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Brasil enfrenta tarifaço dos EUA, perde US$ 700 milhões e mesmo assim dispara nas exportações de carne com avanço histórico na China e na União Europeia

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 16/11/2025 às 15:41
Pilhas de carne bovina congelada sobre palete em área portuária com contêineres, ilustrando exportações brasileiras de carne em 2025.
Lotes de carne bovina congelada posicionados em palete diante de contêineres marítimos, representando o crescimento das exportações brasileiras em 2025.
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Setor reage ao tarifaço dos EUA e sustenta crescimento anual com apoio de novos mercados compradores

Uma movimentação econômica de grande impacto marcou o comércio exterior brasileiro em 2025, atraindo atenção do agronegócio global. Entre agosto e outubro de 2025, o Brasil perdeu cerca de US$ 700 milhões em exportações de carne bovina para os Estados Unidos após a aplicação de tarifas adicionais. Esses dados foram divulgados pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) com base nos números oficiais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC). Assim, o setor conseguiu manter o ritmo mesmo sob forte pressão tarifária.

Em outubro de 2025, as vendas totais de carne bovina alcançaram US$ 1,897 bilhão, representando alta de 37,4% em relação a outubro de 2024. Além disso, foram embarcadas 360,28 mil toneladas, número 12,8% maior na comparação anual. Portanto, o desempenho mensal reforçou a força das exportações brasileiras.

De janeiro a outubro de 2025, o acumulado totalizou US$ 14,655 bilhões, com avanço de 36% sobre igual período de 2024. Paralelamente, o volume exportado chegou a 3,148 milhões de toneladas, aumento de 18% ano a ano, conforme consolidação apresentada pela Secex/MDIC e analisada pela Abrafrigo.

Investigação técnica revela comportamento das exportações para os EUA

Segundo a Abrafrigo, as tarifas impostas pelos Estados Unidos entre agosto e outubro provocaram retração imediata nas vendas brasileiras. Em outubro de 2025, as exportações de carne bovina in natura recuaram 54%, totalizando US$ 58 milhões. Além disso, as vendas de carne industrializada diminuíram 20,3%, somando US$ 24,9 milhões, enquanto os embarques de sebo e gorduras bovinas caíram 70,4%, atingindo US$ 5,7 milhões. Assim, o impacto tarifário foi significativo em todas as categorias comercializadas.

Mesmo com essas reduções, a entidade observou alguma resiliência do mercado, já que os Estados Unidos mantiveram fluxo mínimo de importação. De forma paralela, o acumulado de janeiro a outubro de 2025 apresentou comportamento diferente. As exportações totais para os Estados Unidos cresceram 40,4%, alcançando US$ 1,796 bilhão, reflexo do ritmo acelerado antes do tarifaço.

Impactos econômicos e reação global do mercado comprador

A retração imposta pelos Estados Unidos provocou ajustes imediatos na estratégia do setor. Segundo a Abrafrigo, as perdas acumuladas foram compensadas pelo aumento expressivo das vendas para outros mercados internacionais.

A China manteve sua liderança absoluta. Entre janeiro e outubro de 2025, o país importou US$ 7,060 bilhões em carne bovina e recebeu 1,323 milhão de toneladas, com altas de 45,8% e 21,4% em relação a 2024. Assim, o mercado chinês permaneceu crucial para sustentar o desempenho anual.

Além disso, a União Europeia ampliou sua participação na pauta exportadora. Em outubro de 2025, o bloco registrou 112% de crescimento nas compras, totalizando US$ 140 milhões. No acumulado anual, as vendas atingiram US$ 815,9 milhões, com avanço de 70,2%. O preço médio da carne in natura, segundo a Secex/MDIC, chegou a US$ 8.362 por tonelada. Portanto, a Europa consolidou sua relevância estratégica.

Corrida internacional por novos mercados impulsiona o setor brasileiro

O desempenho de 2025 mostrou que o Brasil ampliou sua presença global mesmo sob forte pressão tarifária. A busca por novos mercados se intensificou, conforme destacou a Abrafrigo, e garantiu estabilidade financeira ao setor. Assim, a diversificação se tornou determinante para compensar a queda americana.

A entidade enfatizou que o setor poderia ter registrado números ainda maiores sem as tarifas impostas pelos Estados Unidos, embora a resposta do mercado global tenha neutralizado grande parte das perdas. Consequentemente, 2025 terminou marcado por expansão e reposicionamento internacional.

O futuro das exportações brasileiras de carne

Especialistas do setor avaliam que o Brasil continuará ampliando participação global caso mantenha competitividade, eficiência logística e alinhamento sanitário. Ainda assim, o impacto das tarifas americanas mostrou que tensões comerciais seguem como desafio para os exportadores.

Diante desse cenário, surge a pergunta inevitável: o Brasil deve priorizar a busca por novos mercados ou focar em negociar diretamente com os Estados Unidos para reduzir o impacto tarifário?

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Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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