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Brasil produz cerca de 21 bilhões de “vespinhas” por ano e solta em canaviais para controlar pragas, reduzir inseticidas e proteger a produção de açúcar e etanol

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 27/12/2025 às 14:09
Atualizado em 27/12/2025 às 14:36
Brasil libera bilhões de microvespas em canaviais para controlar pragas, reduzir inseticidas e proteger a produção de açúcar e etanol.
Brasil libera bilhões de microvespas em canaviais para controlar pragas, reduzir inseticidas e proteger a produção de açúcar e etanol.
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Produção anual de bilhões de insetos em biofábricas brasileiras sustenta maior programa de controle biológico do mundo, aplicado em milhões de hectares de cana-de-açúcar para combater pragas, reduzir químicos e preservar produtividade agrícola estratégica.

A cena é pouco intuitiva para quem associa o combate a pragas agrícolas apenas a pulverizações e máquinas.

No Brasil, a estratégia mais aplicada de controle biológico na agricultura envolve a criação massal e a liberação de microvespas em canaviais. A prática tem escala industrial.

Documentos técnicos e acadêmicos descrevem um volume aproximado de 21 bilhões de parasitoides produzidos por ano em biofábricas para atender programas de liberação em áreas de cana-de-açúcar.

O objetivo é controlar a broca-da-cana e reduzir a dependência de inseticidas na cultura que sustenta cadeias de açúcar e etanol.

A praga que ameaça a cana-de-açúcar

O principal alvo desse esforço é a broca-da-cana, nome comum dado à fase larval de um inseto que perfura colmos e abre caminho para perdas agronômicas e problemas industriais.

Na lógica do controle biológico aplicado, o controle não depende de um produto químico que mata por contato.

Depende de um inimigo natural, criado em laboratório e levado ao campo no momento certo.

No caso mais conhecido na cana, essa função é desempenhada pela Cotesia flavipes, uma microvespa parasitoide associada, no Brasil, a programas de larga escala voltados ao controle da broca.

Escala industrial nos canaviais brasileiros

Brasil libera bilhões de microvespas em canaviais para controlar pragas, reduzir inseticidas e proteger a produção de açúcar e etanol.
Brasil libera bilhões de microvespas em canaviais para controlar pragas, reduzir inseticidas e proteger a produção de açúcar e etanol.

A dimensão dessa operação aparece em duas frentes: na área tratada e na infraestrutura necessária para manter a oferta de insetos.

Um texto técnico da Epagri descreve que a cana-de-açúcar concentra o maior programa de controle biológico aplicado do mundo.

A liberação do parasitoide larval Cotesia flavipes ocorre em mais de 3,5 milhões de hectares, além de outros agentes usados na mesma cultura.

Em paralelo, um trabalho acadêmico da Unesp registra que, para suprir essas liberações, são produzidos aproximadamente 21 bilhões de parasitoides por ano em cerca de 40 biofábricas no Brasil.

O histórico é descrito como um programa com décadas de uso e aprimoramento contínuo.

Como funcionam as liberações de microvespas

O termo “vespinhas” costuma ser usado como atalho para explicar ao público o tamanho diminuto desses insetos e sua função como inimigos naturais.

Na prática, trata-se de um sistema técnico altamente controlado.

As microvespas são multiplicadas em ambiente controlado para, depois, serem levadas ao canavial e liberadas em pontos definidos.

Um dos desafios relatados por estudos ligados a esse tipo de programa é que o resultado em campo depende da qualidade biológica dos insetos produzidos, do momento correto de liberação e do monitoramento da praga na lavoura.

O controle biológico aplicado é descrito como um processo contínuo, não como uma ação isolada.

Ataque direto à broca-da-cana

A Cotesia flavipes atua parasitando a broca no estágio larval.

A microvespa deposita ovos no hospedeiro.

A partir daí, seu desenvolvimento interfere diretamente na sobrevivência das lagartas que perfuram a cana.

Brasil libera bilhões de microvespas em canaviais para controlar pragas, reduzir inseticidas e proteger a produção de açúcar e etanol.
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O mesmo trabalho acadêmico que descreve a escala anual registra a existência de recomendações técnicas baseadas em amostragem de campo.

