia do Sul, que demonstra atenção à pecuária brasileira, e informou que o Japão virá em março para auditar o sistema brasileiro de inspeção, movimento que pode abrir oportunidades.
Nesse cenário, a habilitação de 14 novos frigoríficos para a Indonésia entra como mais uma peça de uma estratégia contínua de expansão comercial, em que cada novo mercado reduz risco e amplia poder de negociação para a carne bovina brasileira.
Você acha que liberar mais frigoríficos para a Indonésia pode reduzir a dependência do Brasil da China ou o impacto das cotas ainda vai pesar mais em 2026?
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