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Brasil quase teve um império de máquinas agrícolas, mas CBT e Malves caíram; a Stara sobreviveu, saiu de uma oficina gaúcha, virou potência de precisão, crédito próprio e conexão Starlink

Escrito por Carla Teles
Publicado el 23/01/2026 a las 21:53
Actualizado el 23/01/2026 a las 21:54
Brasil quase teve um império de máquinas agrícolas, mas CBT e Malves caíram; a Stara sobreviveu, saiu de uma oficina gaúcha, virou potência de precisão
Stara máquinas agrícolas, indústria de máquinas agrícolas, crédito para máquinas agrícolas e agricultura de precisão no campo.
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O Brasil quase se tornou referência mundial em máquinas agrícolas totalmente nacionais. Marcas como CBT e Malves chegaram a dominar lavouras inteiras, mas sucumbiram a crises econômicas, câmbio e decisões financeiras ruins. No meio desse cenário competitivo e instável, a Stara máquinas agrícolas surgiu como exceção: começou consertando implementos, virou fábrica, quase quebrou e renasceu apostando em tecnologia e gestão.

Hoje, entender essa trajetória ajuda a enxergar como a indústria de máquinas agrícolas brasileira poderia ter sido um império e por que sobrou praticamente uma grande sobrevivente nacional atuando com agricultura de precisão, crédito para máquinas agrícolas próprio e conexão via Starlink para o campo. Não é só uma história de uma empresa, é o retrato de como o agro brasileiro aprendeu, na marra, a depender menos só de gigantes estrangeiras.

Quando o Brasil sonhou com um império de máquinas agrícolas

Durante décadas, o Brasil viu nascer uma geração de fabricantes nacionais de máquinas agrícolas que pareciam prontos para disputar espaço com multinacionais. CBT virou sinônimo de trator robusto e resistente no interior.

O famoso CBT 2400, quadrado, barulhento e presente em lavouras de todo o país, carregava um simbolismo importante: era a prova de que o agricultor podia trabalhar com máquinas agrícolas feitas aqui, pensadas para o solo e para o jeito brasileiro de produzir.

Ao mesmo tempo, outras empresas entravam na disputa. A indústria nacional vivia um momento de otimismo, com políticas de incentivo, mercado interno em expansão e agricultores querendo mecanizar a qualquer custo. Parecia questão de tempo até o país consolidar um verdadeiro império de máquinas agrícolas próprias.

CBT e Malves: quando a indústria de máquinas agrícolas não resiste

A CBT marcou época, mas não resistiu ao tempo. Erros de gestão, mudanças de política econômica e competição pesada de gigantes globais foram corroendo o espaço da marca.

Aos poucos, aqueles tratores que representavam orgulho nacional ficaram mais como lembrança do que como opção real de compra.

A Malves seguiu um caminho parecido, mas com outra especialidade. Era uma empresa bem menor, focada em moto niveladoras e equipamentos específicos, que conseguiu inclusive exportar para vários países.

Mesmo menor, a Malves provava que a indústria brasileira tinha capacidade técnica para competir lá fora.

No final, um banco acabou derrubando a empresa, mostrando outro lado da realidade: não basta fabricar boas máquinas agrícolas se o acesso a crédito, capital de giro e gestão financeira não acompanha. Várias marcas nacionais desapareceram exatamente nesse ponto de choque entre oficina, planilha e banco.

De oficina de interior à Stara máquinas agrícolas

Enquanto CBT e Malves seguiam sua trajetória, outra história começava bem distante dos holofotes. A origem da Stara máquinas agrícolas passa pelo pós-guerra europeu.

Depois da Segunda Guerra, uma família de ferreiros e agricultores, os Stapelbroek, decidiu deixar os Países Baixos em meio a crises econômicas e tensões políticas.

Em abril de 1949, desembarcaram no Brasil, passaram por uma colônia de imigrantes no interior de São Paulo e, incentivados por padres holandeses, acabaram em Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul.

Ali, Johannes Stapelbroek percebeu uma necessidade muito clara. A agricultura local começava a se desenvolver, mas faltava quem consertasse e adaptasse implementos trazidos de fora.

Surgiu então uma oficina focada em atender agricultores da região, ajustando máquinas agrícolas europeias para funcionar em lavouras brasileiras.

Essa oficina cresceu, atraiu clientes de cidades vizinhas e virou sociedade com outro imigrante. Depois da separação amigável, em 29 de agosto de 1960 nascia oficialmente a Stara, ainda pequena, mas com uma coisa que faria diferença lá na frente: conhecimento profundo do que realmente quebrava, falhava e dava certo nas máquinas agrícolas usadas no campo.

