Acordo entre Mercosul e União Europeia abre caminho para agregar valor às exportações de café, reduzir tarifas sobre produtos industrializados e ampliar o acesso brasileiro ao maior bloco econômico do mundo, favorecendo ganhos em volume, diversificação de mercados e avanço da indústria nacional no comércio internacional.
As exportações de café do Brasil podem entrar em uma nova fase com o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que amplia o acesso ao maior bloco econômico do planeta e cria condições para vender mais do que apenas grão cru.
O novo cenário das exportações de café combina aumento de volume embarcado com a possibilidade de avançar na venda de produtos industrializados, estratégia vista como essencial para capturar parte da receita global que historicamente ficou fora do país.
Acordo comercial amplia espaço para as exportações de café
Após mais de duas décadas de negociações, o tratado entre Mercosul e União Europeia reduz ou elimina gradualmente tarifas sobre mais de 90 por cento do comércio bilateral.
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Esse movimento reposiciona o Brasil e fortalece as exportações de café dentro de um mercado com grande poder de consumo.
Hoje, a União Europeia já é destino de 48,36 por cento das exportações brasileiras de café não torrado, mostrando como o bloco é central para o setor.
Com a redução tarifária, a expectativa é que as exportações de café ganhem ainda mais espaço, tanto em volume quanto em presença dentro de diferentes países europeus.
Segundo representantes do comércio exterior, o acordo cria condições para ampliar a demanda em um mercado considerado elástico.
Isso pode favorecer não só o café não torrado, mas também estimular o crescimento das exportações de café torrado e de outras categorias com maior valor agregado.
Ganho inicial deve vir pelo aumento de volume
No curto prazo, a avaliação é que o principal efeito sobre as exportações de café será o crescimento do volume vendido.
A eliminação tarifária para milhares de produtos brasileiros tende a impulsionar a balança comercial, mesmo sem mudanças imediatas nos preços.
Esse aumento de volume nas exportações de café pode fortalecer a posição brasileira como fornecedor dominante de matéria-prima, enquanto o país se prepara para disputar também o mercado de produtos industrializados.
Industrialização é a chave para capturar mais valor
O acordo não beneficia apenas o grão cru. Ele também abre uma janela estratégica para que as exportações de café avancem na direção de produtos acabados.
O Brasil responde por cerca de 40 por cento da produção mundial de café, mas participa com apenas 2,7 por cento da receita global do setor.
Esse descompasso revela como as exportações de café, quando focadas apenas na matéria-prima, deixam a maior parte do valor com indústrias e marcas estrangeiras.
A venda de café torrado, solúvel e outros produtos processados é vista como a principal forma de reduzir essa diferença.
Tarifas menores estimulam produtos industrializados
Atualmente, cafés industrializados enfrentam tarifas entre 7,5 por cento e 9 por cento para entrar na União Europeia.
Pelo acordo, essas alíquotas serão reduzidas de forma progressiva até zerarem em um período de até quatro anos, dependendo do produto.
Essa redução favorece diretamente as exportações de café com maior valor agregado. Ao diminuir a barreira tarifária, o Brasil ganha competitividade para vender não apenas grão, mas também marcas, blends e produtos prontos para o consumidor final.
Indicações geográficas fortalecem diferenciação
Outro ponto estratégico para as exportações de café é o reconhecimento de indicações geográficas brasileiras, como regiões produtoras já conhecidas pela qualidade do grão.
Essa certificação ajuda a posicionar o produto em segmentos premium e reforça a estratégia de agregação de valor.
Com identidade regional reconhecida, as exportações de café podem alcançar nichos dispostos a pagar mais por origem, qualidade e rastreabilidade, ampliando a receita por unidade vendida.
Mais países europeus entram no radar comercial
O acordo também amplia o leque de compradores dentro da própria União Europeia, formada por 27 países.
Isso significa que as exportações de café passam a contar com mais rotas logísticas e opções comerciais, reduzindo custos e tornando novos mercados viáveis.
Essa diversificação fortalece a competitividade brasileira e reduz a dependência de poucos destinos.
Com mais portas abertas, as exportações de café ganham fôlego para crescer em volume e em valor ao mesmo tempo.
Você acredita que o Brasil deveria priorizar ainda mais a industrialização nas exportações de café para capturar uma fatia maior da receita global do setor?

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