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Brasil pode perder trilhões com mudanças climáticas até 2050, segundo Moody’s

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 11/11/2025 às 17:58
Atualizado em 11/11/2025 às 20:12
Relatório da Moody’s prevê perdas de 20% no PIB brasileiro até 2050 se o país não agir contra as mudanças climáticas.
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Relatório da Moody’s prevê perdas de 20% no PIB brasileiro até 2050 se o país não agir contra as mudanças climáticas.

As mudanças climáticas representam um dos maiores riscos econômicos para o Brasil nas próximas décadas. Um relatório divulgado nesta terça-feira (11/11/2025) pela agência Moody’s Rating revela que secas, enchentes e desmatamento podem reduzir o PIB nacional em até 20% até 2050.

O estudo alerta para impactos diretos na agricultura, na geração de energia e na Amazônia, o que ameaça a estabilidade econômica e ambiental do país.

De acordo com a análise, os efeitos do aquecimento global já se manifestam em diferentes regiões, comprometendo a produtividade e os recursos naturais.

O documento reforça a necessidade de políticas urgentes de adaptação e investimento sustentável para conter os prejuízos antes da COP30, conferência que será realizada na Amazônia.

Setor agroalimentar é o mais exposto às mudanças climáticas

Segundo o relatório da Moody’s, o setor agroalimentar brasileiro é o mais vulnerável aos riscos climáticos físicos.

Atualmente, ele representa 8% do PIB, 16% do emprego e 40% das exportações nacionais.

Quando somadas as etapas de processamento e distribuição, a participação chega a 30% da economia brasileira. A produção agrícola, sem medidas de adaptação, pode cair até 2% nas próximas décadas.

Essa queda levaria à elevação das importações e a prejuízos concentrados principalmente nas regiões mais pobres, como o Nordeste.

Porém, os impactos já atingem áreas tradicionalmente mais ricas, como o Sul e o Sudeste, afetados por desastres naturais recentes — a exemplo das enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024.

O FMI (Fundo Monetário Internacional) estima que o país precisaria investir entre 0,25% e 0,5% do PIB por ano apenas em adaptação agrícola para evitar perdas de produtividade.

Amazônia está próxima de ponto de não retorno, alerta relatório

O desmatamento da Amazônia também é um fator crítico no cenário traçado pela Moody’s.

O documento aponta que a floresta já perdeu 17% de sua área original e pode atingir o chamado “ponto de não retorno” caso a devastação avance para 20%.

Nesse estágio, o bioma deixaria de funcionar como floresta tropical e passaria a se comportar como savana, alterando drasticamente o regime de chuvas em toda a América do Sul.

Essa transformação colocaria em risco a estabilidade climática continental e a segurança hídrica brasileira, afetando inclusive a geração de energia hidrelétrica, principal fonte da matriz elétrica nacional.

Investimento em energia limpa é fundamental para conter prejuízos

O relatório também destaca que o Brasil precisará investir entre 1% e 2% do PIB ao ano até 2030 para cumprir sua meta de emissões líquidas zero até 2050.

O governo federal deve financiar 40% desse valor, enquanto o setor privado será responsável pelos 60% restantes.

Atualmente, o país figura entre os dez maiores emissores globais de gases de efeito estufa.

A agricultura e o uso da terra são responsáveis por cerca de 60% das emissões, enquanto o setor energético contribui com 5% — um percentual que tende a crescer conforme aumenta a demanda.

No entanto, há grande potencial de expansão das fontes solar e eólica, que podem equilibrar essa conta.

Metas de emissões ainda são insuficientes, dizem especialistas

Na atualização da NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada), apresentada em novembro de 2024, o governo brasileiro se comprometeu a reduzir entre 59% e 67% das emissões de gases de efeito estufa até 2035, com base nos níveis de 2005.

Apesar do avanço, observatórios independentes consideram as metas insuficientes diante da velocidade do aquecimento global.

Pesquisadores da Universidade de Oxford reforçam que eliminar o desmatamento é a ação mais eficaz e de menor custo para o Brasil alcançar o carbono zero até 2050.

COP30 será momento decisivo para o Brasil e a Amazônia

Com a COP30 marcada para ocorrer na Amazônia, em 2025, o Brasil terá a oportunidade de apresentar ao mundo um plano concreto para enfrentar as mudanças climáticas.

O evento, que reunirá líderes globais e especialistas em sustentabilidade, será um divisor de águas para a credibilidade internacional do país em relação à sua política ambiental.

A expectativa é que o governo brasileiro utilize o encontro para reforçar compromissos com energias limpas, reflorestamento e proteção dos biomas, demonstrando que o desenvolvimento econômico pode caminhar lado a lado com a preservação ambiental.

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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