Primeiras soluções e a virada para a indústria de máquinas agrícolas

Trabalhando anos no conserto e adaptação de implementos, a Stara máquinas agrícolas acumulou um tipo de experiência difícil de copiar. Não era teoria de escritório, era prática de oficina somada ao dia a dia com agricultores.

Foi assim que, em 1968, surgiu um dos primeiros marcos da marca: uma capinadeira dirigível com braços flutuantes.

Em termos simples, era um equipamento capaz de acompanhar irregularidades do terreno sem perder eficiência. Para quem vive de lavouras cheias de desníveis, isso significa menos perda e mais produtividade.

A partir daí, a empresa começou a sair da condição de mera oficina e entrou de vez na indústria de máquinas agrícolas, ainda que com escala limitada.

Vieram pulverizadores, ferramentas agrícolas e até camas hospitalares, numa fase em que valia qualquer produto que mantivesse as máquinas ligadas e a folha de pagamento em dia.

No fim dos anos 70, a demanda era maior que a estrutura e, em 1978, a Stara inaugurou uma fábrica com cerca de oito mil metros quadrados em Não-Me-Toque.

Era o passo claro de oficina familiar para indústria de máquinas agrícolas com ambição de crescer.

Crise, dívida em dólar e quase fim da Stara máquinas agrícolas

O problema é que o timing da expansão não poderia ter sido mais desafiador. A fábrica foi financiada em dólar, algo comum na época. Logo depois, o Brasil mergulhou na hiperinflação dos anos 80, com moeda desvalorizando rápido e juros estourando.

A dívida, que inicialmente parecia administrável, se multiplicou. A Stara máquinas agrícolas começou a atrasar salários, fornecedores, bancos.

O risco de fechamento era real. Foi nesse momento que entrou em cena Francisco Stapelbroek, o seu Chico.

Filho dos fundadores, ele havia saído para ser agricultor, mas voltou quando viu a gravidade da situação. Colocou dinheiro próprio, vindo da atividade rural, para reorganizar as contas e evitar o colapso.

A Stara sobreviveu, mas aprendeu da forma mais dura que nenhuma indústria de máquinas agrícolas resiste sem controle financeiro e humildade na expansão.

Quando a poeira baixou, a empresa estava mais cautelosa. E exatamente por isso começou a focar ainda mais naquilo que sempre fez diferença: olhar para o problema real do agricultor e propor soluções práticas.

Inovação no campo: agricultura de precisão como virada de jogo

Nos anos 90, o campo brasileiro começou a mudar. O “olho do dono” continuava importante, mas já não bastava. Informação virou insumo. Multinacionais traziam para o país combinações de GPS, sensores e eletrônica embarcada.

A Stara máquinas agrícolas entendeu que, se ficasse parada, seria engolida. Em vez de apenas importar soluções fechadas, começou a trazer sistemas de agricultura de precisão para desmontar, estudar e entender. Desse movimento nasceu o projeto Aquarius, em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria.

O campo experimental usava mapeamento, dados e georreferenciamento numa época em que muitos produtores ainda desconfiavam da agricultura de precisão. Dessa base saiu o Topper, um controlador eletrônico que virou o cérebro de vários equipamentos da marca.

Com o Topper, máquinas agrícolas da Stara passaram a ajustar sementes, adubo e velocidade com base em dados, evitando sobreposição e desperdício.

Foi a primeira vez que uma empresa brasileira colocou no mercado um sistema de agricultura de precisão realmente pensado para a realidade local, e não apenas copiado de outras regiões.

Esse pacote tecnológico consolidou a imagem da Stara como uma indústria de máquinas agrícolas que não era apenas “mais uma fabricante de ferro”, mas uma empresa capaz de unir aço, software e agronomia.

Quando máquinas agrícolas encontram crédito para máquinas agrícolas

Enquanto os produtos evoluíam, o mercado também mudava. As gigantes internacionais passaram a oferecer não só equipamentos, mas pacotes completos de financiamento.

Para o produtor, muitas vezes era mais fácil conseguir crédito com a fabricante do que com um banco tradicional.

Percebendo isso, a Stara máquinas agrícolas deu um passo estratégico e criou sua própria solução financeira, a Stara Financeira. Na prática, isso significou entrar de vez no universo de crédito para máquinas agrícolas, adaptado às condições de safra, risco climático, prazo e realidade do produtor.