Essas recomendações indicam quantidades de parasitoides por hectare e organização dos pontos de liberação para aumentar a chance de encontro entre microvespa e praga.

Biofábricas e logística de insetos vivos

Como esse processo sai do laboratório e chega ao campo é parte essencial do interesse público da pauta.

O sistema pressupõe biofábricas operando rotinas de criação, acondicionamento e logística de distribuição.

Em programas de controle biológico, o “produto” é vivo.

Tempo, temperatura e condições de transporte interferem diretamente na eficiência final do controle.

Um registro técnico apresentado em anais acadêmicos descreve ainda um efeito colateral prático do modelo tradicional de liberação.

O uso recorrente de recipientes plásticos para acondicionar pupas em solturas de grande volume abre debate sobre impactos logísticos e ambientais dentro da própria cadeia do controle biológico.

Redução de inseticidas e manejo integrado

No debate sobre redução de inseticidas, o controle biológico não é tratado como slogan.

Brasil libera bilhões de microvespas em canaviais para controlar pragas, reduzir inseticidas e proteger a produção de açúcar e etanol.
Brasil libera bilhões de microvespas em canaviais para controlar pragas, reduzir inseticidas e proteger a produção de açúcar e etanol.

É descrito nas fontes como ferramenta de manejo agrícola.

A Epagri caracteriza o controle biológico como prática adotada por produtores que buscam controlar pragas com eficiência e sem aplicações químicas.

O órgão também registra o crescimento do mercado no Brasil, com agentes registrados para diferentes culturas.

Reportagens de divulgação científica da Pesquisa FAPESP descrevem a adoção do controle biológico como resposta a problemas associados ao uso inadequado de inseticidas.

O caso da cana aparece como um dos mais consolidados do país.

Qualidade e monitoramento definem o sucesso

O uso em larga escala exige padronização rigorosa.

O estudo da Unesp que consolida o número anual de microvespas discute justamente a qualidade do material biológico produzido.

O trabalho compara parâmetros de desempenho de insetos oriundos de diferentes biofábricas.

Diferenças na qualidade podem comprometer o resultado esperado no campo.

Esse controle de qualidade é descrito como decisivo para a credibilidade do método, já que falhas no controle biológico tendem a levar produtores de volta a soluções químicas em situações de alta pressão de pragas.

Um modelo associado a grandes áreas agrícolas

Vídeo do YouTube

Outra característica do modelo brasileiro é a associação com culturas de grande extensão territorial.

A Epagri chama atenção para o fato de o controle biológico no Brasil ser amplamente aplicado em áreas contínuas.

Isso contrasta com a percepção de que métodos biológicos seriam restritos a produções pequenas ou nichos específicos.

No caso da cana, trata-se de um pacote tecnológico incorporado por parte do setor, que funciona em paralelo a outros manejos agrícolas.

Bilhões de insetos e um novo olhar sobre o campo

O interesse jornalístico do tema está no contraste.

Enquanto o imaginário popular associa controle de pragas a defensivos químicos, o canavial brasileiro abriga uma operação baseada em bilhões de insetos microscópicos.

O objetivo descrito nas fontes é reduzir a pressão da praga e, com isso, diminuir a necessidade de intervenções químicas.

A curiosidade permanece sobre como essa bioindústria se organiza, como mede resultados em campo e quais outras culturas poderiam atingir escala semelhante com inimigos naturais já registrados.

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Sergio Elias Fiorotti
Sergio Elias Fiorotti
28/12/2025 08:58

Bom dia
Como conseguir as vespas sou produtor cana
E estou estou com problemas de ataque de brocas.

Eduardo Deodato
Eduardo Deodato
Em resposta a  Sergio Elias Fiorotti
29/12/2025 15:10

Existem empresas como a Koppert e a Vittia que vendem !!

Marcelo
Marcelo
Em resposta a  Sergio Elias Fiorotti
29/12/2025 18:54

Tenho um fornecedor bom, entre em contato 16992396661

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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