Ter crédito para máquinas agrícolas dentro de casa mudou o jogo. A empresa passou a controlar melhor o ciclo de venda, entrega e pagamento, oferecendo alternativas de financiamento que aproximavam o agricultor da marca e reduziam a dependência exclusiva de bancos.

Essa combinação de produto robusto, agricultura de precisão e crédito para máquinas agrícolas próprio ajudou a Stara a atravessar uma década inteira de crescimento, ampliando fábricas, rede de concessionárias e presença em outros países da América do Sul e da África.

Poucas empresas da indústria de máquinas agrícolas brasileiras conseguiram, ao mesmo tempo, produzir, financiar e suportar tecnologicamente o cliente como a Stara passou a fazer.

Polêmica política, Ministério Público e reconstrução de imagem

Nem tudo, porém, foi só tecnologia e expansão. Em 2022, em plena campanha eleitoral nacional, um comunicado interno da empresa sobre possíveis cortes de produção caso o cenário econômico mudasse acabou vazando e viralizou.

O texto, segundo a Stara máquinas agrícolas, tratava de projeções econômicas, mas foi interpretado por parte da opinião pública como possível pressão política sobre trabalhadores.

O caso ganhou manchetes em portais nacionais e o Ministério Público do Trabalho abriu investigação.

Ao final, a empresa fez acordo, assumiu compromissos preventivos e pagou indenização, encerrando o processo.

O episódio deixou claro que, quando uma indústria de máquinas agrícolas cresce e ganha relevância nacional, qualquer ruído de comunicação interna pode virar crise externa.

Passada a turbulência, a Stara voltou a se posicionar pelo caminho que sempre preferiu: lançando máquinas, ampliando plantas e apostando em soluções conectadas para o campo.

Video de YouTube

Num estágio mais recente, a Stara máquinas agrícolas enxergou outro gargalo importante do produtor: a falta de internet no meio da lavoura. Sem conexão estável, parte dos recursos de agricultura de precisão e monitoramento remoto ficava subaproveitada.

Para resolver isso, a empresa firmou parceria com a Starlink. A lógica é simples: se a internet não chega por terra, chega do céu. Com antenas dedicadas, máquinas agrícolas passaram a operar conectadas mesmo em regiões onde a telefonia móvel mal funciona.

Isso abriu espaço para diagnóstico remoto, atualização de software à distância, monitoramento em tempo real e integração mais estreita entre lavoura e fábrica.

Na prática, a indústria de máquinas agrícolas passou a oferecer não só o equipamento, mas um ecossistema digital que acompanha o produtor durante toda a vida útil da máquina.

Hoje, é possível encontrar Stara máquinas agrícolas em lavouras do Sul, do Centro-Oeste, em países vizinhos e em mercados específicos na África.

É a prova de que, mesmo sem ter virado um “império” com dezenas de marcas nacionais gigantes, o Brasil conseguiu levar pelo menos uma grande representante da sua indústria de máquinas agrícolas para o mapa global.

E você, vê futuro para mais máquinas agrícolas brasileiras globais?

A história da CBT e da Malves mostra como o Brasil chegou perto de ter várias gigantes nacionais e deixou escapar boa parte desse potencial.

A trajetória da Stara máquinas agrícolas mostra o outro lado: é possível sair de uma pequena oficina, enfrentar crises, apostar em agricultura de precisão, criar crédito para máquinas agrícolas e chegar à era da conectividade via Starlink sem perder as raízes no campo.

No fim das contas, a pergunta que fica é se o país vai conseguir formar novas marcas capazes de disputar espaço global na indústria de máquinas agrícolas ou se a Stara será uma exceção que confirma a regra.

E você, acha que o Brasil ainda consegue criar outras fabricantes de máquinas agrícolas com presença global ou o jogo já está dominado pelas multinacionais?

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Manoel Maxwell Marmom
Manoel Maxwell Marmom
01/02/2026 10:27

Eysqueceram da Engesa, Santa Matilde,Muller y a Malves também fabricava³tratores agrícolas e não só equipamentos ⁴específicos como vcs falam

ROBERTO ROVARIS
ROBERTO ROVARIS
26/01/2026 18:36

CBT quando pediu ajuda oficial foi negado.
Enquanto empresas estrangeiras recebiam terrenos incentivos fiscais por vários anos etc.
Isso que aconteceu.

Joel Sebastião Alves
Joel Sebastião Alves
26/01/2026 18:06

O que precisa é apoio dos governantes e incentivo para a indústria nacional e taxar as estrangeiras. Mais nacionalidade.

Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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